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ANO QUE VEM
Não quero que venha um ano novo, quero um ano velho! Quero um ano como o de muito antigamente, onde podíamos acreditar num aperto de mão, onde um sorriso era sinal de bom dia, onde amor não era apenas uma palavra, onde o respeito também se fazia pelas rugas, onde a compaixão, caridade, amizade; não eram qualidades, eram obrigações que sequer eram prazerosas, eram imperceptíveis; comuns mesmo!
Quero um ano mais experiente e mais infantil; mais adolescente quando tiver que ser sério e mais adulto quando tiver que ser irresponsável. Quero um ano que me traga a antiga alegria de ser inocente sem ser um tolo, que possa ser feio e me sentir bonito, que eu entenda mais e me explique melhor, que chore apenas de alegria, que as músicas lhes inspirem e jamais os desprezem, que nunca mais lhe veja (quem achar que não deva), que receba gratuitamente o que de graça alcancei, que seja infinito e sempre dure!
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Dezembro 30, 2002
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EGOÍSMO
Você me pede, sempre sugere, às vezes me obriga, quase sempre me convence; você pensa em você, sempre!
Você chora, lamúrias de perder as contas, você padece; você sempre pensa em você, sempre!
Você sonha, doces delírios mesmo que machuquem outros, você permite; você sempre pensa em você, sempre!
Você vibra, explode em enorme alegria ainda que sozinha, você se adora; você sempre pensa em você, sempre!
Você briga, quer a vida do seu jeito, a vida dos outros também; você sempre pensa em você, sempre!
Você sempre pensa em você, sempre! Esta você eu não conheço, nunca vi, me enoja! Quem é você?
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Dezembro 27, 2002
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A CONVERSA COM DEUS
Conforme combinado fui à festa do filho do Homem. Ele não tava, dizem que foi chamado às pressas na Cisjordânia, mas deixou um recado de que facilitaria as coisas no ano próximo, que depois do martírio vem o aconchego. Sempre tive a impressão que Deus era barbudo, carismático, velhinho; que Deus me perdoe, só espero que Ele não seja o Lula. De qualquer forma estamos nos entendendo, vou fazer a minha parte e Ele fará a Dele. Quero ir a Sua casa depois das festas; acho que uma conversa de olho no Olho às vezes é bom, tomara Deus (irônico, né?) que Ele fale coisas que eu entenda; sabe, me cansa ouvir e imaginar parábolas; nem sempre eu tô com saco de pensar: ¿Ah, é um aviso dos céus!¿. Ele que me venha e diga logo:¿Oh filho, é o seguinte; ou você entra à direita ou você vai quebrar a cara!¿. Tem hora que eu quero mais é ser amparado, guiado, acalentado; eu faço pelos outros por que Ele não pode fazer por mim? Bom, Ele já me adiantou que vai pensar e depois conversamos na Sua casa, quero ver...
Já sei, vocês vão pensar que com tantos problemas como Iraque-EUA, Palestina-Israel, Palmeiras-2ª Divisão, Marta Suplicy-Aumento de Impostos; Deus deve ter coisa mais importante para fazer, tudo bem, mas além do dom da ambigüidade Ele pode mandar um anjo-da-guarda como porta-voz....ouvi dizer que a Daniela Cicarelli trabalha para Ele, ta valendo, não sou exigente mesmo!
Ps: Só para lembrar, eu sou supra-partidário; não acredito em partidos políticos, acredito em GENTE.
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Dezembro 27, 2002
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É..NATAL
Este ano eu tive uma briga séria com Deus. Falei poucas e boas para Ele. Ah, Ele bem que mereceu, pois falava de um jeito tão estranho que eu não entendi nada!!! Cortamos relações. Agora, Ele me convidou pra festa do filho Dele; eu vou, quem sabe fazemos as pazes, não guardo rancores e também posso rever Seus conceitos e talvez até concordar em alguns pontos. A vida é assim mesmo (fazer o que, né?), é conversando que a gente se entende.
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Dezembro 24, 2002
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ESTRELA (VER-ME EM TEUS OLHOS)
Caiu uma estrela. Pude ver os olhos dela molhados, percebia uma dor intensa e perpétua, toda dor de amor é eterna, nunca acaba, apenas se aloja dentro da gente, encontra um espaço e fica para sempre. O choro baixinho e perene é a insurreição contida, uma manifestação de submissão aos desalentos que vêm e ficam. A alma perdida naqueles pensamentos trazia mais pesar ao acaso da vida; não podia vislumbrar a magia do natal, não via que as luzes piscavam nas árvores, não tinha como perceber que renascera o Deus; como pôde renascer e não tê-la visto ali tão tristonha? Pensava que o Deus dela era egoísta. Caiu outra estrela. A cada lágrima que ela derruba, uma estrela desaba do céu, Deus, não acabe com as estrelas.
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Dezembro 23, 2002
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SEIS E QUINZE
Seis e quinze da manhã, apenas este frio repentino me envolve. Outra noite interminavelmente longa me diz adeus. Meus olhos pesam de cansaço, mas sono mesmo eu desconheço. Ah, faz muito tempo que não o vejo, talvez nem reconheceria meu sono inocente e calmo como era, sequer dava importância a ele, coisa tão banal e natural, para que se importar? Talvez soubesse porque me deixaste: Penso demais, sonho demais, desejo demais, trabalho demais, sofro demais... Tudo para mim é demais. Eu os faço demais, demasiadamente demais. Como me desligar? Ora, já pensei em tantas formas: pensei em meus sonhos, naqueles que sou o herói, o destemido; o que não sofre por coisas pequenas. Pensei em coisas que amo, que me dão prazer, satisfação. Pensei em não pensar; isto é o mais difícil, improvável. E já são seis e vinte e três, mas nada mudou, nenhuma magia aconteceu, nenhum anjo-da-guarda desceu aqui, nenhum dos seus deuses teve tempo ainda...tudo bem, é natal...por que eu deveria estar bem, né? Quem se importa.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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MEDO
Escuro que me traz presente
Quisera passado ausente
Sinto o futuro descrente.
Não fui antes que fosse
Amei depois que dissesse
Sorria se feliz lhe fizesse.
Procuro não mais a dor
Sentir nunca mais o amor
Evitar novamente o pavor
Morreste, paixão minha
Vieste, solidão sozinha
Recriaste, medo que tinha
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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05 de Agosto
A noite encantou-se com sua imagem, fizera renascer o dia.
Estica seus braços, cabelos claros e lisos recobrem parcialmente os doces olhos meigos, lhe deixam insinuante, maliciosamente talvez provocante mesmo. Espreguiça uma ingenuidade duvidosa, recoberta por fina camisete branca, quase transparente. Acorda, enfim. Sorriso generoso enaltecem seus lábios que somam ¿inda mais beleza ao rosto inocente. Lençol que cai após tímido bocejo, descobre as pernas longas que agora delicadamente se cruzam. Seu lindo corpo croata e esguio se levanta, deixa a natureza a contempla-lo. Ainda cambaleando você se admira bela e sutilmente desarrumada frente ao espelho, a vê jovem e encantadora; mas é apenas uma linda imagem que se reflete; seu encanto maior vem de dentro de sua alma branda e intensa; sua magia está nas palavras que diz quando ri, que profere ao bronquear; que enaltece ao agradar; que geme por fazer amar.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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DIFICIL
Difícil...viver como se fosse um, sendo sempre os mesmos, sempre dois, difícil...Antes cruel o fosse, nem tanto a ti levarias dissabores, levo rancores, rumores ainda dos temores daqueles amores que sequer foram merecedores das minhas dores... longe de ser crueldade, és pavor, és horror de fato; solto minhas lágrimas que proibidas não saíam, pelo desabafo, pelo afã de minimizar os desencontros dos fatos surreais criados na parte mais etérea da minha mente, ainda por vezes pela certeza de caminharmos rumo ao difícil....sempre difícil...
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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Balões de Ar
Vivia há tempos uma felicidade que não era minha...já dissera isto antes, talvez antes fosse mais substancial, afinal dividira o meu amor; desta feita não; seria por demais insuportável, desejava ser pleno e fazia por merecer.
¿Acordo, vejo seus olhos resplandecerem, lindos, nos balões (bexigas) que houvera ganhado pelo dia de namorado, meu presente...único. Eram balões vermelhos em formato de coração e enormes; do tamanho do amor que eu ousava querer. Harmoniosamente estendidos sob a varanda ficavam a me espreitar todos os dias e eu os contemplava sempre que me perdia, era minha terapia.
O dia amanhece, e como foi longa esta noite, aconteceu, o sono me deixou. Sabia que era chegado o momento, como lhe contara bem antes, minhas noites tornaram-se gratuitamente mais longas. Você também sabia e agora humilde e desesperadamente eu lhe relembrava meus medos. Sequer eu lembrava dos meus balões, havia mais ansiedade e desatino que raciocínio.
¿Vá-te aos teus amigos¿, disse você, era complicado demais para você crer que todo meu passado descrito não fosse real, pragmático até; permaneceu inerte aos meus apelos. Ante a sua ordem, fui. Fui para nunca mais voltar. Sentia a dor mais doída, a maior dor do mundo é minha, pois só eu a sinto.
Outra noite enorme se finda. Com os olhos ardendo sinto a luz do sol vir da varanda, caminho em passos lentos e em vão procuro meus vistosos balões. Não mais existiam, meus balões murcharam, eram agora nada mais que um punhado de borracha vermelha.¿
Entendia finalmente, a eternidade do seu amor durou por toda vida de um simples balão de ar.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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REDUNDÂNCIA
Meu peito arde em chamas
Chamas em desespero por ti,
Por você que um dia partiu
Partiu o coracao que te amas.
Condenaste meu passado
Passado tempos ao teu lado
Cruel foste minha pena
Pena sequer me acenas
Hoje me marejam os olhos
Olho e nao vejo que vivas
Viva(!) a tristeza que ficas.
Espero lascivo no leito
Leito de lágrimas se vão
Vão de amores em meu coração.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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SAUDADE
Hoje te vi. Você estava maravilhosamente quase nua. Era seu momento mais sublime, o apogeu de suas virtudes. Todo seu caminhar era delicado, um jeitinho de quem chega assim meio sem querer e aos poucos invade o universo que tenho como meu. Espasmos se vêm, outros maiores os mantenho distantes; sequer pudera perceber o mal que me afligia; a maldade que era sua presença. Despenco mundos sem fim, vasculho o pequeno espaço de lucidez que ousara manter, e, em vão, sempre em vão, nada; nenhuma gota de orvalho divino ¿abalsamou¿ meus temores; entrego-me ao desatino de beijar-lhe a alma, sutil que fosse era cruel sentir seu gosto amargo; sua veemente maneira de me envolver; de ser sua propriedade. Prantos escapam e não mais os controlo; apoderou-se; tudo bem; que caiam, não me importa; me importa que você exista; que você inspire traumas, medos, angústias; que inspire fugir
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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PERFUME
Fecho os olhos e deixo a mente viajar junto à inebriante brisa que insiste em soprar-me. Permito aos meus desejos, paixões, dor, amor, lembranças, falta até de lembranças condensarem-se na forma de um perfume que me conforta. Isto me traz à vida e entre coisas vãs me proponho a falar sobre ele: O perfume.
Especial é quando uma bela mulher se perpetua em sua vida pelo perfume que ela traz. Quantos são os perfumes que nos cercam, como os descrever? Existem umas definições que ouso interpretar:
- Perfume Doce (A Sexy ) ¿ Definir gosto de um cheiro pode ser piração, mas sei que existe. Perfume adocicado (o que mais gosto) traz uma coisa da inocência perdida em cruel sensualidade, fatal mesmo. É o tênue limite entre o angelical e o sensual.
- Perfume Cítrico (A Forte) ¿ Um perfume silvestre, marcante; de mulheres também assim: decididas, plugadas no mundo.
- Perfume de Madeira (A Ponderada) ¿ Perfume com aroma levemente adocicado e um pouco ácido, nos traz a lembrança de mulheres comedidas.
- Perfume Acre (A Chata) ¿ Um perfume azedo, de mulheres rústicas, de ações controversas ao extremo.
- Perfume Seco (A Insossa) ¿ O perfume árido que dói em suas narinas. Que nos traz à mente mulheres lindas, sem gosto e muito dispersas.
- Perfume Antigo (A Velha) ¿ Perfume de odor ultrapassado; às vezes doce demais, outras vezes forte demais. Traz a lembrança daquela mulher que entra no ônibus lotado às 5 da manhã e nos faz lembrar dela pelo dia todo; a praga do seu cheiro nos tem como sua obsessão.
