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CONTO
Mais uma vez ela atira seus olhos pela janela. Do alto de seu apartamento ela vê luzes piscando nos letreiros da propaganda de 'jeans' de que lhe inspiram paixões, mas onde elas estão que não a encontram? Engole seu choro seco e remonta seus pensamentos. Recolhe seus lisos cabelos negros, deixando-os passar entre os dedos, faz com que recaiam sobre seu busto e põe-se a andar em direção a porta. De passagem pega as chaves do carro e dá uma última olhada para a janela, na esperança que um super-herói adentrasse por lá e lhe trouxesse todo o amor desta vida. Tranca finalmente a porta, sequer vira para trás, não houve aquele olhar de confirmação. Desce as escadas, sim, ela descera longos e perpétuos treze andares; era uma penitência talvez. O eco reproduz cada passo daquele salto da sandália preta que sustenta o corpo esguio de mulher clara, perfumada, com batom vermelho; que com o vestidinho negro colado ao corpo, enaltecendo os seios, as formas curvilíneas; tenta tornar-se mais discreta ao vestir o sobretudo mais sóbrio e claro que carregava nas mãos.
Passando pela portaria sente os primeiros olhares atrevidos. Sobre a calçada busca ao acaso o caminho que a levaria até o seu carro; sente o frio e o vento, este ainda enlouquecem seus cabelos. Ela então caminha, anda a passos largos e barulhentos. Passa pelo carro e continua. Sente um pranto invadir-lhe a face rubra e respira com peso, dor, tristeza. Quase que correndo ela sente suas pernas tremerem de cansaço e ela se apóia no muro. Suas mãos delicadas cravavam as unhas no musgo que da parede brotava. Com a cabeça abaixada não via que o trânsito intenso da noite; faróis e buzinas entorpeciam seu coração, eram por demais cruéis. No ápice de sua amargura e tentando repor suas forças ela sente uma mão tocar-lhe os ombros. Ergue delicadamente a cabeça e vê, não, ela sente que um homem, seu homem, permanece a fitar-lhe atenciosamente. Um estranho e inesquecível rapaz coloca-se a centímetros de seus lábios. Ela desacredita em tal aparição, mas não recusa suas mãos para tirar-lhe do encalhe que suas mágoas a deixaram. Sem uma palavra dizer, caminham, demoradamente andam até alcançarem uma arborizada praça. Acomodam-se num banco de madeira branco embaixo de um enorme toldo verde e finalmente ela nota o semblante do seu protetor tranqüilo, acentuado, pele asseada, de olhos profundos, mãos de toque suave e voz macia a dizer-lhe:"Acho que não sabes de mim, não imaginas que vigio suas dores, que rogo às suas alegrias. Ainda pouco sabes que suas tristezas são minhas também. Passo horas a velar-te da janela do seu apartamento. Choro cada lagrima sua que despenca lá de cima. Tive muitos momentos na duvida de ir a ti, enxugar-te o pranto, mas meu temor fora mais forte. Presenciei suas lamúrias na sacada esta noite e a partir de agora não te permito mais chorar; corri muito para alcançar-te, e vejas, não podes me fazer sofrer; se compadeça ao menos da minha dor e não chores mais; por nós". Enternecida ela não diz nada; entrega-se a um delicioso e demorado beijo ao estranho que derrotara suas lágrimas para o sempre que, ela, precisava, ou seja, o agora!
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Janeiro 31, 2003
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ADEUS
Se não lhe beijei naquela manha era porque não o faria sem antes balsamar meu hálito;
Se lhe deixei esperar ao lado do telefone era porque eu estava indo lhe ver de surpresa;
Se não fomos àquela festa era porque queria sua atenção só pra mim;
Se fiquei preocupado quando demorou era porque, enciumado, eu queria disfarçar;
Se falei da antiga namorada era para ver você me tendo em posse;
Se eu não olhava para seu vestido novo era porque eu tinha apenas olhos para você;
Se eu dormia muito naquele domingo era porque eu velava docemente seu sono;
Se eu lhe disse adeus era porque queria ver você feliz e comigo não eras mais!
Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Janeiro 30, 2003
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IMBECIS
Sábado de sol. Crianças na praça, Praça Charles Muller. Um caldeirão de emoções estava repleto de animais. Eu, um deles. Vibrações aos topos. Gente que saúda seus heróis, empolgados pelas cores alvi-verdes que dominam a arena. Fogos mal ajeitados pelos organizadores explodem sobre nossas cabeças; eu; muito ´forte´ protejo o menino de 6 anos que comigo estava. Prelúdio! Começa, alegria a cada tento alcançado. Prossegue, mediador ruim, palestrinos ´pipoqueiros´, empate. Termina, alegria reversa. Estronda uma bizarra aparição: Um jovem, imbecil, mas jovem, se vê dono da vitória, como era mesmo, profana a imagem do adversário, coitado (que aliás foi severamente punido pela FPF, mas e os outros milhares, serão punidos por quem?); não se cutuca animal enjaulado. Lembre-se todos torcedores são animais e só precisam de um pretexto para agredir. Poucos colegas o tentam fazer minimizar tal provocação, mas cadê o técnico, a policia para aconselhá-lo? Não, nada disto. A revolta de tantos outros imbecis se dá: ´Vamos matar o Nunes!´. Seria difícil, mas eram milhares de verdes contra uma dezena de azuis, a irresponsabilidade do adversário fora tão grande que seus torcedores, em menor número, agora corriam risco de vida. Os imbecis de maior número explodem bombas, outros de fardas agridem e estouram mais bombas. Eu? Quieto, só protejo e sou protegido pelos meus. Estilhaços voam nas pernas, mas todos vivos. Os de farda são intolerantes, até entendo, mas não aceito e vacilam; os de verde invadem o gramado e onde está o Nunes? Foi o primeiro a correr.
É, como posso convencer alguém que futebol é arte? Que quando meu time perde e todos cantam ´mesmo ganhando, mesmo perdendo, sou Palestra de coração´ há uma comoção?...Não, ninguém acreditaria...
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Janeiro 28, 2003
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A CONVERSA COM DEUS, ENFIM
Finalmente fui recebido na casa Dele. Após ir busca-Lo até lá onde a 'luzz' alcança percebi que estaria mais perto de mim. Cheguei numa das suas moradas e pra variar Ele não estava. A casa era suntuosa, remontava a idade média e reinava uma paz que incomodava, pois não passava de um abrigo, bastava sair dali e as tristezas voltariam. Entro, nenhuma entidade divina vem me saudar. Escolho um cantinho de frente à imagem do Seu filho e espero, espero muito. Aos poucos percebo uma comunicação quase cibernética entre mim e Ele. Que coisa inoportuna, ora, se eu sou um homem de pouca fé ou de fé abalada por que não me vens de frente? Será que sou órfão de fé? Uma voz adocicada sinto invadir meu coração. Conta-me histórias lindas, parábolas complexas, explicações fantásticas e me levam a ter esperança, mas, que esperança vaga, sutil demais para o meu gosto, certamente durará até a próxima dor. Minha contestação O enche de sorissos bondosos na infame tarefa de me persuadir a não duvidar de Sua magnitude. Meus cabelos se mexem com o brado que Ele profere, quase me chamando de profano, indaga-me por que tamanha descrença. Inumero fatos, dados, motivos; mas Ele não se dá por convencido, há sempre uma explicação. Não duvido que houvesse, apenas discordo, me permita. Nossa conversa surte divagações mil, subjetivas, sem dolo, sem maldade; às vezes apenas mera lingüística; que graças a Deus(!), Ele entende e respeita. Celebramos um pacto de fé e descrença; permitiu-me, como se pudesse o contrário, questionar, mesmo que de público a Sua existência e ainda Sua maneira de atuar. Em contrapartida, eu me prontifiquei a aceitá-lo como um bom Criador se chegado o momento que assim O vir. Estreitamos nossos laços, mesmo na discórdia. Prometi ir vê-Lo quando algo que me leve a Ele se mostrar a mim. Já na despedida ousei ainda perguntar se não havia algum anjo da guarda de plantão lá em casa. Sua resposta, parabólica, me vem com mil folhas que caem e que Ele conhece todas, pôxa, estou começando a achar que a Daniela Cicarelli não trabalha para Ele.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Janeiro 26, 2003
