"Vão Divã"

"Que mal o amor me tem feito! Duvidas?! Pois, se duvidas, Vem cá, olha estas feridas, Que o amor abriu no meu peito."
(Augusto dos Anjos)
VÃO DI "Que havemos de esperar, Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vêm tarde, já vêm frias."
(Tomaz Antônio Gonzaga)

PENSAR, ETERNO PENSAR

Quando estou pensando, perco tempo. Quando falo o pensado, ainda mais tempo se foi. E se foi, nunca mais volta. Não voltam mais meus desejos velados, revelados nem foram, perdi-os no tempo. O tempo se foi e eu estava lá, olhando ele ir enquanto perdiam minhas palavras em vastas divagações. Se o tempo não pára, meus pensamentos quem dera: até nos sonhos imperam. Quando não dormia, meu silêncio era no noturno arrepiante, agora que me tenho em sono, o silêncio me espreita nos pesadelos incessantes. Por isto não quero mais pensar, nem dormindo.
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Março 30, 2004 Comentários:


OS GATOS

Então ela orou. Como há muito não fizera, desta vez orou em choro, lágrimas pulsantes que dilaceravam seu rosto pálido precipitavam-se. Um certo desespero a prostrou frente ao próprio medo no anseio de que uma luz renascesse sua esperança. Não lograda a vida se fez fraterna e ávidos dois felinos sobressaltam seu corpo arqueado, fazendo-a se perder de seus pensamentos. Disparam rumo a um extenso muro que lá no distante horizonte se encontrava. Ela vê (?), calmamente, os animais se tomarem numa briga de pulos e equilíbrio sobre o muro, até que o mais feroz, aquele com cara de mau, se prende à crueldade de suas longas unhas cravadas no dorso do outro, desequilibrando-se e despencando lá de cima. Mansamente caminha o vitorioso rumo à glória dos dias comuns. Refeita, ela ergue-se e não chorou mais, pois acreditou que do céu as respostas vieram e talvez às avessas. Não podia esperar apenas, afinal quando ainda se luta está no céu e muitas vezes se esperar que caia, que venha do céu nem sempre é o melhor.
Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Março 17, 2004 Comentários:


A LUA E EU

Luz da lua: que a noite venha sem o escuro. Hoje não me sinto torpe tampouco crédulo, apenas sei que a lua nua é brilho incessante aos dias todos que me seguirem; se chove sob negras nuvens amanhecerá, ainda que em dias a vir, reluzente uma manhã de regozijo. Condeno-me ao doce infortúnio de esperar entre brados e clamores um alumiar da manhã da minh'alma, sempre.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Março 14, 2004 Comentários:


PEDRA

Rude a pedra, inerte.
Verdeada por musgos se faz bela.
Forte, estável se mantém.
Às vezes deveria ser pedra também:
Duro quando me arrancassem uma lasca,
Firme quando me desprezassem,
E, se possível, ainda encantaria uma paisagem marinha, um recife seria,
Mas de pedra pouca vida teria, que tanta água bateria que a pedra cederia.
Ficaria desfigurada eu sei, tanto desgastada também,
Contudo impávida e persistente manteria viva a vida
Não me entregaria aos descasos de uma alma perdida.
Um dia serei pedra, ainda que arenito fosse, seria pedra!
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Março 07, 2004 Comentários:



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Óia eu!!!