Um odor é uma divagação de uma personalidade e esta definição e íntima e pessoal, contudo, muitas vezes às vejo assim ¿mulheres- que tanto nos fazem rastejar pelo seu colo e então podermos sentir o doce afago em seu seio perfumado.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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ONDE ESTAVA DEUS...(MINHA PRECE)
Ontem procurei por Deus e não o achei. Ele não estava com aquela centenária senhora e já cansada pelo tempo que vendia balas no tráfego. Não O vi também quando aquela tempestade desalojou centenas de pobres miseráveis. Procurei-O quando via gente descalça esmolando aos meus pés aquecidos e nada. Implorei vê-Lo em meio à multidão que ansiava novos empregos naquela infindável fila, mas Ele lá não estava. Olhei em busca de árvores, pássaros; qualquer manifestação da natureza que as vimos como dádivas divinas, mas naquele céu de cidade grande não achei tal referência de Sua existência na Terra. Adentro o pátio de uma igreja; vou a busca de Sua imagem; vou direto à casa de Deus; contudo, sua casa estava fechada, suas portas trancadas; senti que Ele virara as costas para os meus tormentos. Ainda não O achei quando no meu silêncio perguntava por que tudo me incomodara, porém se Ele falou comigo eu não O entendi. Se falava por sinais ou por mensagens, ora, eram inteligíveis demais para minha mente e coração tristes. Queria saber onde está Deus quando eu choro escondido, quando eu imploro atenção, quando eu rogo perdão e, sobretudo quando triste está meu coração. Fala-me, Senhor, como se papel ao vento eu fosse, não me queira tão insignificante assim, preciso ver-Te ainda mais forte e presente em meus momentos de desesperança e dúvida. Amém.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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NOITE LONGA
Noite longa. Suspiros se vão.
Ouço gemidos, de mim que não são.
Assola-me a penúria doída
Íntima dor por sua vinda.
Nefasta faz densa a madrugada
Quão maior é o medo que se vem
Ruídos fúnebres em sua chegada
Companheira e cruel ela me tem
Respiro sua presença amarga
Súbito silêncio enche minh¿alma
Devora-me a fé, minha crença me larga.
Penoso, contigo é viver assim,
Ai de ti, solidão, sofrerás sem fim,
Ficarás triste e morrerás por mim.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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MARÍLIA DE DIRCEU (VERSÃO LIVRE)
Vestes longas e pesadas seguravam seus passos indecisos. Seu rosto amorenado pelo sol deixava cair gotas infindáveis de suor. Passando o braço sobre a testa, ela ajoelha-se junto ao chafariz que lhe inunda a boca de lábios secos. O vestido que tentara ser branco um dia estava respingado pela água refrescante. Com um suspiro mais profundo ela ergue-se e com muito custo caminha rumo à ponte; caminha aos solavancos sim, era por demais impossível levitar pelas subidas e descidas íngrimes da cidade inconfidente com suas ruas de pedras. Imensos casarões faziam a pouca sombra naquilo que se tinha de calçada e ela roubava para si. Dividia seus passos entre os fortes negros escravos que carregavam suas ¿senhoras¿ num veículo esqueleticamente montado sobre paus. Chibatadas a frente são ouvidas; rebeldes açoitados imploram a Deus por sua clemência; mas não se sabe se são ouvidos; o sangue jorra. A moça, com olhos marejados, corre aos atropelos, empurra transeuntes, quase é atropelada pela charrete que velozmente passa puxada pelo burrico, este, mais sofria pelas pedras que lhe torciam as pernas do que pelas chicotadas que seu ¿amável¿ condutor lhe presenteava. Com o coração aos tiros ela debruça sobre a mureta de pedras que dá acesso ao rio, respira e cambaleando salta para seu leito. Com o afã de descansar, poucos passos são suficientes para próxima à margem deslumbrar-se lindamente com um formoso e desleixado banco de madeira. O banco devia estar ali há muitos sóis e chuvas passadas; pois de podre quase não mais tinhas seus pés íntegros, mas mantinha-se imponente. De olhar eterno e perdido ela procura algo na vastidão daquele rio, recolhe seus pensamentos ao sentir uma lágrima que lhe passeia a fronte e desliza pelo farto busto discretamente arranjado no corpete que a esta altura lhe incomodara horrores. Como se fosse possível, confortavelmente ela senta e arruma sua anágua que insiste em aparecer sob o vestido. Arruma-se em meio aquela paisagem bucólica como se um melancólico adereço de um quadro a óleo fosse. Uma frondosa arvore dá-lhe a sombra que precisa para suportar a angústia de sua perpétua espera. Num gingado sem ritmo balança a cabeça ao vaivém das águas que batem nas rochas. Ferraduras em seus cavalos são ouvidas ponte acima, mas nem assim desvia seu olhar fixo na curva distante ao longo rio. Os cabelos de cachos presos por uma fita vermelha são presenteados por uma brisa que os lambem, deixando uma serena paz pairar no rosto tenso. O olhar rompe fronteiras, atinge o oceano distante até da imaginação; encontra seu amado de pensamentos vagos; isto a deixa ainda mais esperançosa; sua divagação fizera dela sua escrava. A espera fora eterna, seu herói jamais voltara das terras de além-mar; sabia-se estivera casado lá, porém alguma alma viva sequer ousara contar-lhe, sequer poderiam tirar-lhe o último suspiro de vida que a ela cabia, melhor foi terminar a vida na colônia a espera do amado que nunca voltou do exílio.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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LUA
Onde tu vives solidão, ( ? )
Caminhas na aurora deste dia
Que te levaste em companhia
Onde tu moras coração ( ? )
Viajas afoito, sem rumo
Buscando a direção
Onde estás esperança, ( ? )
Do meigo jeito de sonhar
À sombra do beijo criança
Precisando me encontrar
Aí estás minha Lua, ( ! )
Outras tantas me viu triste
Hoje minha alegria também é tua
Porque sei que demais existe.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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ESCURO
Acordei e tava escuro. Muito escuro mesmo. Por mais luzes que da janela viessem estava escuro. Por mais que os pirilampos passeassem lá fora estava escuro. A lua cheia que inundava o céu era muito mais que negra. Meus pensamentos profundamente belos eram tesas flores de ébano. As lágrimas que me vinham eram gotas de sangue que desfiguravam meu rosto. A mais doce palavra que sussurrava, muito ardia em meus lábios. Inspirava com dor o aroma da madrugada gélida. Bela hora para acender um cigarro, ah, quem dera eu fumasse; tomaria um encorpado bourbon sem gelo, lógico, e ouviria Summertime aos soluços. Não me negue, vazio, o desprazer da sua companhia; dividiremos seu legado em sensações de iguais pesares. Agora, sons me vêm: os pássaros cantam, lua nefasta se esconde, orvalho se desfaz, o amanhecer vem chegando, luz enfim, agora posso dormir, mesmo sem paz.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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ERAM VERDES
[O seu coração estava alojado no canto escuro do desgosto, sofria a perda de sua paixão maior, aos poucos não fizera dela (paixão) o seu término]
Agora eu via seu olhar, tão quanto mais fosse possível ser verde o brilho da esmeralda mais límpida, era assim este olhar que me fatigava, levando-me ao desespero contido de perder o domínio dos meus sonhos momentaneamente vividos ali. Seus lábios cansados de iludirem-se recebiam o sutil toque da sua língua, tornando-se intencionalmente provocante. Aquela garrafa de vinho branco, que aos goles bebíamos, tombou, fazendo com que a bebida escorresse por sua perna maliciosamente cruzada sobre a minha. Não era vertigem, não era conto, nem sequer seria devaneio; estava eu vivendo tudo aquilo. Tento me ¿desprender¿ da situação, mas o odor do seu perfume novamente me detinha. Deslizavam a sua boca as últimas gotas de vinho, céus, sua voz rouca emoldurada pela embriaguez que chegara também me tornara um ébrio; não conseguia visualizar nada que não fossem partes do seu corpo que pouco se escondia. Estava perto o momento de abarca-la, sentir a maciez dos cabelos aloirados que escondiam os seios. Ela já não mais dizia palavras conhecidas, nem tampouco dizia que me queria ¿ mas precisava?- A luz fosca da sala escurece um tanto mais com a noite que desaba. A música ¿dark¿ vai aumentando seu volume lentamente ao passo que ela levanta-se e baila em gestos góticos que a tornam ainda mais sensual. Eu como estava fiquei, contemplando-a. Em passos descontínuos minha Vênus se aproxima e desaba sobre meu peito. Ouço soluços compulsivos, vou tocando seu rosto, sinto minha mão úmida, quente. Vejo aqueles grandes olhos verdes marejados e com um brilho ainda maior, a boca implorando sem ruído algum que eu a tivesse como sua. Por breves instantes penetrei dentro daquelas esmeraldas e num último recurso de consciência pude lembrar-me que semelhante choro a pouco vinha de outros olhos: [Dele (outro), que sofrera a perda de sua paixão maior]. Então, disfarçando o rancor e o choro, me fingi de tolo, embriagado e dispersivo. Já não a tocava mais, mas meu coração estava triste comigo, nem sequer batia normal, quase parava de tanto que era seu ódio por mim. Aos poucos nos recompúnhamos. Agora, falávamos pouco, não havia como falar mesmo. Apenas podíamos nos arrepender ou nos orgulhar e isto só tempo diria.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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AQUELA QUE AMAREI LOUCAMENTE, UM DIA
Ela não prometerá o que não irá cumprir
Ela não mentirá para poder conseguir
Ela não dormirá quando dela precisar.
Ela não fugirá quando o medo assombrar.
Ela não sugará quando assim desejar.
Ela não expulsará quando nervosa ficar.
Ela não emudecerá por algo que quer.
Ela não gritará quando errado estiver.
Ela nunca será como você!
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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DISTÚRBIO BIPOLAR
Todos riam, harmoniosamente o universo estava em paz. Havia uma congruência de situações prazerosas. Sim, ele divertia-se como há tempos não fizera, sua vontade e otimismo afloravam. Nada que lhe trouxesse mal-estar poderia o atingir. Não, não era bem assim... ele de súbito ficara triste, sorria pela metade, trazia ainda mais forte o desgosto pela vitória conseguida a pouco, não mais lhe importava o quanto tivesse urrado de satisfação; agora enfim, estava amuado, largado ao acaso de sua inóspita vontade. Um pranto de angústia inundava seu coração e seus desejos ficaram reduzidos a um mínimo de esperança que agora nem sei d´onde ela viria. Um telefone toca; ouve-se uma voz doce e perfumada (?) que apenas dizia ´olá´. Não mais padecia, o céu tornou-se dia novamente; gosto de chocolate preenchia-lhe o vazio; que fosse meio-amargo; ainda era doce.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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CHORO
Crepúsculo se vem. Onde choram os homens? Onde suas lágrimas são doídas? Sabe-se lá porque deveriam ser fortes. Rasgam os céus as primeiras luzes da manhã, ainda dói ser forte. O peito dolorido ampara suas máculas d¿uma noite mal dormida. Olhos vermelhos entregam seu pesar. No horizonte afora tudo é névoa, tudo lhe é sombrio, ainda que o céu de verão diga-lhe não. Passos tímidos o cansam como se a uma jornada fossem; não lhe resta sequer esperar; a espera é sempre eterna. Sorriso de uma criança lá distante lhe inspira desesperança, saudades da inocência que se foi. O engodo da sua solidão o inspira falsa segurança. Sua reclusão inevitável ainda o assombra mais e firme neste propósito sua lágrima despenca como um bloco de gelo: enorme e frio. A inspiração maior que agora o ampara é o medo: Medo, muito medo de tentar outra vez. Tentar andar seus passos firmes, ver a claridade com seus olhos, aconchegar no coração as alegrias do mundo, ver no caminhar sua terna estrada, crer no sorriso juvenil que lhe brotará e na lágrima que enfim acariciará seu rosto... desta vez doce e meiga.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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Às Cidades Históricas de Minas Gerais ¿ Parte V (Final)
Tiradentes

A Maria-fumaça chega à plataforma. Um apito estrondoso anuncia sua chegada fumegante. Muita fumaça mesmo! A máquina preta e vermelha estava asseada para a viagem, bem como o maquinista e demais funcionários em seus trajes negros e sóbrios. Após um milhão de fotografias (no total da viagem, mais de cem poses queimadas!); entramos em nossos vagões. Eram simples demais, mas guardavam exatamente esta simplicidade como referência dos áureos tempos. Numa sacudida mais forte o trem parte. Seu rastro de fumaça densa era uma visão única para mim. À medida que a locomotiva passava moradores de São João Del-Rei, crianças, velhos, jovens, adulto; todos nos acenavam, realmente eles sabem que esta máquina é rara e nos cumprimentam por termos o privilégio. A viagem de pouco mais de meia hora é tranqüila, passamos por locais que não gostaríamos de ver; havia já um traço de periferia, como também um desmatamento desordenado de outras áreas; porém havia também a travessia sobre rio das Mortes, as vacas amarelas(quem nunca brincou de vaca amarela?), uma espécie de mangue escondidinho e as pessoas; elas paravam de conversar para nos saudar assim de longe, você entende isto? Tenho certeza que muitos moradores jamais andaram na Maria-fumaça; não era tão barato como andar de ônibus. Enfim, chegamos à Tiradentes. Uma plataforma simples no meio de um nada nos ampara. Descemos e damos de cara com uma charrete linda que de pronto pegamos em direção ao centro; mas no meio do caminho queria descer; coitadinho do cavalo nestas ruas de pedra. No centro, uma mistura do cheiro de bosta de cavalo com o encanto da cidadezinha me confunde. Facilmente encontro o ¿centro de apoio ao turista¿ e todas informações, folder¿s e afins são fartos e gratuitos. De posse do mapa da cidade saímos. Caminhamos em direção ao Bosque da Mãe-D¿água e onde ficava o chafariz de São José, com um detalhe, havia uma espécie de altar para o santo. O chafariz tinha uma importância muito grande no século XVIII, pois os escravos munidos de potes de barro recolhiam a água e abasteciam todas as casas. O chafariz e a fonte ainda funcionando eram perfeitamente mantidos limpos e aprazíveis. Caminhamos agora em direção a igreja de Santo Antônio e somos pegos por uma surpresa: havia uma seqüência de portas em determinadas ruas que eram muito parecidas e com inscrições da paixão de Cristo. Aos poucos percebemos que era uma Via Crucis, onde cada porta era uma pequena capela que representava a penúria de Jesus. O mais descrente ou não-católico se comove com a fé dos habitantes que ousaram construir uma obra assim, tão singela e perpétua. Na igreja de Santo Antônio notamos um relógio solar instalado em 1785 e claro, funcionava precisamente. Do alto das escadas pudemos apreciar a beleza da cidadezinha; não havia, de onde eu estava, de se sentir no século XXI; só pude voltar a realidade quando caminhando percebo a passagem de carros. Chegando ao casarão do Pe. Toledo parece que estamos num solar. Foi na casa do padre que foi realizada a primeira reunião da Inconfidência Mineira (1788) e hoje abriga um museu com vastas obras e mobílias. O casarão possuía à época uma ligação subterrânea com a cadeia pública que ainda mantém arrogantes celas e janelas de pedra. Entre entradas e saídas das igrejas destacamos a Capela de São Francisco de Paula, pois serve de um lindo observatório e a igreja da Santíssima Trindade, onde o alferes Tiradentes idealizou a bandeira da ¿nova república¿ com um triangulo representando a Santíssima Trindade, que por fim deu origem a bandeira de Minas Gerais. De passos em passos abusamos das belezas da cidade e cada piscadela uma beleza nos perdíamos. Passamos pela ponte de pedra para podermos retornar a São João Del-Rei. Entramos no trem e tristes deixamos a cidade, pois sentimos que muito ainda não pudemos apreciar. Realmente é uma cidade aconchegante. Desembarcamos e quando eu chego no carro, o guardador de carros (lembram?) estava lá sentado com um pedaço de pano na mão olhando pro vazio. Eu o agradeço, pago e sem dizer absolutamente mais nada ele me diz: ¿Boa viagem, que Deus lhe acompanhe¿. Seis horas depois eu estava em casa.