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À TERRA DE PIRATININGA
À Terra de Piratininga: terra dos meus amores; amores Palestrinos, de canções Titânicas, de todos os povos, do Pátio do Colégio, com mulheres pra todos os gostos, e venham mais:
-Tietê limpo, Guarapiranga pura, Interlagos sem dengue, Billings com peixes vivos, Mosteiro de São Bento sempre aberto, Praça da Sé só com chafarizes, Museu do Ipiranga respeitado, Pinacoteca aos suburbanos, Teatro Municipal divulgado, Zoológico e Zôo Safari gratuitos, mananciais desocupados, Parque Ibirapuera seguro, periferia nos Jardins, marquises sem mendigos, chuva sem alagamento, carros sem trânsito, lixões para lixos, cruzamentos sem pedintes, Pico do Jaraguá sem antenas, Cantareira sem aviões caindo, Móoca com suas fábricas funcionando, Avenida Nações Unidas de novo com as empresas unidas, Avenida do Emissário não mais Marquês de São Vicente, Viaduto (L.E.Magalhães) deixe a homenagem a quem fez algo pela cidade, Mario de Andrade maior que Michael Jordan, Pacaembú com as torcidas juntas, shopping sem estacionamento pago, chega de zona azul, rodízio só de pizza, no ônibus apenas sentado, peladas na várzea....
É....São Paulo é quase assim, quase!
Por: ANDRE MELCHIADES Sábado, Janeiro 25, 2003
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CHUVA TRISTE
Pela janela. Cai uma fina e fria garoa, tipicamente paulistana e infelizmente triste. Têm certas manifestações dos céus que são meio tristonhas, neste caso a chuva; ou ela absorve nossas mágoas ou nós absorvemos as dela. Ajeito a gola da camisa, talvez na ilusão de proteger-me dos ventos que sopravam sem parar. Os cabelos espalhados se moldam com o peso da água que lhes banham. Os sapatos vão se encharcando com cada poça que atropelo na pressa de chegar logo, chegar não sei aonde, mas que seja longe da garoa e também porque longe da garoa, também não faço a mínima idéia. Uma aura de tristeza me invade, permito aos olhos se entregarem plenos, pois na chuva a vergonha deles não seria vista. Engulo meus desalentos e passo de cabeça baixa por uma moça que falava sem parar com outra. Espio de relance que a menina me fita sem parar a sua oratória. Tornei a me resignar aos pensamentos que me levavam para longe e ouço sua voz macia dizer:
- Ah, não fique triste, por favor. Você não pode!
Sem parar, apenas viro a cabeça para ela e abro um discreto sorriso; que ela, entende. Entende minha gratidão e atenção; como poucos, mais ditos próximos, o fariam. Quando a fé me deixa, ela sempre acha um jeito de me encontrar.
Por: ANDRE MELCHIADES Sábado, Janeiro 25, 2003
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"HAY QUE ENDURECER, PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMAS!"
- A senhora trabalha em que emissora?
- Trabalho na Rede Globo de Televisão!
- Ah, eu já tive problemas com vocês tempos atrás.
- Sério? Por que?
- Sua emissora fazia matérias contra mim, desestabilizando meu Governo.
- Até onde sei eram fatos rela.....
- Eu até entrei em contato com o então Presidente, o Fernando Henrique, para que ele mandasse fechar a televisão de vocês, mas ele não o fez!
[Diálogo relatado por Miriam Leitão (Bom Dia Brasil) entre a mesma e Hugo Chavez (Presidente da Venezuela)]
Penso: O filhote às avessas de Fidel está mais para Stalin. O FHC com seus defeitos, mas sempre democrata! O Lula tem cada amigo. E eu também arrumo cada amiga (ah, esta parte é pessoal)!
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Janeiro 24, 2003
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SILÊNCIO
Vôo de solidão, ouço o vazio; mudo, incerto.
Deserto em mim, não há mistério: "paura".
