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"ATIRE A PRIMEIRA PEDRA"
Houve um dia que cansado de implicar com coisas para as quais não havia motivos reais, resolvi brincar para quebrar o clima que me atormentava. Confesso agora que a brincadeira que da minha parte era cômica, tomou proporções exageradas, pois a parte envolvida e de quem acreditara iria "sacar" a brincadeira (e confesso hoje, não havia mesmo como "sacar" e acabou sendo de muito mau gosto), não o fez e sua sensatez e distância me desencorajaram de esclarecer assim de pronto. Puro receio de não saber a hora certa de falar: "Pára, não foi assim". Passei 5 dias para me retratar, e que confesso, tive ímpetos de esclarecer e ao mesmo tempo medo da reação que estava cada vez mais rude, quis esperar o olho no olho, embora na minha imbecilidade eu achava não ter ofendido, agredido ninguém; apenas acreditei que de uma maneira ou de outra sacaria a farsa bem mal feita e me ligaria falando besteiras, zoando até e talvez riríamos muito, como tantas outras brincadeiras que faço e que acaba me xingando, dando tapas, estas coisas. Mas as coisas perderam o controle sem mal eu perceber (você só percebe que pedeu o controle depois que o perdeu). Sou expert em bolas foras, mas de coração eu nunca desejo isto..e ainda me disseram que de boas intenções o inferno está lotado; talvez seja até uma forma para me mandarem pra lá. Aos meus amigos eu posso dizer, não houve má intenção, mas todos erramos, espero um acalento e hoje estou aqui...triste e sem rumo. Apenas penso em tudo que deu certo, em risos, promessas, declarações, em projetos concretos que agora escorrem pelas minhas mãos. Lembro de cada sorriso, de cada elogio, de cada voz de felicidade à minha voz, porém vez ou outra lembro-me da frieza (leia segurança do que quer) de quem domina seu coração a rédeas curtas, controla cada passo como se fora o último e a tristeza, a insônia, medo parecem apenas ser de minha propriedade. O Marcio tinha razão, aquele momento chegou novamente, bem aos poucos e tá tentando se apoderar, tenho medo, você sabe. Tenho mil defeitos sim, todos temos, outros mais (eu) e outros menos, mas eu não aceito os meus e hoje não me orgulha olhar ao espelho e dizer: "Você não tem a quem culpar, ter intenção ou não, isto não atenua se errou, pague seu preço"....Se duvidava que me exporia ao meu ridículo, você deve ter se enganado. Agora eu busco a felicidade de me aceitar humanamente como um ser errante, e, chorar por ter me tornado um escárnio a muitos e um imbecil a tantos outros. Aqueles que se identificarem como seres errantes também digam algo, aqueles que não, podem atirar a primeira pedra. Brincadeira, realmente tem hora e arrumei uma bela maneira de descobrir.
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Setembro 29, 2003
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TIVE AUMENTO SALARIAL!!! SERÁ?
"MARTA SUPLICY, Prefeita do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, faz saber que a Câmara Municipal, em sessão de 24 de setembro de 2003, decretou e eu promulgo a seguinte lei:
Art. 1º - Em cumprimento ao disposto no inciso X do artigo 37 da Constituição Federal, e na forma prevista no artigo 1º da Lei nº 13.303, de 18 de janeiro de 2002, os padrões de vencimento do funcionalismo público municipal, as funções gratificadas e os salários-família e esposa ficam reajustados em 0,01% (um centésimo por cento), a partir de 1º de maio de 2003, na conformidade dos valores constantes do Anexo Único desta lei."
Recuso-me a comentar...
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Setembro 26, 2003
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AINDA É POUCO
Singelas como são, minhas poesias quase não têm razão,
É algo que vem de dentro, às vezes somente são meu relento.
Vivo intensamente cada sonho meu, deliro incansável ao compartilhar o seu:
Ainda que hoje chorasse talvez, amanhã não permitiria que fosse sua vez,
Torno-me vítima da minha verdade e por vezes isto é pura crueldade.
Admiro quando nem brilham os sóis, porém escureço os luares ao rolar nos lençóis .
Vislumbro uma epopéia de emoções e nem sei se para tanto ecoam minhas divagações.
Mas me venha vida toda, a que me resta e a que já perdi, pois não sofro mais as dores que senti.
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Setembro 23, 2003
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SEM MAIS
Sonhos com frases incertas de desejos secretos viajam por devaneios dos momentos a dois, de noites sem fim, com os medos que se foram e com a felicidade que chegava. Não os vejo de claro, de certo (ou talvez) sequer o vira, hoje, agora, sempre será assim: obscuro desejo de algo que permeia a vida e que tantas vezes corremos a ele e mais nos afastamos. Viver é assim mesmo: o limite entre o cruel e o maravilhoso.