Para quem teve paciência de ler as cinco partes da minha viagem eu posso dizer que me senti mais perto de Deus, a fé das pessoas contagia. Pude sentir que as pessoas quando menos desprovidas de recursos são mais amistosas, valorizam muito mais o sorriso, o ¿bom dia, senhor¿. Percebi que alguns abnegados fazem com que a nossa história permaneça viva. Aprendi que quando estamos longe de casa mais do que nunca sentimos o que é conviver; a cada nova cidade novas conquistas de amigos, gente diferente, adaptação aos hábitos até. Tomei muito café sem pagar, parece que é o ¿boas-vindas¿. Por estas e por outras é que digo, visitem ¿meu¿ país, o conheçam bem; depois parta para conhecer o mundo. Ainda volto nestas cidades!
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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Às Cidades Históricas de Minas Gerais ¿ Parte IV
São João Del-Rei
Chegamos a São João Del Rey. Já pegamos até trânsito. Após umas voltas de carro pela cidade, notamos que o centro era moderno, lembrando pequenas capitais. Estacionei próximo a uma estação de trem e logo um guardador de carro apareceu. Claro que o deixei tomar conta, eu estava a centenas de quilômetros de casa e não podia ser mal visitante. Ele me surpreendeu, acreditem. A estação era discreta por fora e por dentro parecia que atravessávamos um portal, nos deparando com o final do século XIX. Compramos passagem de trem (Maria Fumaça) para irmos no dia seguinte à Tiradentes. Aproveitamos o tempo e visitamos o museu da EFOM (Estrada de Ferro Oeste de Minas). Havia tudo que se podia querer ver de uma ferrovia antiga: vagões de madeira, locomotivas a vapor, grandes instrumentos; em resumo; o acervo não era grande, mas era preciso e extremamente limpo. Os vagões antigos e a locomotiva são um espetáculo à parte. Impecáveis e com a sutil entrada de luz que os iluminava até parecia ressurgir do passado num toque mágico. Saímos em ¿tour¿ pela cidade. Caminhávamos sem rumo e desta vez não encontramos o centro de apoio ao turista¿, uma pena. Com a referência básica dos ferroviários, localizamos a igreja de São Francisco de Assis. Com suas duas enormes palmeiras ao seu lado, notamos que a igreja nos espiava do seu solo mais elevado. Dentro, tudo intacto, muitíssimo bem conservado e asseado. Pudemos caminhar por toda nave, altar, até atingirmos o alto da capela, onde uma certa obscuridade e frieza assombram; mas basta olhar para o altar e tudo se desfaz. Nos fundos da igreja ainda existe um cemitério que perpetua a lembrança de Tancredo Neves. Caminhamos rua afora. As lojas são muito discretas, não nos sentimos coagidos a comprar nada. De passagem vimos construções antigas como museus e outras mais recentes como o obelisco ao Expedicionário. Atravessamos uma ponte de pedra que liga os dois lados da cidade e pouco mais adiante algo se transforma. Aquela cidade meio século XX, se transforma em século XVIII. Impressionante como havia toda uma cidade escondida atrás de prédios mais modernos. Ruas de pedra, igreja umas próximas às outras, solares de famílias tradicionais, inclusive dos Neves, estavam todas harmonicamente ali nos olhando. Casas humildes, algumas mansões para os padrões também estavam beirando as grandes escadarias da Igreja de N.S. do Pilar. Um morador nos vendo encantados avisa-nos que na igreja haverá um concerto dali a pouco. Já era começo de noite quando a orquestra adentra a nave da belíssima basílica. A basílica tinha uma cor que saltava aos olhos; um branco e um dourado que resplandeciam nas esculturas e afrescos que não cansávamos de observar, e notem, era permitido fotografar sem flash e não se pagava para entrar. Os acordes que soaram dos instrumentos sei lá se eram bons, mas aquela altura eu jamais saberia julgar; eram lindos. De coração leve procuramos um hotel na cidade ¿grande¿, com conforto e boa refeição, pagando preço de cidadezinha, e, já quando fui buscar o carro, apenas um único carro e o guardador estavam lá a minha espera. Passei o dia todo fora e ele lá, a minha espera. Pior, havia lavado meu carro. Paguei agradecido e disse que no dia seguinte iria deixar o carro ali de novo, pois viajaria de trem e ele disse que estaria ali para me tranqüilizar. Que bom. Igual São Paulo.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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Às Cidades Históricas de Minas Gerais ¿ Parte III
Congonhas
Pela manhã saímos em direção a Congonhas, sempre com um mapa nas mãos, se não fosse viajar em função do mapa a viagem não seria tão boa. Partimos logo que o sol nasceu. Uma manhã de névoa esparsa deixou tudo melancólico na saída. Cortando caminho, atravessamos Ouro Branco. Montanhas rasgadas pelo acaso do tempo formavam o único caminho que a estrada poderia seguir. Via ainda a sombra que um imenso platô formava quando o sol passava por trás dele; era uma visão além de maravilhosa que me fez parar, correr até um morro próximo e ....sei lá. Uma das paisagens mais lindas que já vi! Um dia volto.
Algum tempo depois nos deparamos com uma obra (réplica?) de Aleijadinho na beira da estrada, com algo do tipo ¿seja bem vindo a Congonhas¿. Entramos na cidade já sentindo que era uma cidade ¿grande¿ e logo avistamos o ¿centro de apoio ao turista¿. Como sempre, fomos muito bem orientados. De pronto seguimos em direção à Basílica de Bom Jesus de Matosinhos, onde ficam as obras mais conhecidas de Aleijadinho: Os Profetas. No alto de um morro lá se encontra a igreja e mais ao pé ficam as obras que descrevem os Passos da Paixão de Cristo. São seis capelas em seqüência com figuras esculpidas sob o tema da paixão de Cristo. À medida que caminhamos acima, vamos entendendo toda esta concepção de Aleijadinho; a subida seria uma penitência. As obras, severamente abaladas pelo tempo e implorando cuidados, ainda mostram uma beleza dolorida; sentimos dor na expressão das obras de madeira que retratam Cristo. Ao final da Paixão de Cristo chegamos as estátuas dos profetas. Alguns mendigos pedem esmola aos pés da estátua do profeta Amós e na crença deste senhor, nos diz que o tal profeta teria aquela imagem mais simplória, pois retrataria o próprio escultor. Outras estátuas, mais vistosas, retratariam entre outros o Alferes Tiradentes e Tomáz Antônio Gonzaga. Pode até ser uma lenda, mas faria muito sentido que os Inconfidentes fossem discretamente homenageados na época, o que por si só já era um perigo perante a Coroa. As estátuas são expressivas, mas como vinha acontecendo ao longo da viagem, vimos que o tempo é senhor implacável. A sensação que dá é que as obras não resistam muito mais anos. Partes dos profetas o tempo encarregou de levar e outras tantas, vândalos deram cabo.
Da basílica imponente caminhamos ladeira abaixo em direção a Romaria. Uma construção em forma de círculo que concebida originalmente no séc. XVIII para abrigar peregrinos, hoje após várias modificações, tornou-se uma espécie de conglomerado público onde podemos apreciar pequenos museus de mineralogia, sacro e memória; oficinas de arte (tudo gratuito); havia ainda uma lanchonete e loja de ¿lembrancinhas¿; entre outras coisas.
Pela rua de pedras, construída pelos escravos, seguimos em direção à Igreja de São José que bem como a basílica é rica em obras do barroco.
No final da manhã resolvemos partir, pois grana curta não nos dava o luxo de perder tempo e para ajudar a cidade muito bem sinalizada e limpa ajudou-nos a partir.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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Às Cidades Históricas de Minas Gerais ¿ Parte II
Ouro Preto
Por uma estradinha que atravessava a periferia de Mariana, seguimos para Ouro Preto. Subíamos e víamos a esquerda uma estreita cachoeira deslizando pela montanha. A estrada varria o alto dos morros.
Chegamos à cidade. Encontramos por acaso o centro da cidade. Uma movimentação constante e desordenada nos lembrava o caos de uma cidade grande. Estacionar foi um martírio. Na Praça Tiradentes fomos nos orientar no centro de apoio ao turista. Tudo se paga. O guia, os mapas; mas ao menos a orientação era gratuita. Bem, nem tanto, porque o atendente fez o que pode para nos hospedar num hotel próximo e caro.
Ficamos em frente à praça mesmo (Hotel Pilão, também de estrutura do séc.XVIII). Um quarto pequeno, teto e chão de madeira, se compunham com grandes janelas e uma pequena sacada; de onde podíamos ver o Museu da Inconfidência, o Monumento à Tiradentes e uma linda visão da cidade abaixo. Ah, sim a sensação de quem fica na praça é de que a cidade nasceu ali e foi humildemente se espalhando aos seus pés. É impressionante imaginar as mulheres da época andando com os seus vestidos compridos e pesados, naquelas ruas de pedra, numa subida e descida constantes; tanto pior para quem utilizasse os cavalos ou ainda para os escravos que carregavam seus ¿donos¿..
Havia uma exploração maior do turismo, por outro lado, muito mal aproveitado. Novamente quase na totalidade as atrações da cidade só podiam ser vistas se pagássemos: igrejas, museus, casas. No Museu da Inconfidência pudemos observar guias turísticos em pequenas palestras e nos aproveitamos para ouvir. Certa guia chegou a se emocionar falando que ali dentro estavam os corpos sepultados dos inconfidentes; menos o de Tiradentes, pois este fora decapitado e seus restos foram espalhados do Rio de Janeiro até Ouro Preto, sendo que sua cabeça ficara exposta no centro da cidade(Pça.Tiradentes-). Coube então ao mártir uma sepultura vazia em sua homenagem. Vimos assentos sanitários ao lado dos fogões a lenha (lado mesmo), uma prática usual na época, pois um cheiro suplantava o outro. Algumas obas de Aleijadinho recém chegadas de Nova York estavam também expostas.
Novamente na rua fomos à casa onde nascera Tiradentes. Quase impossível de achar, pois virou uma loja comercial e apenas uma minúscula placa lembra quem foi o morador mais estimado da cidade. Caçamos a casa onde vivera Marília de Dirceu e a ponte em que ela permanecera anos a esperar pelo amado que nunca voltou, pois casou-se com outra no exílio. De uma certa maneira, a casa ficava próximo a de Tomás Antº. Gonzaga quando na cidade morou, apenas uma íngrime subida de distância.
As igrejas agora mais imponentes, traziam traços específicos de sua arquitetura; com estilos variados. Um fato que pode justificar é que cada ¿explorador¿ que chegava queria construir um igreja ao seu santo de devoção. Para isto não media esforço, nem dinheiro para construir cada igreja mais bonita que a do outro.
Na noite que passamos na cidade presenciamos um ¿lindo¿ show de heavy-metal no centro da praça Tiradentes. O hotel tremia todo; as garrafas no quarto até pulavam. Foi uma pena porque toda aquela tremedeira, bem como os ônibus que também passavam ali, apenas deterioram gradativamente a beleza da cidade.
O café da manhã extremamente farto, como em qualquer cidade de Minas; nos abasteceu para partirmos e sentimos todo o prazer das pessoas em nos servir e desejar-nos uma boa viagem.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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Às Cidades Históricas de Minas Gerais - Parte I
Mariana
Uma pátria se faz através de sua história. Nosso Brasil tem uma história recente - cheia de orgulho, medos, mártires, vilões e lições. Acontece, porém, que não basta apenas haver esta história, tem que existir ainda o zelo, a divulgação, o carinho.