Vagando, lento, ao vento; novamente e chove dos olhos.
Dor persiste, perene, mas constante, contínua.
Escuro, ébano de uma alma, nefasta; qual déspota.
Pesar de morte é vida, vagarosa.
Luz acenda; ascenda a nós!!!. Lépida!
Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Janeiro 22, 2003
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ENCANTADORA
De coração aos saltos me pego cantarolando junto com o rádio em meio à estrada. A música acalma e me faz perceber que à esquerda da rodovia, bem lá no alto, um céu com nuvens harmoniosamente dispersas uniam-se ao restante daquele sol de fim de dia para se colorirem de lilás e se prestarem ao humilde favor de emoldurar minha jornada. Era o meu sinal, um bom sinal. Os momentos de tensão cederam espaço à ansiedade, havia um forte desejo de chegar ao meu destino o quanto antes fosse possível. A noite desaba e traz consigo uma tempestade dona de todas as gotas de chuva que poderia ousar possuir. Cada pingo d'água que despencava dos céus, explodia no pára-brisa como uma bomba de lágrimas; parecia alertar que a minha epopéia seria muito mais tensa do que eu viera desejando. Enxergando apenas as luzes dos carros bem adiante, me coloquei firme na direção evitando que a dependência do limpador me fosse tão imprescindível. Vislumbro, em meio à tensão da estrada, uma lua me acenando no horizonte, para ela eu corro, muito! Ultrapasso a chuva, o vento, a tensão e a distância, mas não he encontro. Nosso porto não existe de fato, nem de ilusão; não havia você. Com o peito amuado eu desço do carro, me ponho a andar sem rumo, de voltas em torno da minha penúria e só consigo sentir compaixão por meu destino naquele instante. Recosto minha angústia num canto isolado e percebo que uma voz tímida me fala, não podia ser; de onde saíra tal encanto?. Olhos esverdeados e naturalmente semicerrados, repuxados mesmo; rosto de traços acentuadamente marcantes, uma pele docemente clara, cabelos negros e compridos emoldurando sua face ruborizada, lindos lábios cheios a saltar-lhe da boca para proferir: ¿Está esperando alguém?¿ Céus, que estivesse já teria encontrado. Olhos nos olhos perpetuam os momentos que as palavras nos abandonaram. Noto seu tremor, percebo o suor da tensão que ela astutamente tenta conter e eu, ah, claro, faço com que sorria, faço com que não fuja, com que me tolere. O sorriso vem preocupado com os cabelos que não mais estavam como ela quisera; estavam sim molhados, macios, brilhantes; ora, era uma extensão dela mesma! Com o coração retomando seu fluxo normal, me ponho a segui-la bosque afora. Minha amiga lua agora estava sobre nós, iluminava o jardim onde sentávamos e ainda trouxe suas amigas estrelas para velarem nossos suspiros. Embebedo-me com suas palavras, me apodero de todas as frases que pudera, queria ser tudo que ela precisava, sonhara, imaginara. Retruco suas dúvidas, ofereço-lhe as minhas, me mostro despido de vaidades ou ego; verdadeiramente me exponho; só o faço, pois ela me inspira cumplicidade. Os astros que nos contemplam, envergonhados se cobrem sob as nuvens, nos deixando à sós no instante que sinto o doce cheiro da sua respiração. Ela contém o afã do meu beijo ávido, conduz num toque de sutileza seus lábios a deslizarem sobre os meus, nos faz sentir delicadamente o sabor daquele encontro. Sonhos me vêm: toco seu rosto, nuca, aliso seu pescoço, a pele macia, perfumada; sonhos. Por míseros instantes meus olhos se abrem antes dos dela; a venero, a agradeço dentro dos meus pensamentos e lhe sorrio quando ela me vê. Novamente fecho meus olhos, me deleito com cada toque seu, eternizo nossos carinhos e quando aos poucos os abro: não mais a vejo, me fogem os toques, o carinho, mas você não sai da minha mente, do meu coração. Respiro mais devagar e profundo. Verdadeiramente acho que sonhei, ah, mesmo que sonho foste, quisera sonhar mais vezes contigo!