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Setembro 22, 2003
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MEIA-NOITE
Havia que fosse algo sentido
Talvez um medo, algo inconteste
De certo sei: um gemido
D'um mal que me vieste
É dor de quem vive a vida
Viver de alma escalavrada
Padecer de amor à sua partida
Omitir-se a vê-la torvada.
Repente d'um estrondo: o sonho
Reverbera um encanto aos olhos
Lépido, de sorriso me ponho.
Efêmero clarão que fosse
Qual terçã ainda se quisesse
Seria sonhador sempre se pudesse.
(E poderei, se vieste)
Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Setembro 18, 2003
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VENHA
Venha o que já me veio tarde.
Que tardou sua chegada e agora que não há vida sem sua presença, me vem clara a sua eterna existência.
Que me fique para sempre: seu sorriso, seus suspiros; não nos cabem desassossegos!
Que não finja seu semblante triste, que divida seus medos, seus desesperos.
Que se cuide, que se resguarde, pois sua vida é extensão d'outra também.
Venha porque toda hora é tardia sem você.
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Setembro 15, 2003
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DINÂMICA DE GRUPO
Odeio dinâmica de grupo. Aquela coisa de fazer joguinhos na cruel intenção de aproximar as pessoas, no fundo acaba irritando e constrangendo boa parte delas.
Estive numa reunião que era pautada em cima destas peripécias e após cada tarefa havia uma interpretação subjetiva que os coordenadores já davam como razão absoluta. Vejam: eu não gosto de sol escaldante e a referência feita para as pessoas que não desenharam o sol esperado é que estas não são pessoas alegres, são pessoas que se escondem nas sombras dos outros. Ora, quer dizer que eu sou assim porque prefiro não desenhar um sol? Acredito mais em tarô do que nestas fantasias!
Meses atrás tive que realizar um treinamento e comecei com a mesma balela:"Bom pessoal, vamos fazer um aquecimento. Dividiremos a turma em quatro grupos e faremos uma dinâmica". Nitidamente alguns ficaram tensos e de mau humor; em seguida disse que era este o aquecimento, ver a expressão tesa de cada um e todos riram e muitos me xingaram.
Eu odeio absolutismo e por isto acho ruim participar de algo que me traga falsas verdades em tamanha certeza, tampouco sou tão obtuso para não aprender que possa ter algo de bom nestas dinâmicas, mas hoje não vejo e não gosto mesmo!
Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Setembro 11, 2003
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SILÊNCIO
Agora sei, bem menos do que eu achava conhecer, eu sei. Também sei que confundo minhas respostas, não me faço entender no que digo; a razão não faz minha oratória e, eu, me estranho com as palavras. Ainda creio chegará o dia em que meu silêncio dirá mais e meu murmúrio será um discurso épico.
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Setembro 08, 2003
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TODO DIA (ELA FAZ) TUDO SEMPRE IGUAL - CONTO
Insistem na maçaneta. Batem à porta. A chave já não abre o que estava aberto, estava travada por dentro. Ela, vestida em seu camisete rosa e pouquíssimas mais lingeries, se vê em aflita tensão: Ele chegara mais cedo hoje. Corre de um lado a outro, arrumando a meia que ele amara ver no alto de suas coxas e seu coração falta saltar-lhe boca afora; um misto de medo e desaforo, coisas da paixão, sei lá. As luzes apagadas, apenas um foco azulado vem da parede, cortinas cerradas também, música quase inaudível, um cheiro doce no ar dela se propaga (típico odor que os homens amam e que vocês insistem em odiar). Destrava a porta e corre para o centro da sala. Em meio às almofadas vermelhas deixa ambas as pernas, as coxas, aparecerem enquanto o longo pegnoir de cetim salmão insiste em manter a linha. Ele entra, a penumbra é tamanha que segundos são preciosos elementos para recompor a imagem que seus olhos lhe entregam: Ela, lindo amor da sua vida ostentando tanta beleza e um sorriso à parte; meio timidez, meio lindo, meio sapeca. Percebe que não era um estereótipo do seu amor, era pois sim, ela! Cabelos escuros soltos sobre os ombros alvos como a lua, lábios grossamente vermelhos, olhar instigante e pintado de negra cor. Não havia um ar de feme fatale, de coisas feitas tampouco a esmo, havia apenas uma sutileza de fim de dia, uma surpresa rotineira, um não esquecimento do amor e que não reacenderá a chama, pois nunca apagará.
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Setembro 05, 2003
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PENSANDO NELA
Um sorriso, um pensamento. Qual desejo? Sem medo em segredo, você desfila para mim; desfila sem fim, sem saber que desliza assim; abençoada sim, de bênção, de bem quisto; da derradeira trilha rumo ao apogeu da minha vida. Percalços ainda me querem , ainda bem, pois quero a perfeição dos meus defeitos e dos seus também, contudo os quero na resignação que ora a vida requer; afinal tem hora que ousamos ser mais inteligentes que o silêncio e o beijo...ainda somos seres imaturos mesmo!
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Setembro 02, 2003
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Óia eu!!!
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