Numa viagem de pouco mais de quatro dias conhecemos a arquitetura, o povo, as obras e estrutura de algumas das nossas pequenas e ao mesmo tempo gigantescas cidades históricas de Minas Gerais. Um encanto natural toma conta de cada um que se predispõe a usufruir o ar bucólico que por muitas vezes nos vem a mente.
Iniciamos a viagem num passo largo, saindo de São Paulo ¿ Capital, na madrugada de quarta-feira, dirigindo calmamente por pouco mais de oito horas numa estrada quase reta e em obras que nos levou até Contagem e de lá até Mariana.
Mariana, cidade encravada nas montanhas, escondida atrás de Ouro Preto. A estrada que nos conduz à cidadezinha é repleta de placas que insiste em lembrar-nos do seu legado; talvez por medo de que apenas ficássemos em Ouro Preto e não caminhássemos doze quilômetros até ela.
Entrando na cidade uma avenida nos leva ao centro e de frente encontramos o posto de informações turísticas da prefeitura. Jovens trabalhadores deste posto dão-nos informações práticas e verdadeiras sobre a cidade, mas o roteiro histórico impresso, eles ficam sem jeito de dizer que ¿está na gráfica¿. Seguindo as orientações fazemos uma incursão pela cidade e nos hospedamos no Hotel Central que, acredite, fica no Centro. As instalações asseadas do hotel, ainda carregavam as marcas do século XVIII, se segurando nas estruturas para permanecer de pé.
Após nos acomodarmos, seguimos à praça de frente ao hotel, era noite e um grupo mambembe fazia seu número. Na ausência de um sonoplasta, tinham que se virar com um flautista, um percussionista e um baixista, que ¿coitados¿, tinham que tocar Chico Buarque; chega a ser surreal, incrivelmente surreal.
Acordamos. O café servido fora simples, mas farto o suficiente. Saímos em direção à Igreja da Sé. Um aviso minúsculo na porta dizia algo e mais abaixo ainda dizia não ser permitido fotografar. Entramos. Quando dentro percebemos que deveríamos ter pagado um real para entrar. Desacreditei e não paguei na saída mesmo assim. Dentro, nos encantamos com a beleza da igreja, a sua pureza; mas coisas saltavam aos olhos: a madeira da imensa porta estava se deteriorando, o pó que cobriam as imagens e coisas ainda menores. Até o majestoso órgão (1701) ficava timidamente escondido.
Descemos a Rua Direita e pagamos para entrar na casa, hoje museu, do poeta Alphonsus de Guimaraens. Encontramos mais jovens que nos deram as devidas informações. A casa de dois andares é ampla, com portas e janelas também imensas que nos davam a luz do dia para a casa quase toda. Embora algumas partes da casa careciam de reparos, como o teto que pareciam pender para baixo, ainda sentíamos que o esforço de abnegados faziam que ela ficasse imponente.
Novamente na rua (de pedra como quase todas no centro), notamos abaixo que as outras casa da viela estavam em muito melhor estado de conservação, com um detalhe, eram todos imóveis voltados ao comércio e infelizmente apenas mantinham a fachada.
Quando alcançamos a Igreja Nossa Senhora do Carmo foi fácil criarmos culpados pelo incêndio que a assolou tempos atrás: um certo descaso do poder público; nem tanto do poder local acredito. Como não pagamos para entrar nesta igreja, nos limitamos a fotografar a fachada. De frente a igreja há um pelourinho com argolas traziam as dores daqueles que ali morreram e de fronte a câmara municipal com ar imponente até para os dias de hoje.
Pudemos ver de uma maneira geral que a cidade erguida se mantém linda: As igrejas, os museus, as ruas tortas, a velha estação ferroviária; pena que esta se contrapõe à arquitetura da nova sede da prefeitura. Tenho medo pela falta de manutenção e conservação da cidade. Os habitantes são simples e muitos amistosos e sabem de cor toda a história da cidade; sobretudo se orgulham disto. Olha, me deu orgulho também de ser brasileiro e até me deu vontadinha de ficar por lá.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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À MULHER QUE NUNCA AMEI (OU JAMAIS AMAREI)
A mulher que nunca amei não viverá a certeza de todo meu amor cúmplice.
A mulher que nunca amei jamais poderá me ligar a qualquer hora
A mulher que nunca amei não me verá chorar.
A mulher que nunca amei jamais saberá onde estou.
A mulher que nunca amei não me pedirá pra sonhar junto.
A mulher que nunca amei jamais me levará para comprar seus sapatos.
A mulher que nunca amei não me verá velar seu sono.
A mulher que nunca amei jamais me pedirá opinião daquele seu vestido.
A mulher que nunca amei não me deixará esperando preocupado.
A mulher que nunca amei jamais me convencerá a visitar aquela tia chata.
A mulher que nunca amei não me fará acordar cedinho aos domingos.
A mulher que nunca amei jamais terá fidelidade maior.
A mulher que nunca amei não ganhará presentes fora de hora.
A mulher que nunca amei não mais irá rir na tristeza
A mulher que nunca amei jamais me verá lutar pela sua atenção.
A mulher que nunca amei não ouvirá a música que quiser.
A mulher que nunca amei jamais me pedirá para ir dançar.
A mulher que nunca amei não me impedirá assistir à final do campeonato.
A mulher que nunca amei jamais será a mais amada de todas!
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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PARA ELA ¿ (in)FINITO
Minh¿tristesse muito fugir
¿Inda dói mais se não sumir
É-me difícil ao todo entender
Fácil de tudo sempre é sofrer
Nunca eu quisera o simples desistir
Mais doara de mim para a ti permitir
Triste mesmo seria em vão brigar
Quanto melhor fosse a tudo conquistar
Agora no impossível hei de estar
No silêncio para sempre haverá de ficar
Ps: Com verbo é fácil!
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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PARA ELA ¿ EPÍLOGO
Se tudo que quisesse se pudesse
Se tudo que pensasse se dissesse
Se tudo que olhasse se tivesse
Se tudo que sentisse se vivesse
Se tudo que sonhasse se ousasse
Se tudo que orasse se pecasse
Se tudo que deixasse se ficasse.
Se tudo que esperasse se viesse
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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PARA ELA ¿ BEIJO
Brincamos de beijar.
Perigoso e gostoso
Tentações a flertar
No seu jeito dengoso.
[Permito que me beije de amiga; bochechas mal se tocam. Inocente.
Ouso beijar-lhe a mão; devagar e seco. Malicioso.
Ainda deixo o seu beijo chinês; cola o nariz e lábios em meu rosto e ouço o estalar de seus lábios. Hum, seus lábios.
Mais adoro beijar você; meu beijo francês; de bochechas coladas e língua que lhe toca. Suspense.
Foge, brinca de beijinho de borboleta; cílios que entrelaçam. Brilham os olhos que vejo!
Retribuo de beijo de esquimó; narizes que se tocam; sorrisos inocentes. Que sorriso lindo.
Suspiro surpreso pelo seu beijo sem língua; bocas que permitem instigar. Desejo.
Devoro-lhe no beijo italiano; duradouro, molhado e longo beijo de língua. Incandescente.
Arrepio-me com o beijo no pescoço; sua língua que me toca. Devassa
Insisto no beijinho japonês; inclino você, minha gueixa, e encosto meus lábios em sua nuca. Perfume doce, hum.
Insana me beija mordendo; meus lábios são seus. Avassaladora.
Apelo pelo beijo em seu colo; perene e delicado. Paixão.
Devora meu peito; lábios que percorrem. Furor.
Surpreendo-a com meus lábios em suas costas, nua; beijo que desliza. Sufocante.]
Outros beijos que vêm.
Outros tantos que brincamos.
Úmidos que viessem.
Como sempre nos deixamos.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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PARA ELA ¿ NÃO CHORAR
Abre a janela.
Noite que cai. Lua cheia.
Céu estrelado. Não vê.
Você bonita. Olhos marejados.
Impedem você.
Chora quieta.
Lágrimas que rasgam
Pranto doído
Molham o rosto
E o cabelo escorrido
Resmunga baixinho.
Palavras que acalentam.
A dor ¿inda entristece
Forte o pensamento
Acalma, lhe emudece.
Suspira mansinho.
Nasce outro dia.
Aurora em esperança
Futuros vindouros
Sorriso criança.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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PARA ELA III - VOLTAR
É noite alta. As míseras gotas de chuva vazam as nuvens que mal conseguem embaçar a lua. Esta, a lua, forte com sua luz enternecedora faz ainda mais lindo seu rosto que era acariciado pela brisa noturna daquele céu de outono. Seus longos cabelos esvoaçam ao léu. Ela chega à varanda alta e agora deserta que me fizera escravo dos meus pecados.
A vejo ainda mais próxima. Sinto seu perfume adoçar minhas narinas. Seus olhos cor de desejo sondam os meus. Não hesito e a flagro contornar seus lábios com a língua. A paixão me invade. Num toque suave suas mãos macias acariciam meu rosto, segura minha nuca e me traz para o beijo mais molhado que eu ousara sonhar. A língua, que vira a pouco em seus lábios, agora percorrem os meus. Nossos corpos se apertam, enrijecem até. Perco seus cabelos em meio aos meus dedos. Aperto-lhe as costas. Com jeito e força. Roubo-lhe alguns gemidos meio que descuidados. O vestidinho floral lhe sai aos pedaços, expondo as curvas que as lingeries adornavam. Mergulho em seu colo alvo e sedento de carícias. Seu cheiro agora mais hormonal e ainda doce me entorpece. Desvencilho-me das roupas que me cobriam. Percebo ela a fitar-me. Num repente de insensatez a viro de costas, sinto a respiração acelerar, a minha. A dela sequer ouvira. Suas palavras devassas me impediam. Com as mãos em seu ventre beijo-lhe o pescoço sempre cheiroso. Minhas mãos percorrem seus quadris, toco-lhe as pernas, como pude. Retornam as mãos. Faço minha língua tocar sua orelha bem discretamente, suavemente. Olhos seus braços arrepiados e pelos seios que estufam o soutien vejo, sinto você à disposição de ser amada. As pernas que mexem no balançar que eu conduzo me deixam insano outra vez. Gestual e mortal a viro e beijo-lhe o mais longo dos beijos apaixonados. Os braços caem, vai-se o soutien com ele. Lindos, os seios que se exibem. Apertados ao meu peito à ânsia de toca-los reina e a não desaponto. A súplica de um amor seria até pouca se me fizesse pedir. Deliciosamente rígidos sinto seu gosto, seu volume, a maciez. A barriga que suava, doce suor, era minha última fronteira. Arranco-lhe a peça de vestuário mais perseguida por nós, pobres boçais. Não mais me vinham as palavras, a mirava esplendidamente nua. Invado seu espaço mais íntimo. Intimamente suava, não um suor qualquer, suava desejo. Perco a razão, ganho a vida, invado-lhe com ternura. Agora lhe ouço respirar apressada. Sorriso em meio a palavras torpes. Um único sussurro nos faz percorrer a imensa paixão em seu auge. Linda, desejável...Que lhe amo. Para todo o sempre.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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PARA ELA II
Sonhei meu sonho mais lindo
Via você bela sorrindo,
Em seus olhos brilhantes
Tudo o que quisera bem antes.
Perdia a razão e sentidos
Pairava a paixão e gemidos,
Despia-se enfim de seus laços
Reinava perene em meus braços.
Tempo que resta à vida
Caminhe de lento andar
O infinito que vier, é pouco se durar.
Acordado, não parece assim ruim,
Você sempre por perto
E seu coração... junto a mim.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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PARA ELA
Vejo meus olhos brilharem dentro dos seus. Sinto em você uma amistosa declaração de ¿entre em minha vida¿; não recuso tamanha dádiva. Cabelos que escorrem emolduram seu lindo rosto alvo; este; guardião do seu sorriso à toa, da pessoa que ri para os outros, que ri para si, que ri para o mundo. Prendo-me ainda mais sob seus olhar, até resignado fico, afinal as pernas que me envolvem não me permitem desejar algo diferente e estas suas brincadeiras de ¿ser sensual¿ trazem um colorido a um dia tão comum. Seu doce perfume a torna ainda mais sexy, como se mais fosse possível. As mãos que agora seguram as minhas têm a inocência juvenil que se contradiz com as curvas que contornam o universo do seu corpo que numa espiada matreira contemplo e posso vislumbrar pensamentos infames que eu desencorajo, sabe-se lá por quê. Algumas palavras que você profere soam como frases inconseqüentes e me fascina isto tudo, me irrita a seriedade da vida que nos impõem. Que venha a natureza me dizer que estou errado, pois apenas ela me desmentirá; apenas ela criou este fascínio em forma de mulher que hoje faz parte da minha vida.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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SWITZERLAND
Hoje recebi minha primeira visita internacional. Switzerland. Eu me perguntei: Será que o grande amor da minha vida me achou? Se for, caramba; que língua devo aprender? Francês? O que ela estará fazendo agora? Tantas perguntas, tantos momentos perdidos e ela telepaticamente me veio assim::
¿Descendo os Alpes, segurando um balde com chocolates(suíços claro!), desce ela faceira e sorridente. Em seu vestido rodado, meias ¾, laço vermelho na cabeça rompe o orvalho daquela manhã européia. Canta aos passarinhos pela bela aurora. Senta numa pedra especialmente esculpida pela natureza. Daquela singela pasta que se perdia em meio aos doces, a adorável donzela retira um minúsculo notebook. Em meio a suspiros, ela de face ruborizada digita: www.vaodiva.blogger.com.br . Uma página azul se confunde com a cor dos seus olhos. Ela balbucia palavras ao vento. Um rubor ainda maior lhe tinge a face. Desce uma lágrima que lhe acha os lábios rosados e carnudos. Então, num afã(adoro esta palavra) de encontrar seu, enfim, príncipe; digita rota66@ig.com.br e com uma frase diz-me tudo: pena q não entendi nada... não leio aquele diabo de língua.¿
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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PIVETE
O coletivo pára... entra um senhor grisalho, uma senhora gorda e um pivete. Não era um garoto como a maior parte deles, era, pois sim, um pivete.