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Janeiro 20, 2003
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DISTANTE
À distância basta saber:
- Serei a brisa da manhã que lhe beija a boca
- Estarei nos raios do sol que lhe enrubescem as faces.
- Serei os fios lisos dos cabelos que lhe acariciarem o rosto.
- Estarei muito mais perto quando eu estiver ainda muito mais distante
- Serei a paz que lhe inundará o coração após um infortúnio.
- Estarei ao seu lado quando estiver triste.
- Serei a voz que lhe acalentará quando o universo lhe importunar.
- Estarei nos seus sorrisos porque minha lembrança lhe trará desejos.
Dos pensamentos seus, serei eu o mais íntimo....
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Janeiro 17, 2003
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VISITANTE
- Marido, você comprou o peru de natal ainda vivo??
- O quê ?
- É, você comprou o bicho para eu matar?
- Ta louca?? Claro que não, aliás nem comprei ainda. Por que?
- Olha, então não é por nada, mas tem um peru lá na sacada!
- Você não ta bem, esposa. Estamos no décimo quinto andar, tem noção disto?
- Ah, sei lá, vai ver ele voa.
- Claro, ouvi dizer que agora os Correios utilizam até peru-correio, aposentaram os pombos. Se toca....
- Ta duvidando? Então vai ver, vai!!!
- Vou mesmo! E depois te levo pra ver o Freud, acho que você anda sentindo falta dele!
- Vai lá até a sacada antes!
- To indo..to indo...
- E então, eu que tô louca???
- Esposa, isto não é um peru; nossa é um urubu!
- Urubu?? Que nem o Zeca Urubu do Pica-Pau?
- Mais ou menos....
- Então é bem menos porque o Zeca Urubu não é tão feio....e fedido assim.
- É que desenho animado não tem cheiro.
- Mas tem imagem e garanto que isto é um monstro... o do desenho era só esquisito!!!
- Esposa, será que ele tem família? Imaginou se são imigrantes a ocupar nossa sacada?
- Cada um tem o imigrante que merece..Uns tem Gianechini, Ana Paula Arosio e eu tenho uma família de urubus!! Me poupe!!
- Eca!!!! Que monte de coisa é aquela...nossa...quanta sujeira!
- Marido, não é sujeira, é merda mesmo, merda de urubu!
- Fica brava não; dizem que é sinal de boa sorte.
- É? Quem "dizem"?
- Eu li num livro de tradições milenares chinesas que quando um urubu suja sua casa e a mulher limpa com um sorriso nos lábios, esta casa terá fartura e harmonia por sete anos, sete dias e sete horas! Olha, com tradição que atravessou séculos não se deve discutir.
- Espero que a tradição também resolva o problema te tocar o bicho da sacada.
- É só desencanar que ele vai embora, esposa.
- Vai sim, pelo tanto de sujeira que tem ali, ele já deve morar em nossa casa desde a madrugada. Vai deixa-lo esperar o restante da família?
- Ah, quem sabe ele não tenha uma família heterogênea? Podem vir uns primos periquitos, tios canários e até uns cunhados pardais!
- Faltou a sogra carcará!
- Epá!!!!! Tudo bem....Olha, ele ta abrindo as asas. Que envergadura enorme, quase toma conta da sacada!
- Se ele voar pra dentro ao invés de ir pra fora, você sabe que teremos um viúvo em casa, né?
- Nada de drama, ele está apenas se espreguiçando, coitado. Não deve ser fácil passar a noite naquele chão duro.
- Eu te falei pra conter seus gases esta noite, você o atraiu, sabia? É feromônio para eles, um elixir mesmo!
- Eh, só falta você dizer que é uma urubu e que ela ta com tesão por mim.
- Quem sabe! Se ela tiver bom gosto....Olha, meu Deus, chegou mais um. Com gravetos no bico. Estão construindo um ninho.
- Esposa, dá umas dicas de "designer de ambientes" para eles, afinal como arquiteta....
- É!!!!! e você, porque não ofereceu outro empreendimento para eles habitarem, Dr. Engenheiro?
