"Vão Divã"

"Que mal o amor me tem feito! Duvidas?! Pois, se duvidas, Vem cá, olha estas feridas, Que o amor abriu no meu peito."
(Augusto dos Anjos)
VÃO DI "Que havemos de esperar, Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vêm tarde, já vêm frias."
(Tomaz Antônio Gonzaga)

É ANIVERSÁRIO DELA!

Outubro, 31, 1978, a exatos 25 anos parte do oriente se resplendia em cores verdes e amarelas. Nascia enfim a miscigenação mais completa que o completo desejara ser. O sutil, a extrema resignação não mais seria intrínseca aos olhos amendoados. Hoje, o céu lhe deve e tem que estar lindo, pois quando as nuvens estão densas, negras é você quem ilumina a noite, a minha noite, então, em seu aniversário que o agradecimento e felicitações recaiam também dos céus!

Números: 1/4 de século, quem diria. 1+9+7+8 = 25!!! Com mais 25 anos de idade...50 anos!! Meio século!!
Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Outubro 30, 2003 Comentários:


CONTO DE UMA NOITE SONHADA

Simples o dulcíssimo tocar em lânguida intimidade, vasculha a umedecer os gemidos, tantos! Outros mais ainda hão por vir, sentir. Permitem vãos pensamentos vazarem à razão do confuso furor que assola o peito agora, sempre. Não mais me vem algo concreto, ambicionara tanto perder o fôlego que as palavras fugiram com ele...
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Outubro 27, 2003 Comentários:


RESONHAR

Acordei ainda de noite e não veio a lua me saudar. De birra comigo ela não me alumiou os olhos avermelhados de sono mentido. Esnobava-me porque eu resonhei e não disse a ela, apenas sorri ao céu.
- Sonho diferente ao me abrirem as portas que as empurro.
Parece desacreditar que meu eterno redescobrir de devaneios é um alento após cada desatinar de alma. Onde o céu não mais acredita em mim, serei eu o meu céu de todo dia; a ele (a mim) pedirei forças e também honrarei sua lembrança. Ainda assim preciso dos meus dogmas pessoais, adoro ser descrente e na primeira curva fechada implorar: ¿Meu Deus!¿. Santa incoerência!!
Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Outubro 23, 2003 Comentários:


HÁ UM ANO NO DIVÃ
Comecei então a pensar escrito, entreguei-me à terapia de conversar com as letras e até que apareceram outras palavras que não eram as minhas. Via frases se criarem por palavras soltas, algumas minhas, outras nem tanto. Acho que redescobri a roda, a roda que eu uso, redescobri singularidade nos meus pensamentos absortos e ao mesmo tempo aprendi a redirecionar minhas idéias. Não espero nada mais do que já foi, mas toda hora que me perco, venho me procurar aqui e tantas foram as vezes que me encontrei......mais de cento e cinqüenta vezes (post's)... e devo ter sido encontrado também, vá saber...
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Outubro 21, 2003 Comentários:


SONHAR

Eu queria saber, saber tudo que eu sei hoje, mas vinte anos atrás, e melhor, desejaria saber agora o que virei a saber daqui vinte anos. Sonharia menos com certeza, mas teriam maior consistência os meus sonhos... e o que eles são? Sonhar é a força motriz de nossas vidas...e tantos são meus sonhos, tantos são os que dependem de mim apenas e tantos são outros que dependem das pessoas e os mais difíceis: os que dependem de algo Maior. Ficar aos suspiros materializando sonhos sob uma garoa gélida, não isto, não; mas usá-los como um objetivo, uma meta, um prazer mesmo; ah, isto eu apregôo há muito tempo. A cada dia um passo, curto, lento, ou quem sabe ligeiro: uma esperança; talvez haja um tropeço inesperado, então se reerga e recomece. Eu sonho sim, sempre, e não vejo como uma pedra possa atrapalhar minha caminhada; posso sonhar diferente e muitas vezes. O homem que não sonha está fadado ao fracasso daquilo que nem sabe o que é:........
Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Outubro 15, 2003 Comentários:


TEMPO

Vago como o tempo, ponho-me a vagar em pensamento. O tempo corre lento na ausência e feroz no aconchego. O tempo é vago, dolorido em meus delírios encarcerados agora por ele, o tempo. Lembranças, pragas no tempo da ausência e doces aos suspiros em seus braços. A saudade, praga do tempo, se não mata deixa marcas n'alma e se não deixa, não era saudade de amor. Ansiedade: é assim que sou, quando me vêem, assim que sou, sou mais feliz, se me entorpecem aos olhos, assim que sou, padeço, sem dor, mas padecer de amor que vem é dor que não dói.
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Outubro 10, 2003 Comentários:


NA JANELA

Nada vi que não a mim mesmo. Garoava, as águas tímidas deslizavam calha abaixo e uma brisa me permitia respirar enfim, um respirar límpido de alma sã. Via-me em cada canto que não estivera e me sentia incluso, inserido nas coisas que o mundo nem sequer me expulsara, mas eu, logo eu, quis por-me a distanciar por livre necessidade de assim fazê-lo, tão fácil esconder os receios, tão cruel permitir-se a tão pouco da vida, porém desta feita o mundo me viu com outros olhos, os olhos com os quais eu quis que ele visse e nem digo se eram olhos mais belos, eram, isto sim, mais felizes. Viver em constante ciclotimia tem um legado indesejável, outrossim o sorriso é mais belo em suas noites de luar; vejo e o sinto mais intensamente do que você... é, você que lê, afinal os meus sentimentos são mais fortes porque são os meus, ficam mais perto de mim e vivem no meu coração, os seus sentimentos se fortes podem entrar nele e se entram, ah, se habitam o meu coração jamais terão moradia melhor.
Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Outubro 09, 2003 Comentários:


NOVELA

Quem disser que tem tv a cabo e nunca viu novela é mentiroso, até sem querer a gente vê e infelizmente eu vi ontem à noite: "Mulheres Apaixonadas". Nem foi muito sem querer, fiquei curioso mesmo e assisti a um diálogo horrível dos protagonistas (Cristiane Torloni e Tony Ramos) no qual ela dizia veementemente que o amor é efêmero e que toda paixão se desgasta, é uma chama enfim, está fadada a se apagar. Insistia ela que a infidelidade não está relacionada ao amor, pode você trair rotineiramente que o amor estaria ali passivo a aceitar tudo até acabar. Tudo bem que após estes três infinitos minutos mudei de canal, mas isto me fez pensar naquela coisa de que a televisão é o maior veiculo de comunicação de massa e que plantando estas sementes, um dia, sabe-se lá, vingarão. Como se já não bastassem as guerras transmitidas ao vivo, chacinas in-loco, exploração da desgraça alheia, humilhação de gente humilde, telejornais sensacionalistas das 18 horas, Palmeiras na série B do Brasileiro, agora me aparece na televisão uma atriz, com um texto intencionado ser Nelson Rodrigues e tenta acabar com minhas esperanças de amor eterno! Após um dia todo de trabalho árduo eu tenho que pensar que o amor é algo volátil? Ah, vão todos à merda que eu amo pra sempre e pronto! Vou ler Fernando Pessoa que eu ganho mais!

Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Outubro 07, 2003 Comentários:


UM PAPO COM O ALÉM

Eu e Deus temos uma relação de irmãos. Têm momentos em que vou a sua casa, raramente é verdade, e Ele me agride com Sua maneira autoritária, me diz o que fazer, sabe, até me dá raiva. Outras tantas vezes Ele me põe no colo e diz o caminho, claro, diz o caminho a Sua maneira, aquele jeitinho que na maioria das vezes é cheio de figuras de linguagens , parábolas e que dificilmente eu percebo, mas que Ele tenta, ah tenta. Ele é bem enrolado, se nos fez a Sua semelhança, Ele deve ser bem esquisitinho. Ultimamente eu Lhe tenho pedido um sonho (o que para muitos seria pesadelo), assim como pedi ao meu irmão sangüíneo quando eu era criança o uniforme completo de goleiro do Palmeiras (o goleiro era o Leão, faz tempo) e na época, mesmo às duras penas, meu irmão me deu o presente. Hoje junto ao Todo Poderoso tenho feito um pedido também, como "brother", que dê um presente e diferentemente do meu irmão, Ele não me responde, não me diz se sim, nem se talvez ou até um sonoro não. Tudo bem que o presente é diferente, mas não custa dinheiro algum, ele pode usar o dinheiro para acabar com a fome da idosa que me pede dinheiro no farol todo dia e não fazer como o Lula que vai à ONU doar U$50 mil. Queria ter o telefone Dele, e-mail, fax, telex, ou até mesmo conhecer o portador de Suas palavras, afinal já me foi dito que se você quiser atingi-Lo que o faça através do próximo e olha que já pedi até pro meu cachorro interceder junto ao deus dos cachorros, e, nada. Podem acreditar não é heresia, tampouco é de ganho financeiro o meu sonho não palpável, mas este se torna distante de mim a cada anoitecer e renasce a cada alvorecer também. Hei, vocês não querem rezar por mim?

Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Outubro 03, 2003 Comentários:


ANJO

Hoje eu vi um anjo. Não tinha plumas, asas, tampouco ouvi clarins à sua chegada, mas sei havia um anjo ao meu lado. Dizia nada também, ouvia-me menos ainda, mas estava ali. Sequer enxugou meu pranto dolorido o tal arcanjo e pouco fez para me ver sorrir. Complacente ficou a me espreitar, vi uma alegria sarcástica em sua face ruborizada e irritantemente plácida. Bradei numa cólera contida, implorando-lhe um gesto, um alento, uma fuga que fosse. E ele, inerte, diante da minha ira apenas cerrou os olhos, forçou-se a um sorriso mais emotivo e foi deixando de existir sob uma neblina alva que lhe recobriu por inteiro. Um odor campestre me preencheu e caminhei na direção que fora seu espaço. Olho o que não mais vejo e não entendo por que se fora. Seria mais um delírio, de tantos outros devaneios e sonhos que eu tanto tivera?! Resignado com minha sina de sonhador, me abaixo para pegar algo que insistentemente roça meus pés e estático fico a venerá-la: uma pena branca, delicada, linda, de doce cheiro campestre; essencialmente divina!
Uma vergonha do não saber me dá um afago e de certo um dia, um dia, saberei ouvir com o coração.

Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Outubro 01, 2003 Comentários:



Adicione aos seus favoritos!



Óia eu!!!