O mancebo contenta-se com aquele cantinho, resolvendo estacionar ali mesmo no pé da escada. Esbraveja quando a senhora gorda o encosta, sonda todo o veículo, como se estivesse à procura de alguém. Suas roupas de tão sujas parecem pender seus ossos a trinta graus, seus pés descalços esparramam-se pelo chão e sua feição integrasse ao seu ¿harmonioso¿ visual.
O jovem estimula-se. Descurva os joelhos, ameaça uns passos à frente, ensaia uns tropeços ao lado e acaba capengando em direção ao cobrador. Enfia seus magros dedos negros no bolso do ¿jeans¿, arrancando alguns surrados panfletinhos e passa a distribuí-los aos seus espectadores.
¿Sou muito pobre. Não tenho pai, minha mãe é doente. Deus lhe pague¿- imploravam os bilhetes.
Os passageiros olham-se, sussurram frases uns aos outros, arregalam as sobrancelhas, tornam a ler, entretanto o descaso em relação ao apelo é unânime, ninguém se comove com sua triste saga.
O pivete passa, estende a mão, mantendo-a imóvel por segundos. Recolhe seus objetos de publicidade, soca-os no bolso. Sempre olhando fixamente e sem ternura os passageiros. E assim foi.... trocado algum sequer deram-lhe. Nosso desconhecido amigo balbucia meias palavras e finaliza seus murmúrios:
¿-Dipois nóis róba, neguim vem quere metê a gente no xadreis!¿
O coletivo pára...entra uma senhora, um senhor e desce um pivete.... com uma bolsa...desta mesma senhora.
Nota: Crônica vencedora do 3º Concurso Nacional de Crônicas ¿Prêmio Paulo Mendes Campos ¿1988¿
Há quase 15 anos quando escrevi, isto era novidade. Eu ganhei dinheiro e o pivete? Ganhou o quê? Ele existia e hoje ele já é ¿muitos¿. Por esta e por outras é que o nosso humilde Projeto Pão e Chá no centro de São Paulo é uma coisa séria e sei que não vai resolver todos os problemas do mundo... mas me diga, o que você ta fazendo para ajudar o mundo?
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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VIVER ILUSÃO
Quisera viver a minha ilusão. Ao contrário da maioria eu sonho colorido, salivo o gosto, sinto doces temperos e até me ouso a ter prazeres Nos meus sonhos sou mais feliz: Nos meus delírios eu sou o herói, sou preciso nas respostas, sou carismático, sou benevolente, sou ágil e preguiçoso, sou amado; sou, sobretudo, o que queria ser e também sou o que os outros gostariam que eu fosse. Sentimentos antagônicos, mas nos meus devaneios eu mando: Posso voar se quiser, fico invisível quando me interessar, pisco os olhos e estarei noutro lugar, paro de trabalhar se me cansar, durmo mais se acordar, saio com os amigos que quiser, amo as mulheres que desejar. Mas meus sonhos são fiéis: Acredito numa verdade apenas, tenho fé nos meus momentos ateus, respeito suas diferenças, são sempre meus melhores amigos; os amigos, amo com o mais intenso amor uma única mulher. Vivo meu sonho mesmo acordado; pena que o vivo sozinho; ninguém acredita nos meus sonhos.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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A BUSCA
Com quarenta dias sem namorada (se bem que já fazia mesmo uns seis meses); agora aparecem aqueles amigos que dizem: ¿preciso te apresentar uma amiga¿. Quem já não ouviu isto? Quem já não pagou um mico indo a bares horríveis porque a ¿tal¿ estaria lá? Lembro-me de umas cenas impagáveis:
Certa vez atendi ao telefone no escritório para uma colega. Era sua amiga que parecia simpática, então perguntei à minha colega sobre ela. Claro, elogiou ao extremo a amiga. Depois de umas palavras quando a menina ligava; ela disse por fim que viria um dia me ver. No dia seguinte cheguei atrasado e no elevador tinha um cheiro forte de perfume barato. Sabe aquele perfume (¿Toque de Amor-Avon¿) que sua tia mais velha usa? Ou aquela sua vizinha boazinha, mas que quando passa deixo o rastro aromatizado? Desci do elevador praguejando e pior; o cheiro reapareceu na recepção, que por sinal estava cheia. Corri para minha sala. Quando chego me dizem que tinha uma moça me esperando na recepção. Mas já? Ela !!! Vou até a recepção e o cheiro me recebe primeiro e quando pergunto quem era a tal menina...levanta-se uma.... garota que, juro, vestia uma calça bailarina preta, camisa masculina xadrez e sapato preto...e com aquele insuportável perfume. Foi complicado dar os três beijinhos que ela insistiu em me roubar. Não que eu seja superficial, mas a primeira impressão é a que fica.
Outra feita, meu irmão me leva para uma danceteria porque a filha de uma ¿amiga¿ dele estaria só e era uma gatinha. O tonto aqui foi. Nada contra, mas eu não gosto de ¿hip-hop¿; apenas não é minha praia; e; só rolava isto... Ah, a menina. Bem, ela realmente era gatinha, até miava a desgraçada; mas me deixou no meio da danceteria sozinho e sumiu com um negão lá pros fundos.
Outra roubada. Um nosso amigo, me liga para sair com ele, a então namorada a tia dela, que teria mais ou menos nossa idade. Eu tinha marcado um outro encontro que seria mais certeiro, mas pelos amigos... Quem já viu o desenho do Scooby Doo ? Não o filme, o desenho. Pois bem, ela era a Velma, aquela de óculos, sabem? E com o humor do Dr. Smith de ¿Perdidos no Espaço¿. Ela só riu duas vezes: Quando eu contei que o amigo era um mito como surfista (e acreditou) e quando eu disse que ia embora.
Mais uma. Minha vizinha falou que tinha duas irmãs solteiras. Dizia que elas iriam me adorar. Acabei ficando de olho numa das irmãs. A moreninha era linda, embora não achasse que fossem irmãs, pois, que Deus me perdoe, tanto minha vizinha quanto a loirinha aparentavam dor quando riam. Imagine quando choravam. Minha vizinha disse ¿Tudo arranjado¿. Era só ir lá mais tarde. Fiquei criando frases de efeito, revi as piadinhas e tudo para quando visse a moreninha aparecer no portão. E evidentemente me aparece a loira, toda metida, dizendo: ¿Que você quer ?¿ Eu disse: ¿De você eu quero distância¿.
Uma situação complicada foi quando iriam me apresentar uma amiga mestiça. Diziam ser meio oriental e tupiniquim. Fiquei imaginando o filme do Elvis Presley (Feitiço Havaiano) com aquelas meninas lindas, semi-despidas, dançando Hula-Hula. Olha, isto é só filme viu? Enfim, chega a condenada. Na boa, ela era o Pablo Escobar de saia. Para ser honesto, ela tinha um jeito muito dócil de dizer: ¿E aí mano, tudo pela ¿orde¿?¿ Com a ordem de quem ela saiu do inferno?
Não sou machista, nem preconceituoso; é apenas uma questão de gosto pessoal. E outra, falamos mal dos outros porque também falam mal da gente. Quantas meninas esta hora podem estar pensando: ¿Nossa, hoje me apresentaram um cara tão feio. Parecia que quando ele nasceu erraram e criaram a placenta.¿ Podem estar falando de mim...vai saber..
PS: Ainda não desisti, se alguém quiser me apresentar uma amiga, eu tô aqui. Pelo menos pode render mais umas linhas.
PS2 Viu, como sou legal, não citei nenhum nome...mas a língua coçou.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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SÍNDROME DE BONZINHO
Aos regidos pela lua, com ascendente ou signos da água; principalmente pergunto: É reconfortante ser conhecido por ser ¿bonzinho¿? Depende da ótica?
Lembro-me que estava na 4ª série e tinha uma amiga na 6ª série. Eu era respeitado pelos amigos da minha sala, pois eu tinha uma amiga do 2º andar, mas a amiga nunca deixou de ser amiga (eu era muito bonzinho).
Tempos depois eu estava na 8ª série e me encantei por uma menina da 5ª série; ficamos muito amigos, afinal eu era tão bonzinho; seria para sempre um grande amigo.
Entro no 2º grau e acreditem, uma menina do 3º ano fica apaixonada por mim. Seria tudo simples, mas por eu ser muito bonzinho ela achou que poderia me magoar se não desse certo; então nunca sequer nos beijamos, mas durante cinco anos recebia românticos cartões de natal dela.
Passeando pelo meu bairro, vejo uma menina linda entrando numa escola de informática (acho) e alguns dias após a conheço. Não lembro quantas vezes ela me procurou para chorar sobre seus namorados(e eram tantos!), sempre dizia que eu era, ah vocês sabem....e só rolou um beijo no dia em que nós dois bebemos e mostrei que não era tão bonzinho, afinal beijei-a à força, mas ela gostou, pois assim mesmo ficamos amigos ainda.
Outros tempos houve uma garota que de tão apaixonada, se ofereceu aos totais prazeres da carne(e não é de rodízio que estou falando) e eu não aceitei, pois ela queria ter sua avant première comigo que tava enrolado até as tampas com outra garota. Anos depois é óbvio que ela passou a ter-me com a mais alta estima e sou chamado de novo daquilo.
O maior ¿rolo¿ que tive na vida começou porque eu a fiz sorrir quando o noivo a fazia chorar. Depois de tanto tempo descobri que eu era bom para fazê-la ficar bem, mas apenas para rir.
Exemplos não faltariam, mas finalizo relembrando o que ouvi de uma amiga casada por mais de 10 anos a seguinte frase:¿A gente casa com o homem desafiador, de atitudes fortes e cara de mau, mas depois de um tempo a gente sonha com o ¿mocinho¿ que diz a donzela com uma lágrima caindo: Você é a luz dos meus dias¿. Acho que foi uma cantada, mas ela tava tão fragilizada...(bonzinho,bonzinho, burrinho....)
Agora respondam, existe perfil para agradá-las ou ser ¿bonzinho¿é ser ¿burrinho¿mesmo?
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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JULGUEIS PARA SERES JULGADO
Muitas vezes somos adeptos da boa causa, os bons samaritanos e não julgamos os outros. A missão não é tão simples, muito menos piegas. Vivemos num mundo cheio de contrastes. Estamos num constante aprendizado; julgamos sim, temos nossa opinião e que muitas vezes descobrimos que é errada. Complicado não é deixarmos de ser juízes, difícil mesmo é saber olhar nos olhos de quem erroneamente julgamos e implorarmos: ¿Desculpe-me. Eu errei.¿
Julgar é decidir entre duas coisas; a certa e a errada; mas quem garante o certo e errado? Então seria mais fácil não julgar. Então viva assim, me perdoe, mas duvido que consiga! Julgamos todos os dias. Se assim não fosse, seria bem provável que casaríamos com nossa primeira namorada e ficaríamos eternamente felizes, afinal o julgamento inicial de quando estávamos encantados por ela é que a namorada seria ¿perfeita¿, então, julgamos errado.(?!)
Podemos julgar sempre, mas não podemos ser maledicentes. Há um universo todo entre termos opinião e sermos agourentos!
Permita que eu julgue a todos, que eu tenha minha opinião sobre todas e quaisquer coisas. Deixe-me errar para eu poder pedir desculpas. Deixe os seus também errarem. Permita que as pessoas cresçam com seus julgamentos e ainda que façam outras crescerem, pois nem sempre os julgamentos são infundados.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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IMPOSTO DO(DE) LIXO
Novidade!!! Como se não bastasse o IPTU, ISS, ITVI, IVV, IPVA, IRPF, ICMS, CPMF, IPI e tantos outros; agora está sendo discutido na câmara dos vereadores, em comunhão com a Prefeitura de São Paulo; a criação dos Imposto do lixo; apenas mais ¿unzinho¿. Além do que chamam de ¿correção¿ monetária do valor do IPTU será acrescido num carnê à parte o imposto do lixo produzido pelos moradores. É verdade. Você irá pagar pela quantidade de lixo que produzir; se produzir mais lixo; mais será cobrado. O que mais me intriga é como será fiscalizada a quantidade que você gerou de lixo. Dizem que o lixo será pesado e em cima deste peso pagaremos. O dono da farmácia onde moro ouviu dizer que a balança dele será confiscada pelos lixeiros todo dia de coleta. O açougueiro falou que por ele tudo bem, mas ele fecha às 18 horas. Há um terreno baldio perto de casa que já tem até ¿flanelinha¿ de lixo:¿E aí? Dá R$5,00 que seu lixo fica certinho na parada¿. Ouve-se por aí que fiscais, do tipo ¿Homens de Preto¿, irão entrar pela sua casa à procura de contrabando de lixo. Vasculharão as dependências do seu lar atrás de dejetos escondidos. Caso encontrem algo você será levado às masmorras do aterro sanitário e lá perecerá junto aos urubus e assemelhados. Sabe-se ainda que se cadastrando nas empresas de reciclagem de lixo você obterá desconto na sua taxa mensal; porém você é que corra atrás das empresas e ainda caso more na periferia quero ver você conseguir levar seu lixo à estas empresas. Outra coisa que me ¿fascina¿ é como cobrarão de alguns camelôs que emporcalham a cidade, bobeira minha claro; não é só porque sequer nossas autoridades conseguem regulariza-los que não irão cobrar deles; desculpem, sou inocente demais. Aos partidários de plantão peço perdão, mas como sou supra-partidário e assim posso me expressar livremente, achando que quem se diz governo dos trabalhadores, deveria zelar por eles também. Mais impostos não dá!