- Calma....E agora, vamos chamar o IBAMA ou o MST? Ta bom, calma....Vou chamar a zelador. Oh Chico, dá pro você descer aqui? Ele vem, que bom né, esposa?? Eh,eh,eh...
- Marido, ele chegou. Oi, Sr. Francisco, como está? É temos um probleminha.
- "Vixe" Maria! É um gavião-caramujeiro? Na panela é uma "dilicia"!
- Ah, Chico se for Gavião põe na panela mesmo!
- Quanta besteira, marido, esquece o futebol. É um urubu mesmo, Sr. Francisco. Tem como tirar este bicho nojento daqui?
- "Craro" dona. "Pera" que "vô" dá uma paulada no meio da testa deste "desinfeliz"!
- Não deixa marido! Crueldade não.
- Chico, assim vai sujar mais ainda a casa.
- Vai não, "sô"!
- Marido, vou falar com o passarinho. Seu passarinho, olha, você não quer ir embora? Tem gente aqui te achando com cara de peru de natal, vai se arriscar?
- Cuidado esposa. Eles podem ficar bravos.
- Que nada, tive uma idéia. Sr. Francisco me dê este par de meias que estão jogadas aí no canto.
- Estas aqui, dona? Que "fedô"!
- Estas mesmas. Coisas que meu marido larga pela sala quando chega do trabalho!
- Esposa, eu não vi que aqui era a sala, por isto deixei as meias aqui!
- Sei... Passarinhooooo!!! Olha, perfume francês: "Chulet di Maridaux"...topas??
- Sua "mulé" é "doidia"!
- É nada, dá uma nota de cinqüenta reais pra ela e vê se ela rasga! Esposa!!!!! Você jogou minhas meias pela janela!!
- "Vixe", eles "vuaram".
- Não falei marido, eles foram atraídos por seu feromônio, seu chulé!
Homenagem aos novos moradores do apto. da Fá e do Gera
Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Janeiro 16, 2003
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VOTEI, PORQUE ELE É HONESTO
Por que o tens em grande valia pelas qualidades que deveriam ser intrínsecas a todos os seres, pouco sei. Ouso dizer apenas que tu o tens como referência de uma coisa "fúti": Honestidade. Não haveria como te sentires lisonjeado se a ti fosse declamada tal grandeza; deverias ficar magoado com as outras pessoas; pois onde passa a ser virtude uma obrigação, é digno de vergonha. Sentimentos de compaixão, amor, respeito; enfim; têm que ser base de uma civilização, que por mais redundante que fosse, deveria ser sinônimo de civilizada.
Esperar de ti o que desejara para outro é fácil de pensar, difícil sim de realizar, porém é muito tranqüilo de tentar; então; por que tu não te esforças também? Referendar uma virtude alheia é importante, mas vitorioso é aprender com ela e tê-la como sua aliada mais forte! Que negues a comodidade de achar-te grande se vieste a ser exceção!
Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Janeiro 15, 2003
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87 QUILÔMETROS
Seus olhos que não vejo
Timidez, a sua voz
Paixão, mero desejo
O que esperar de nós(?)
As noites tristes assim
Imploram sempre por ela
Jazem pedindo sem fim:
Que não demores, bela.
Sopram ventos bem além
Auspícios me vêem
Pousam suspiros também
Alva presença se faz
Brisa serena de paz
Irei deixar-te jamais
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Janeiro 14, 2003
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DA JANELA DO 4º ANDAR
Debruçado na janela sinto uma brisa de final de tarde a refrescar-me. Contemplo imensas árvores que timidamente balançam, os últimos raios de sol são encobertos por nuvens densas, uma revoada de pássaros atinge o teto daquela antiga igreja imponente, suas longas torres e estátuas santificadas abrigam os afoitos voadores dos dias e noites que se seguem. Percebo lá no horizonte distante pequenas montanhas recobertas por uma vegetação sutil a conversarem com o céu avermelhado que saúda o inicio da noite, parecem menos distantes do que realmente estão. Vindo de baixo ainda posso sentir o cheiro daquelas tímidas flores que encorpam o minúsculo jardim da praça, onde o coreto de alvenaria rústica mantém uma paz celestial, envolvido por um cercado de balaústres temos uma percepção saudosista das musicas que ali repercutiam.