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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HOJE VAI TER PARQUINHO?
Quando o objetivo é zombar de alguém, sempre aparece um oportunista, mas o impressionante é como a vida torna-se uma roda gigante:
Roda pra baixo: Hoje após a derrota do Palmeiras resolvi sair com uma camiseta verde-branca, aceitando o convite do meu amigo...mesmo triste (pero no mucho!) saí.
Roda pra cima: Gera, aquele camarada, aparece e diz que o futebol não é tudo na vida(eu sei existe peteca, bumerangue, par ou ímpar) e me leva para ¿encher a cara¿. Na boa, nunca vi corinthiano tão legal..ou será sãopaulino? O Marcio também, outro amigo, se revela palmeirense na saída do bar, idolatrando as verdes cores do meu clube.
Roda pra baixo: Parecia estranho, mas fora meus grandes amigos, via pessoas me olhando numa mistura de compaixão e deboche. Eu adoro festa, tanto faz se chove pra cima ou chove pra baixo; o que importa é que tô lá.
Roda pra cima: No bar ouvi (notem: eu ouvi! Sacaram?) a mulher dizer ao marido: ¿Hoje não tem ¿parquinho¿. O Playcenter fecha a esta hora da noite!¿ O marido disfarça tentando convencer aos ouvintes que era apenas do parque mesmo que falavam e não da ¿diversão¿.
Roda pra baixo: A mulher diz que fulano estar com cicrana é castigo porque ele não arrumaria coisa melhor. Peraí, e eu que tô sozinho? Sou o pior dos piores? Basta meu time!
Roda pra cima: Pude afogar minhas mágoas porque não estava dirigindo. Na carona de volta percebia que certas curvas eu faria igual ou pior que o motorista. Nossa, não sei se faria tão tortas! Op¿s ele bebeu!
Moral da história, minha vida chegou a um ponto que começo a achar que o fundo do poço tem porão, mas espero que tenha uma galera legal morando lá também.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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MEU NOME É ENÉAS!
Ora vejam, muitos amigos cansados da mesmice de votar em candidatos sem credibilidade, elegram um novo modelo de candidato e acreditaram num jargão: "Meu nome é Enéas!". Acreditaram, sobretudo na postura séria do homem de barbas negras que trazia sobriedade e choque com suas palavras rudes. Enéas trouxe consigo sua candidata a deputada federal: "Meu nome é Havanir". A vereadora da câmara municipal de São Paulo, (que deveria cumprir todo seu mandato e não sair agora na metade; bem como muitos outros do PT), pois bem, ela "honestamente" pegou uma carona no trio-eleitoral de Enéas que pelo Brasil afora fez seu carnaval. Até aí a legislação erroneamente permite. A lei concede ao partido eleger seus candidatos alheios à vontade do povo, pois as legendas com mais votos apurados terão um percentual maior de eleitos, mesmo que os candidatos individualmente não conseguiam. Mas lei é lei, cumpra-se. Agora, não dá para ficar quieto ouvindo as declarações gravadas (analisadas pela UNICAMP) da Havanir solicitando uma "modesta contribuição" a um empresario que pleiteava uma vaga como candidato a deputado pelo PRONA. Fora cobrado míseros 5(cinco) mil reais à princípio ao candidato à candidato. Tanto pior é ouvir no SPTV - 1ª Edição de uma pessoas supostamente "doutor" em legislação eleitoral que pedir este tipo de "contribuição" não se configura crime eleitoral. Que fosse apenas imoral, o PRONA não cita em suas contas que recebera qualquer doação para campanha, então como e para quê este dinheiro entrou? Não me interessa discutir se é crime ou não, mas é bom ficarmos de olho; os novos eleitos nem tomaram posse e já aparecem coisas que levantam suspeitas. É, e eu que fico sem graça de furar fila no cinema quando encontro algum amigo, até me sinto melhor hoje... e pior também.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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CIUMENTA
Todos somos um pouco ciumentos. Às vezes de coisas ou de gente. Tenho ciúmes básicos: namorada(?), carro, violão, cachorro; mas nada doentio, apenas o normal. Evidentemente já tive uma ¿namorada¿ que era uma figura, vejamos:
1) - O que você ta lendo? ¿ Pergunta-me ela na recepção do consultório do dentista.
- Estou lendo uma ¿Elle¿. ¿ Respondo, olhando para outros pacientes que me xeretavam já.
- Deixa ver. Ah, sei, com este monte de mulher pelada! ¿ Fala ela, alto. Alto mesmo!
- Que mulher pelada? É anúncio de meia-calça. Só isto.
- Eu sei pode pegar esta ¿Quatro Rodas¿ antes que eu fique brava com você.
2) ¿ Você pode ir com um amigo, eu não posso ir ¿ Quando a chamo para ir num ¿happy hour¿
- Tudo bem. Vou ver se alguém me encontra no shopping então. ¿ Após insistir para ela ir.
- Espera. Você não pode chamar a Flávia, ela não!
- Por que não. Você diz que gosta tanto dela. É (era) minha melhor amiga
- Ela é muito bonita, não ficará bem pra mim se algum amigo meu te ver com ela. E este papo de melhor amiga eu já sei. Eu brigo com você um dia, você fica triste, encontra com ela e depois você me liga ¿desculpa, eu tava carente e rolou com ela¿. Você não vai mais sozinho. Eu vou.
3) ¿ Está assistindo ¿9 Semanas e ½¿? ¿ Pergunta-me ao telefone.
- Tô
- Você não tem vergonha? Ficar vendo mulher pelada na tv e falar comigo ao mesmo tempo. É desrespeito.
- Só ta ligada. Nem tô vendo. Só presto atenção no que você fala.
- Eu te conheço. Desliga.
- Pornto, desliguei. Satisfeita?
- Não. Você só abaixou o som, não sou trouxa.
- Claro que desliquei. ¿ Falo quase rindo já.
- Aumente o volume. Quero ouvir! Coloque em no ¿Cartoon¿. Quero ouvir o tv enquanto nós conversamos. Quero ouvir em que canal vai ficar.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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N¿OUTRO VELÓRIO
Desta vez ia apenas acompanhar dois colegas ao velório. O finado era alguém ligado a um cliente nosso. Um dos colegas sequer conhecia algum parente, mas relutava em ir alegando que era sempre bom ter gente em velórios; o morto pode ficar chateado se não for ninguém. Chegando no Araçá pedi a eles que se adiantassem enquanto eu estacionava meu opala (era ridículo eu com este carro enorme!). Os dois foram tomar um ¿rabo de galo¿ antes de enfrentar a triste tarefa. O que menos conhecia o morto não bebeu... entornou a garrafa de Cinzano(urgh!). Os dois entraram na ¿sala¿ 01 e lá estava o corpo inerte do falecido. O mais bêbado viu a viúva de preto(estar de preto ao lado do caixão e chorando, para ele era viúva) e abraçou-a, chorando muito. Dizia ele:
- Era meu grande amigo. Perdi um companheiro de longa data. - O menos bêbado só tirou o boné e abaixou os olhos que lacrimejavam.
A, então, viúva olhava desconcertada, não sabia que o morto era tão amado. Todos na saleta seguravam aquele choro doído.Bom, aí eu cheguei e claro, sou uma pessoa ponderada, sensata....E da porta educadamente eu grito:
- Pó, tô procurando vocês a um tempão. O que vocês estão fazendo aqui? O velório é no final do corredor
O mais bêbado que estava debruçado sobre o ataúde, enxuga as lágrimas e empurrando o outro imbecil, sabiamente proclama:
- Gente foi mal, errei de morto.
Notas: Adaptei alguns fatos pelo óbvio motivo.
Íamos ao velório da mãe de um colega.
Este colega nunca soube que estivemos neste funeral e ele conta puto da vida que ouviu esta história naquele dia
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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DEU PAU?
Muitos de nós utilizamos nossos pc¿s com muita naturalidade. Sequer imaginamos que a grande maioria das pessoas não tem acesso a eles e outros cometem erros até infantis. Sem citar nomes e lugares, como sempre, acreditem no que acontece no suporte técnico de determinados locais:
1)-Preciso atualizar a hora do relógio do micro por causa do horário de verão.
-Você está no ambiente do DOS, né? Então digite ¿time¿e tecle ¿enter¿.
-Como??? Não entendi.
-Faça assim, digite T de tatu, I de igreja, M de macaco e E de elefante; agora pressione ¿enter¿. Deu certo? Não? O que apareceu escrito na tela?
-Apareceu escrito ¿comando ou nome do arquivo inválido¿.
-Soletre para mim o que você digitou.
-Digitei T-A-T-U-I-G-R-E-J-A-M-A-C-A-C-O-E-L-E-F-A-N-T-E...
2)-Acho que o micro queimou, ele não liga, o que eu faço?
-Faça o seguinte olhe atrás da CPU para ver se os cabos estão conectados.
-Você espera?
-Fale comigo ao telefone o que você vê.
-Não dá.
-Por que não?
-O telefone que estou usando não chega até lá.
-Use o telefone do fax!
-Não dá, acabou a eletricidade.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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CASÓRIOS E VELÓRIOS
Sou uma pessoa que se abala por coisas muito sutis, mas quando o assunto é algo de maior impacto que requeiram uma estabilidade emocional em prol de outros; eu me mantenho firme. Por conta disto em casamentos e sepultamentos eu dou muita risada; chega a ponto de não permitirem que eu vá a determinados ¿eventos¿. Vejamos porque fazem isto comigo:
· A cerimônia de casamento era looooonga demais...de repente tive a nítida sensação que a música sacra que vinha do órgão tinha os mesmo acordes desta: ¿Eu não gosto de padre, eu não gosto de madre, eu na gosto de frei¿..só não podia cantar junto. Foi mal. Até hoje não sei porque meu carro não ligou depois da cerimônia, fui embora guinchado.
· Tristeza em família. Um parente, que era uma comédia, faleceu. Já no funeral pedem para que eu ligue para o filho do falecido, pois era chegada a hora. Deram-me o número do celular do falecido(seu celular estava com o filho). Mantive uma distância do ataúde, mas podia ver o querido amigo descansar. No que eu ligo ouço a voz do falecido vir da caixa postal: ¿No momento não posso atender, deixe seu recado que eu ligo depois¿. Claro que eu gritei: ¿Você ta louco!¿. Até parece que quero um defunto me ligando. Tive que contar a todos e notei que, juro, o amigo deitado em seu último leito sorria.
· Estava buscando uma ex-namorada para ir ao casamento de uma amiga do trabalho. Ela me aparece muito bonita e fomos. Na minha ¿santíssima inocência¿ não notei que a blusa que ela usava era totalmente aberta atrás e para completar estava de mini-saia. Durante a cerimônia o padre fazia apologia aos bons costumes e olhava para nós que estávamos bem na frente e eu nem me tocava. Até o momento em que comecei a alisar suas costas e vi que metade da igreja nem olhava para a noiva. Ah, eu ria e quando notei provocava mais.
· Caminhávamos todos tristes em direção à sepultura. Meu amigo diz que ria em ocasiões indevidas no exato instante que passávamos ao lado de uma cova aberta e eu desacredito no que vejo: Um banco de jardim de fronte a um sepulcro vazio e uma marmita esquentando. Não preciso dizer que pensei que era ¿A Volta dos Mortos Vivos¿ e nós desesperadamente nos separamos em V..A gente escondia o sorriso ao lado da tristeza dos outros.
· Cheguei sério num casamento e minha irmã me empurra. Eu pus os pés na igreja e sou tratado assim. Agora, olhar pro altar e ver que a calça do noivo está uma perna maior que a outra é foda. Tenho que falar.
· Casamento do Rogério. Passei a cerimônia toda, no altar, segurando um vaso que a Elisa insistia em querer derrubar com as costas. Tornou-se hilário ver as pessoas sentadas me pedindo para cuidar do vaso, quase imploravam. Eu já cheguei atrasado, 15 minutos, sendo padrinho; agora ela como madrinha, não podia chegar mais atrasada que eu: 65 minutos. Sacanagem....
Por estas e por outras é que digo: me convidem para eventos, mas esperem o inesperado, comigo tudo acontece; às vezes ainda bem que acontecem.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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CASO BROOKLIN
A filha alega que ajudou a matar os próprios pais por amor... ao namorado. Ora, não banalizem a palavra, o sentimento. Parece que alegando passionalidade está você ¿apto¿ a errar. Nenhum amor pode ser maior que o seu por si mesmo. Seus atos de amor ¿infame¿ voltam em castigo para você. Tudo bem que a paixão às vezes nos cega, acabamos tomando atitudes que em sã consciência não faríamos, mas há limites. Você pára e pensa: ¿Se alguém fizesse comigo isto, o que eu sentiria?¿. Parece banal, piegas; agora com que frases vocês educariam seus filhos? ¿Vá lá, parte a cara dele!¿
Intriga saber que a mãe da fulana do Brooklin era psiquiatra. Claro que fazer o dever de casa é sempre mais complicado. Analisar a vida dos outros, como todos nós que adoramos aquela ¿verdade¿ apimentada, é super simples, porém quando o problema é nosso; bom, aí sim, ele toma tamanhos descomunais. A mãe, coitada, sabia que a filha estava enveredando por caminhos tortuosos e talvez a induziu abrir os olhos e fora mortalmente traída.
Em nome de ¿causas¿ nobres, como amor e patriotismo canso de ouvir coisas do gênero: ¿Que caiam as torres do World Trade Center, os americanos são maus¿. Peraí, primeiro que americano eu sou, não me retirem este privilégio e outra, se querem detonar os EUA, antes amem meu país e nem todos norte-americanos (agora sim!) seriam do mal. Ainda me incomoda: ¿O homem-bomba não morreu em vão, morreu por Deus¿. Se Deus é nosso pai, pô que criador é este que cuida dos seus assim? E com os inimigos, faria ele o quê?
Para me deixar mais indignado é saber que em pouco tempo estes bandidos, assim devem ser chamados, estarão soltos e as vítimas destes algozes, coitadas, estarão presas em seu túmulo.
Por favor, não usem o amor em vão; digam que ame a quem você realmente ama. Usem de compaixão e resignação com aqueles que lhes inspiram sentimentos contrários. Tudo que alimenta o mal, mesmo por ¿amor¿ instaura uma aura negra em você que muitas vezes é indelével e invisível.
Ps: Mulheres do Brooklin não sabem amar?
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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AVISO ?
¿- Passa a ¿fita¿, passa a ¿fita¿¿. Sexta-feira, 21:30 horas, chove e enquanto muitos saem para a balada; estamos fazendo um ¿tour¿ pelo centro de SP. Vidros abertos, prancheta em mãos, olhos atentos para nossa missão: localizar pessoas que necessitassem da pequena ajuda que um grupo de amigos ousa oferecer. Imensas avenidas visitamos e de coração apertado avistamos um aglomerado de pessoas que infelizmente ainda não podemos ajudar; nós faltaria estrutura. A busca continua. Em meio à chuvinha que cai observamos que as pessoas, nosso alvo, se escondem; tentam se alojar sob marquises, toldos; mas todos muito dispersos uns dos outros; eram ruas e mais ruas onde localizávamos uma ou duas pessoas nestas condições. Uma mistura de sensações faz com que fiquemos mudos; por um lado queríamos achar gente; outro dava graças de não haver. Era uma sensação estranha, confesso. Chegamos à Praça João Mendes; local que sempre passamos e amistosamente podemos dar o mínimo de amor à nossa forma para àqueles que, talvez, nunca tiveram isto. Paramos no semáforo, um Renault para a nossa frente. A minha esquerda majestosamente estava a Catedral da Sé e também lá do outro lado da calçada um menino de uns 10 anos. Estávamos a uns cinco metros de distância, mas nos olhávamos enquanto caminha em nossa direção. Com o coração envolvido pelo objetivo do trabalho, acolho a presença do menino que imaginei, pretensiosamente, pudesse nos ter reconhecido (exagero) ou apenas mais um dos tantos que iria pedir um ¿trocado¿. Quando pergunto o que ele queria; então diz: ¿- Passa a grana!¿ Não podia ser verdade, eu não poderia ser assaltado, eu não estou fazendo mal a ninguém, santa estupidez diria o Robin. Olho para o garoto e pergunto por que deveria dar meu dinheiro, enquanto procuro uma brecha para desviar do carro da frente; ele então de olhos vermelhos diz umas coisas que não entendo. Do lado do passageiro outro menino ainda mais novo diz que queria ¿a fita¿. Engato o carro e ainda vejo que mais um garoto está atrás. Um quarto menino chega do meu lado, também devia ter 10 anos e saca de uma faca, ironicamente uma faca de pão, e coloca na direção do meu pescoço. Gritam pelo ¿som¿ e por grana. Retiro o painel frontal do CD e entrego na mão que segurava a faca; foi o suficiente para arrancar com o carro no farol que se abria. Pouco a frente descemos. Não queria que as coisas ficassem assim; eram crianças e por que estavam agindo assim tão perto de guaritas da polícia. Não os achamos, nem com a ajuda do policial que sem saber o motivo da nossa visita ao centro, nos conta que algumas pessoas foram assaltadas ali quando levavam alimento para os garotos. O policial ainda diz que há ¿proteção¿ de uns e outros aos meninos e que ele se sentia impotente de agir. Conta-nos isto enquanto retira de um garoto um saco de cola, manda-o embora e queima o saquinho.
Não sei direito qual a moral da história. Talvez seja um daqueles famosos avisos dos céus para tomarmos mais cuidado, pois eu sou um dos que mais pensa na segurança das pessoas quando caminhamos pelo centro e fui o ¿avisado¿. Agora também ficou ecoando as palavras do PM que triste reclamava da impunidade aos delinqüentes juvenis. Eu nem me dei por conta do que roubaram, nem daquela faca no pescoço; me senti sim foi muito imponente e traído pelo destino; não me perguntem o que penso sobre tudo, não tenho vontade hoje de ser filantrópico, muito menos ser compreensivo, tenho vontade de ficar triste.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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AOS AFILHADOS
Um ano atrás: ¿Serás padrinho¿. Soou como um pedido, mas que ousadia! Eles que me dão este presente. Quem vive as emoções dos padrinhos em um casamento? Todas atenções aos noivos; talvez fosse proposital, somos dos espectadores alguns dos mais próximos e mais fiéis. Fiéis ao casamento. Sequer lembro da roupa da namorada que levei, nem sei quantas vezes acordei na véspera.
Ela, a noiva, que outrora atropelou o pipoqueiro e chamava o noivo de bonitão. Ele, o noivo, que brigou com a irmã pelas bolachas que servia ao namorado e separava as meias da gaveta pelas cores. Ora, um casal tão singular tinha que ser obrigado a casar. A força!
A Fá sempre mais emotiva anseia pelo casamento. Planeja-o em seus mínimos detalhes. Cansa de ouvir opiniões, discute com o noivo, se estressa com erros, encanta-se com o vestido, cansa de procurar seu novo lar, encontra-o enfim e sempre é dela a maior ¿viagem¿. O Gera mais comedido refaz planos, reescreve desejos passados, irrita-se com buscas, felicita-se com achados e ¿viaja¿ com os deleites da noiva.
A cerimônia. Não dá para ver apenas o óbvio: Sorriso da noiva e cara de tonto do noivo. Via ainda mais: O pai que chorava escondido, uma madrinha que treme, um padrinho que engole uma lágrima, uma platéia (era um show!) a sussurrar, outros tantos de olhar assustado porque um vaso poderia cair, a ¿babá¿ da noiva que tropeça e não cai (droga!).
Um ano, apenas o primeiro. Só queria viver o bastante para sempre lembrar que este dia especial existiu e eu ganhei o presente de ter visto que não foi apenas aquele dia, tem sido assim.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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A GAROTA DA PAPELARIA
Finalmente criei coragem ¿ após intermináveis dias decidi ia à papelaria ¿ Eu tinha a necessidade em poder apreciar de pertinho o rosto daquela garota loirinha que trabalhava lá; enfim era chegado dia: O relógio dispara (meu coração também), é dado o momento de preparar-me. Ponho a roupa mais discreta e sensual (Forcei, eu sei!), banho-me do mais afrodisíaco perfume (Tá pior ainda!), arrumo os cabelos meio de qualquer jeito ( Para dar um ¿arzinho¿ de rebelde, tsc,tsc...) e vou....PAPELARIA INTERLAGOS... Entro para tirar algumas cópias. A minha, então musa, me atende; oferecendo-se para o ¿servicinho¿ (só de ¿xerox¿). Para minha surpresa era impossível ver seu rosto, pois eu fiquei envergonhado acho e sequer levantava os olhos. De tão nervoso eu batia com os dedos no balcão e cantava baixinho a vinheta que vinha do rádio ( Oiteeeeenta e nove ! A rádio Rock!). Os minutos passam as cópias vão acabando, assim encurralado, num lance de extrema coragem aproveito sua distração momentânea, ergo meus olhos e a vejo maravilhosamente...de costas... que cabelo enorme ! Alguém grita: ¿- Chris!¿. Ela vira... Desesperadamente tento disfarçar que não estava olhando a etiqueta Khelf da sua calça Jeans Stone Washed, com detalhes nos bolsos e nas costuras, com pequenas manchas de ferrugem nas laterais e com a barra dobrada; eu nem vi direito, juro!. Meio sem graça, dei um sorriso, paguei o que devia e disse:¿Tchau¿.
Dias depois... Resolvi voltar à papelaria. Desta vez minha presença teria que lhe agradar, nem que eu precisasse colar o adesivo da 89 FM na testa para ela me olhar com carinho...Mas por via das dúvidas não iria entrar, somente passaria em frente à loja, olharia e a encantaria. Fiz! Caminho em direção da lojinha, mantendo os olhos fixos na porta de entrada. As pernas vacilam, porém permanecem na mesma caminhada. Em frente à porta paro e envio aquele olhar fulminante e irresistível...que não atinge ninguém....não havia uma só alma lá dentro. ¿¿Pois não ?¿ Diz uma doce voz atrás de mim e quando me viro: Ela!...Lindo rostinho adolescente...E agora? Tenho três segundos para morrer! Mas que nada, dou-lhe uma ¿senhora cantada¿: ¿Oh..oi! você tem se...lo?¿ Ela diz que acabou e eu quase dizendo que ela acabara comigo, agradeço, viro-me e....tchau....
Uma semana depois....Elaborei um plano para poder revê-la: Eu iria tirar cópias de alguns textos e um destes não teria título; então com a maior inocência do mundo perguntaria seu nome (Chris), pensaria um pouco, coçaria a cabeça e escreveria o título do conto ¿ Chris, Apogeu e Destruição ¿ Sendo ela uma bela mulher e como tal curiosíssima, me perguntaria o que era aquilo (Seria a minha ¿deixa¿). Eu contaria a mais triste história de amor vivenciada por um rapaz muito especial (¿euzinho¿) e no final do meu dramático ¿discurso¿ ela deixaria cair uma lágrima, apertaria minhas mãos suadas colocando nelas um papel com seu ¿telefone¿. Extremamente simples e perfeito. Então nervoso entro na papelaria. Fico repetindo em pensamento o roteiro da minha abordagem. Interrompendo meus ensaios ela (Linda!) me pergunta se vinha tirar cópias. Sinto-me o máximo, afinal reparou em mim (pelo menos nos papéis que carregava, já era um começo). Digo precisar de cinco cópias (iniciando o roteiro) e esta garota desalmada, parecendo não ter decorado seu ¿papel¿ disse: ¿Lamento, mas a copiadora quebrou¿. Que desastre! Tudo fora em vão. Juntei meus papéis, minha cara quebrada e fui embora....
Muitos outros dias depois... Pensei em mudar de estratégia. Sonhando que a garota teria notado minha existência, eu seria agora uma pessoa firme decidida. Passaria bem rente a entrada da papelaria e diria :¿Oi, tudo bem?¿ Estas coisas que vocês fazem e ouvem para um bom começo de conversa. Fui. Aproximo-me da loja. Vejo que ela está sentada à porta, passo...ela não olha.....cinco minutos depois eu volto e passo ...ela não olha..meia hora depois eu retorno e passo... ela não olha...horas depois eu regresso, passo....e num último recurso de esperança eu grito para dentro de mim mesmo: ¿Oi¿....ela nem olha...cansei...
Ainda mais alguns dias depois...Tomei, enfim, a mais acertada e lógica decisão, pois através desta teria dois caminhos a seguir:
1º) Desistir da garota que apresentava defeitos seríssimos que embriagado pela paixão, antes eu não notara: Ela é canhota (que absurdo), nunca usa batom (inaceitável), tem três centímetros de altura a mais que ¿eu¿ (imperdoável), tem a sobrancelha mais escura que os cabelos (muito mau gosto) e sobretudo não dá ¿bola¿ pra mim (é um desaforo).
2º) Ir à papelaria e pedir para a Chris tirar uma cópia desta crônica, dar a ela e seja o que Deus e ela quiserem....
Ps1: Caso opte pelo 2º caminho, aguardem: A garota da Papearia Parte II ¿ A Missão
Ps2: Nunca teve parte 2.
Primavera de algum ano
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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A Barata
- O que foi aquilo que passou atrás da tv ?
- Sei lá... parece um reflexo.
- Reflexo do quê ? E reflexo anda ?
- Anda... é reflexo de...reflexo de uma sombra, isto, reflexo de uma sombra.
- O que é isto !?! Desde quando sombra tem reflexo ?
- Desde agora ! Ta curiosa, vai lá ver !
- Eu vou... mas sabe, ¿cê não quer ir comigo olhar ?