Tenho agora que ir embora, acreditem estou no centro do Largo 13 de Maio em Santo Amaro, SP/SP, reduto de camelôs e comércio, mas vejam há sempre beleza nas coisas, depende de como a gente olha.
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Janeiro 10, 2003
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A FIFA TEM RAZÃO !?
Não quero polemizar nada, mas vejam só:
1-Alguns corinthianos alegam serem campeões do mundo e se baseiam no fato de serem reconhecidos pela FIFA. Eu particularmente discordo da FIFA.
2-A FIFA soltou uma matéria no dia 08/01/03 na qual enfatiza que o Corinthians é um time modesto, medíocre mesmo. Eu particularmente discordo da FIFA.
Sendo a FIFA sua base de discussão quando o assunto é o Torneio de Verão que julgam ser "copa do mundo", então, eu pergunto aos corinthianos, vocês concordam ou discordam da FIFA?
Se concordarem com a FIFA será o clube campeão do mundo, mas será medíocre!
Se discordarem da FIFA será um time de glórias, mas não será campeão do mundo!
Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Janeiro 09, 2003
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FRAGMENTOS
Quando eu era mais novo achava que a vida era objetivada, clara e infinita; não via obstáculos, muito menos cessação de desejos. Incorporava um super-herói dentro de mim que me protegia do mundo real; nunca me permitia ser destituído dos desejos e na maioria das vezes estes eram alcançados despercebidamente, acho que o desapego inocente fazia com que tudo acontecesse.
Ao passar os anos acabei me tornando mais cético e ao mesmo tempo fã dos meus heróis imaginários. Parte de mim busca serenidade e segurança, a outra corre atrás de rebeldia e aventura. Vou me fragmentando procurando destinar cada valor ao seu tempo. Incessantes minutos passo a me tornar jovem e outros tantos procuro amadurecer-me; mas parece que o mundo não gosta desta idéia. Cobram rosto sério quando acho que o sorriso resolve, exigem ventura quando meu amor se vai, rotulam tudo que faço.
Eu não entendo as coisas com os olhos na normalidade, com olhar óbvio; observo através, crio conceitos que podem se desfazer pouco depois, estabeleço princípios imutáveis também.
Os heróis que vivem há tempos dentro de mim não salvam os cavalos que puxam carroças, não impedem que leões devorem cervos, não fazem chover sobre as queimadas, não cessam furacões que aniquilam ilhotas, não seguram lavas cuspidas por vulcões em miseras aldeias, não cria harmonia entre nós seres de mesma espécie; coitados dos meus heróis; podem tão pouco e só hoje percebo isto.
Ainda com a falta de cumplicidade de muitos de nós, procuro crer em meus heróis, em meus deuses, em minhas paixões (?), talvez um dia eu venha a dar outro nome a isto, mas por enquanto só posso chamar de esperança.
Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Janeiro 09, 2003
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A CONVERSA COM DEUS II
Bom, tentamos conversar de novo. Como Deus teve muito trabalho neste inicio de ano; até com avião que foi parar numa avenida lateral ao aeroporto de Congonhas; então; tive que espera-Lo até hoje 06 de janeiro, "eta" Homem ocupado!
Conforme combinado fui à casa Dele e sabem, não pude entrar, a casa de Deus estava fechada. Pensei que seria muito triste você estar desamparado, sem rumo e lembrar que "na casa do meu pai tem muitas moradas" e de que adianta se estão fechadas? Não havia padre, nem coroinha que pudesse me dizer onde Ele estava (nem venha com esta história de que Ele está em todo lugar, porque eu não tô vendo nada!). Sentado na escadaria da igreja pensei: "Ora, é Festa de Dia de Reis, Ele caiu na gandaia"
Tudo bem, eu O procuro de novo, não adianta fugir de mim, sou pior que criança, quando me prometem uma coisa eu faço até birra.
Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Janeiro 08, 2003
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SERÃO FINITAS
Meu peito dói, uma dor marcada de rancores e pesares, sinto compaixão por mim mesmo, mal vislumbro alegria nos meus sorrisos, tampouco o sorriso eu percebo. Renasce, espero, de esperança, reações que me vêm dos céus, distribuo sentimentos que me voltam em doces palavras de luzes(luzzsh) que me iluminam. Sinto ainda mais forte que minha dor e frustrações são finitas, mas o meu amor eu sei que não.
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Janeiro 06, 2003
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CAFETERIA
Tempos atrás saímos os três amigos. Após uma balada meio frustrante seguimos a uma cafeteria, quando então me deparo com a menina mais linda que vira naquela noite. Estava ela e uma amiga sentadas poucos metros a nossa frente. Eu que jamais me atrevo a 'cantar' alguém descaradamente disse que iria falar com ela. Olhos claros, cabelos encaracolados e loiros; boca saliente; nossa, era linda. Contudo, um 'sábio' amigo me disse:
- Nada disto, não vá até ela. Uma menina desta precisa de outro tipo de 'approach'; algo mais criativo; não é chegando à mesa dela que você a conquistará.
Mesmo descontente, concordei e passamos intermináveis minutos mandando torpedos engraçados (bem legais mesmo) para ela que ria muito também e retribuía.
Até que certa hora entra um outro 'infeliz' na cafeteria, sonda o local e de pronto se encaminha até a nossa deusa. Não demorou nadinha e ele lhe 'tascou' um beijo de novela...ficaram assim por muitos minutos....Então ela lhe deu o numero do telefone e o 'sortudo' foi embora. Pouco depois ela bebia seu café e ria com a amiga olhando pra gente. Chegou a engasgar com o café enquanto ria e discretamente apontava pra nós rasgando os nossos bilhetinhos. Era um deboche só.
Elas levantaram. Caminharam em direção à porta que por coincidência estava ao nosso lado. A amiga passa, sai e quando a 'poderosa' passa, sabe-se lá por que eu digo:
- Ah, não tem importância, ela é gordinha mesmo! (juro, nem que fosse mesmo eu falaria, mas falei)
Um silêncio se fez na mesa que só foi quebrado às gargalhadas quando pela fresta da janela a vemos de mãos na cintura sobre calçada esbravejando nervosamente com a amiga:
- Eu to gorda? Pode falar, eu to? Olha direito....
Moral da história: Mulheres jamais esnobem um fã; ele poderá ser seu carrasco amanhã.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Janeiro 05, 2003
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PAROLE
Que do amor me seja loquaz
Pois dele não me lembro mais
Sabe-se que o vira tempos atrás
Não o senti de volta jamais.
Dizia-se estar presente
Lábios aceitam toda vertente
Não sonhara você ausente
Tu preferiste estada latente
Desejei atos à oratória
Morri ante a sua glória
Do afeto chegou à escória
Sina triste a sua vitória
Fujam de mim palavras lindas
Magoaram-me de boas vindas
Venham-me gestos à vida
Teimoso coração vive ainda
Por: ANDRE MELCHIADES Sábado, Janeiro 04, 2003
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MEUS SONHOS
Os meus sonhos hoje são delírios, tenho a mente em um contínuo desatino, desejando a cada instante viver estes meus sonhos em vida. Têm momentos em que me pego pensando em fatos e não posso discernir se os são ou então é a ilusão que me aflora. Prefiro vestir-me de ilusão eu sei, de pecados gostosos, de sabores lascivos, de paixões incontestes, de amor fulminante (singular sempre)! Minhas guerras são de olhares, meus tiros são as flechas dos cupidos, bombas só de chocolate, meus soldados se armam das flores que lhe envio e meus prisioneiros habitam meu coração. Há momentos que comigo são cruéis, os delírios viram pesadelos, o medo vem e se apodera, reina a desesperança, porém do nada uma luz me guia de volta aos meus deleites, ainda que demore. Muito me fazem para que eu não mais durma, conseguiram levar meu sono sim e faz tempo; mas, tolos(a), eu sonho acordado mesmo(!), isto vocês não levam de mim.
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Janeiro 03, 2003
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Óia eu!!!
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