- Olhe, por você e pelo Palestra sou capaz de tudo ... menos agora...
- Tá com medo né? Que coisinha feia ?
- Medo !?? Eu apenas estou...com vontade...de não levantar, é só.
- Sei... eu vou sozinha ver o que é e não volto mais, tá ?
- Poxa, tá meio friozinho... você vai ficar doente, não vai não.
- Está quase 30 graus e você diz que tá friozinho?
- É inverno; não interessa a temperatura...onde fica o fator psicológico ?? Inverno é inverno e pronto!
- Psicológico é o medo que está sentindo.
- Quem tem medo ? Ta bom, você ganhou, vamos ver o que é....
- Sabe... pensando bem...até que ta meio friozinho mesmo....vamos ficar aqui, afinal o sofá tá quentinho, o filme é bom....
- Ahá....perdeu sua coragem ? Vamos lá logo ver o que está balançando a cortina.
- Não é isto, é que compete aos homens estes atos ¿heróicos¿.
- Claro, concordo...e para provar que sou contra este domínio machista, concedo a você a glória e a fama; vá e prove também de que vocês, mulheres, são capazes.
- Mas...eu sempre acreditei que os homens fossem mesmo superiores... fique a vontade, exerça seu domínio.
- Tá bom..sendo eu, o ser supremo determino que esqueçamos desta baboseira e voltemos a ver o filme, certo ?
- Tudo bem...este filme é engraçado e daqui a pouco esquecemos disto...
- Claro, mesmo porque nem é nada.
- É....
- Pena que o filme já está acabando... e terei que ir embora mesmo...
- Nada disto ! Você não vai embora, você vai ficar aqui mesmo, nem adianta !
- Não posso... além do mais não há ninguém na sua casa, pode ¿pegar¿ mal ...
- Imagine...estou desprotegida, preciso de um herói, quando todos souberem ficaram orgulhosos de você.
- Sei...sei... é melhor irmos ver logo o que é aquilo, tá ?
- Que jeito, né?
- Então vem..aqui...isto..agora puxe a cortina.
- Puxa você, vai...eu enxergo melhor.
- Eu ? bom, então eu puxo a cortina e balanço.
- Não ! Eu puxo.
- Vai então..devagar...Pára !!!!!
- O que foi ????
- Ë que uma barata correu para trás da banqueta.
- Barata ??? Ai meu Deus, socorro !
- Fica quieta. É uma baratinhazinha, bem ¿inha¿ mesmo.
- De que tamanho ?
- Pequenina assim, como um maço de cigarros.
- Desde quando isto é pequeno ?
- Se você comparar com um elefante, ela parece insignificante. Bom, e agora que a gente viu que se trata de uma doce e inofensiva baratinha, eu vou nessa.
- Que vai nada... pode tratar de matar este bicho nojento !
- O que ? Em pleno século XX, com toda esta onda ecológica, efeito estufa, desmatamento, biodiversidade, poluição, desemprego, inflação, corrupção, extinção e um monte de outros ¿ãos¿, você me propõe esta atrocidade...decepcionante....
- É...para mim é novidade saber que as baratas estão em extinção...
- Pois é, ainda não estão... mas graças à pessoas conscientizadas como eu !
- Tudo bem...só acho que você terá pedir para sua amiguinha ¿ecológica¿ te esquentar...não tá friozinho ?
- Hummmm, ta bom....deixa ver..como cometerei este ¿homicídio¿....op¿s...
- Viu ?? ela entrou lá no seu tênis. E agora ?
- Passa !! Sai Totó !!!!
- É melhor você ir lá tombar o tênis.
- Você não acha que uma ratoeira seria melhor ?? Você não tem uma ?
- Ratoeira ? Você quer pegar uma barata com uma ratoeira?? Que vergonha !
- Verdade...tô envergonhado, pode ir matar o bichinho.
- Eu não... eu tenho alergia a baratas, aliás, a qualquer inseto.
- Nossa, por isto nos damos tão bom !
- Você também tem alergia ?
- Não é medo mesmo.
- Bem, vencemos nosso orgulho, mas quem vencerá a barata?
- Bom, faça assim: pegue uma vassoura....esta serve....agora você vira o sapato e bate nela com força, isto é mmmuito importante ! Só espere eu subir no sofá para que possa ver melhor e te guiar caso ela fuja.
- Volte aqui ! Não acha que por você ser mais forte, esperto, rápido, ágil, corajoso; não deveria ficar com a vassoura?
- Não ! Tá bom, tá bom....eu pego este rodo..você vira e eu bato....seja o que Deus quiser...
- Vou virar....olha...agora, vai ! Ela correu...
- Tô batendo...toma sua peste... toma...opa, era brincadeirinha...sai..ela voa...ta vindo atrás da gente.....
- Entra no banheiro...corre...Ufa, conseguimos..... e agora ?
- Não sei... você não teria um revólver dando bobeira em casa ? Uma bombinha já servia...
- Tem nada.. deixa ver para onde ela foi ...Hummm, está no corredor do meu quarto...
- E o meu tênis, está livre ?
- Ela está bem longe dele.
- Ótimo, está resolvido, vamos pegar meu tênis... eu atiro um nela e você o outro, falô ?
- Lógico , você sai primeiro ?
- Eu ? bom, vamos os dois...vem..psiu !
- Vamos devagarzinho, sem barulho, eu sei... toma, pegue este que fico com aquele... a gente precisa chegar perto ?
- Mesmo que precisasse a gente não chegaria.. vamos tacar daqui mesmo... só deixa a porta do banheiro aberta, nunca se sabe ....
- Então tá ... um, dóis, três e jááá !
- Erramos....corre que ela vem voando aí !!! Entra logo !!
- Êta bichinho infeliz ! será que ela não tem compromisso ? Diz as horas pra ela.
- Nem adianta, pelo menos aqui estamos salvos...
- Será mesmo ? Vi na TV que muitas baratas vêm dos ralos dos banheiros e que nunca há uma barata apenas..é uma comunidade.....
- Isto não pode ser sério...
- É sério sim, além disto depois de saírem das tocas para se alimentarem, retornam ao seu mundo, seu ralo....e a fresta da porta é bem grandinha.
- Ai meu Deus, socorro ! Onde será que Ele está que não cuida das mazelas que afligem seus filhos ?
- Olha, só tem uma saída: Chamar a polícia !
- Tarde demais, ela voou para cima do telefone...
- E agora ? Estamos atirados à sorte do acaso... vamos rezar e esperar por um milagre, que ela vá embora por outro lugar... a não ser que... não...
- O que ??
- A não ser que fôssemos para minha casa.
- Claro, por que não pensamos nisto antes ? Olha, só você para raciocinar nestes momentos difíceis.
- Não mereço tanto..pelo menos ainda. Vamos fazer o seguinte: a gente corre até a porta, enquanto eu destravo, você puxa a chave e pronto, saímos !
- Então tá... Vamos ....Corra !
- Abra... vai !!! Isto...Não olha para trás....
- Ufa..conseguimos....
- Não falei que ia ser moleza ?? Quem esta baratinha pensa que é ??? Nós que mandamos aqui !
- Isto mesmo, somos ou não somos superiores ? Mas...você não está com frio nos seus pés ??
- Nem... eu tava ¿numas¿ de andar descalço, sem aquele tênis apertando meus pés, além do mais não gostava mesmo do modelo, deixa que ela o use.
- Eu já tinha notado que eles não combinavam com sua personalidade agressiva, forte e decidida.
- Ta vendo, como esta barata tem mau gosto ??
Um dia qualquer de 1993
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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RESPEITEM AS DIFERENÇAS
Passadas as eleições sinto que agora me entenderão sem passionalidade alguma. Por que nós não respeitamos as diferenças entre as pessoas? Ora, somos extremamente liberais quando nos convém, pois quando isto implica em uma perda pessoal, aí passamos a ser ditadores da nossa vontade. Existe uma solução ¿simples¿ e chata para acabarmos com as diferenças, vejam:
· Uma ideologia política ¿ Acabará com a velha discussão de sermos esquerda, direita, centro, centro-esquerda. Em conseqüência não teríamos a troca de idéias ou ideais.
· Um partido político - Sem disputas partidárias ou ideológicas, não existirá mais eleições. Sem elas pra quê Presidente? Prefeito? Viveremos uma anarquia.(zona mesmo!)
· Todas as bandeiras serão brancas ¿ Chega de bandeiras coloridas. Nada do vermelho ou do verde-amarelo.
· Sem fronteiras ¿ Se não teremos bandeiras, não teremos fronteiras. Seremos um todo, não mais teremos as brigas entre; espanhóis e catalães; ingleses e irlandeses...porém não mais teremos as gozação entre argentinos e brasileiros; cariocas e paulistas.
· Um clube de futebol - Não haverá mais brigas de torcida, mas também não haverá mais partidas de futebol, pois não dá para jogarmos contra nós mesmos.
· As crenças serão uma única ¿ Só haverá uma religião e também o comodismo de abaixar a cabeça aos desígnios de Deus, pois se sequer questionarmos nossa fé ou fraqueza dificilmente evoluímos.
· Todos serão morenos ¿ O ser humano terá uma pele de mesma cor, morena. Nunca mais poderíamos desejar aquela loira linda ou a mulata sensual.
· Assexuados ¿ Não mais haverá implicância entre hetero ou homossexuais. Por outro lado sumirá a libido pela bela pessoa que amamos.
Nos últimos meses ouvi de futura educadora e de educadores já, o absurdo de briga armada pelos ideais defendidos; empunhando suas bandeiras políticas festejavam o um ano do ¿onze de setembro¿. Não me interessa quem morre, me importa que morrem; não quero imaginar que meus semelhantes são números e que não se faz omelete sem quebrar ovos; se for assim prefiro não ser humano, prefiro ser bicho.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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VOCÊ NUNCA ESTÁ SOZINHO
Já repararam que às vezes você está nos locais mais distantes ou situações raras e rola de algo acontecer que ninguém acreditaria? Pois bem, algumas coisas assim também presenciei:
1) Estava entrando pela lateral do shopping e minha então namorada estava brigando comigo(pode?). Eu então fiquei repetindo: ¿Sim,senhora. Amém. Seja feita vossa vontade¿ e coisas do gênero. Odeio brigar, ainda mais em público. Bom, num certo momento ela perdeu a paciência e jogou todas sacolas que carregava na minha cabeça. Saí correndo, lógico. Depois rimos, lógico também. Dias depois quando fui trabalhar, ouço uns comentários: ¿E aí apanhou, hein?¿ ¿Cria vergonha, apanhar de mulher na porta do shopping¿. Eu não tinha visto, mas uma parte dos colegas que trabalhavam comigo estavam no shopping e me viram ¿apanhar¿. Foi uma semana longa.
2) Outra vez no trabalho estava caminhando em direção a gerência e o vento soprou forte fazendo voar uma pilha de papéis da mesa da subgerente. Quando estou recolhendo tudo, vejo a subgerente desesperada em me ajudar com um sorriso lindo. Detalhe: ela nunca tinha sido gentil na vida, achei estranho! Bom, aí percebi que no meio dos papéis havia um cartãozinho de ¿love¿ em branco. Menos de uma semana após o pessoal resolveu ir a um bar e peguei carona com meu gerente. Quando sento no banco de trás percebo uma caixa de presente e um cartão. Disfarcei e abri o cartão... era da subgerente. Tinham um caso. Eu me divertia muito fazendo piadinhas com meu gerente.
3) Eu e uns amigos estávamos no extremo norte da cidade de SP e um deles pára e diz que conhecia o homem atrás da mureta. Inusitado, pois todos nós moramos na zona sul e estávamos muito longe de casa. Meu amigo volta rindo, dizendo que o rapaz era mesmo seu conhecido e morava em Parelheiros(extremo do extremo sul de SP). Mais inusitado ainda era que o rapaz estava com uma amante recém conquistada e quis ir para um local muito distante de casa para não ser flagrado.Tsc,tsc,tsc
4) Palestra Itália lotado, paulistão de 2000. Chego tarde e muito a fim de xingar o juiz(minha terapia). Como estava sozinho caminhava para procurar uns amigos e não é que vejo uma moça que trabalhava comigo. Caminhei em sua direção e ela desesperada me olhava atônita como se tivesse visto o ¿coisa-ruim¿; disfarcei então. Não devia ser ela. No que chego em casa ela me liga: ¿Pelo amor de Deus, não vai contar para o meu marido¿. Eu disse: ¿Claro que não, nem me passou pela cabeça¿. Agora, não contar o quê? Eu não vi nada. Se ela estava ¿aprontando¿ era da conta dela, mas era só dizer: ¿Oi¿ que eu nem ia perceber nada.
5) Mulheres. Minha outra namorada disse: ¿Não quero ir pular carnaval, vai você.¿Depois de muita insistência fui para a ¿avenida¿ com a Águia de Ouro. Dias seguem e uma amiga me conta: ¿Vi sua namorada no carnaval do SESC.¿ Legal, né? Eu sempre digo, a última mulher que andou na linha o trem pegou. É claro que ela explicou tudo depois; até os tios dela afirmaram que estavam juntos e ela foi porque eles insistiram. Pior, diziam que o coração dela era tão magnânimo que ela ¿deixou¿ eu ir sozinho me divertir. Sei, de boas intenções o inferno tá lotado. Confiança é base de tudo eu sei; mas a verdade vem antes.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Dezembro 22, 2002
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Óia eu!!!
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