"Vão Divã"

"Que mal o amor me tem feito! Duvidas?! Pois, se duvidas, Vem cá, olha estas feridas, Que o amor abriu no meu peito."
(Augusto dos Anjos)
VÃO DI "Que havemos de esperar, Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vêm tarde, já vêm frias."
(Tomaz Antônio Gonzaga)

BIENAL E O LIVRO

Sábado. Fomos à Bienal do Livro. Não havia nada de excepcional, marcante, a não ser os livros (o que por si só já seria ótimo), ah, havia também alguns autores ilustres (para mim) como Mauricio de Souza, Ziraldo e outros nem tão ilustres (aliás, longe disto) como a Tina do Big Brother (acreditem?) e Fernanda Young (fazer o quê?). Agora vejam: querem que o brasileiro leia, se informe, se instrua, então criam uma feira para (entre outras coisas menos nobres) divulgação de novos autores, de obras já bem famosas ou menos famosas e também para lançamentos. Junto a esta idéia brilhante fazem o seguinte: colocam a feira na rodovia dos Imigrantes (difícil acesso para transporte coletivo), cobram R$12,00 de estacionamento, ainda cobram R$8,00 de entrada, entrada para um local de comércio e não de exposição literária, pois tudo se paga. Bom, aí vão dizer que é assim mesmo, ninguém faz nada de graça, capitalismo é assim. Eu discordo (legal eu discordar de mim, né?), pois uma feira não é para exposição de um produto e venda do mesmo? Este comércio já não cobriria seus custos? Os expositores já não pagam para usar os estandes? Então tem gente ganhando muito.
Para piorar a saga, os preços das obras eram os mesmos das livrarias, ou seja, caros! Sei que há um custo para tudo e visa-se também lucrar, nada mais justo, porém que diferença me faz ir a esta feira então? Será que nós é que ganhamos pouco? (cansa-me este chavão!) Claro que havia até livros à venda por R$1,00 (como foi noticiado amplamente), porém viro corintiano (mentira, tem maluco pra tudo!) se alguém arrumar um livro do Ariano Suassuna, lançamento do Mauricio de Souza com o Paulo Coelho pelo mesmo "real"!
Então tive uma idéia, escreveria um e-mail para alguns jornalistas e pensei em enviar ao Jô Soares, uma vez que ele é divulgador de autores, mas a idéia foi se perdendo quando num dos estandes havia "O Xangô de Baker Street" por R$57,00...é, acho que meus reais valem menos que os reais dos que escrevem (e eu escrevo?).. Então não sei mais...
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Abril 27, 2004 Comentários:


IRONICAMENTE (IM)PERFEITO
Por Lucimara S. Hayoama

Das fraquezas em mim existentes, a pior delas é a de
me fazer de forte; não que não habite em mim a
fortaleza, mas meus muros muitas vezes cedem sob
menores esforços do que os que digo suportar. Mas não
adianta dizer, que não é assim, porque isso é coisa da
humanidade, porque em meio ao que não dizem, é que
mora a confusão do ser humano, as peças que não se
encaixam. Mas quem inventou Amor, deve ter um motivo
menos tresloucado pra tudo isso.
Não, meu perfeccionismo não cabe aqui, você sempre
diz; (apesar de conceber a idéia de que "a perfeição
de nossos dias exige defeitos"). A mim chega a ser uma
praga, uma chaga na minha personalidade.
É estranho viver, e vivendo, é estranho mudar a cada
dia. Se me perguntassem se choro em casamentos, diria
que não. E por isso me surpreendeu o choro na porta
quando a noiva, a amiga entrou seguindo os mesmos
ritos tão conhecidos. Tão diferentes.
Mas se já é fraqueza admitir que se têm fraquezas,
então, aquela idéia de seres humanos imperfeitos é
coisa que só cabe aos outros. Porque mesmo os que as
admitem diante de tudo e de todos, dão mostras do
contrário quando são pegos despercebidos. E eu não sei
reparar no corte de cabelo recente, ou na roupa nova,
mas percebo a mudança dos olhos quando deixam de
sentir-se à vontade na minha frente. Me incomoda
quando esse instante passa, o olhar novamente altivo,
o peito estufado ao dizer 'não, não tenho de provar
nada, tenho sim minhas vergonhas, erros e desacertos'.
E, novamente quando estes transparecem, da-se um jeito
de joga-los para baixo do tapete.
Eu sei, eu sei. Você não é assim. Eu também não. Só os
outros.
Só os outros. Graças a Deus.
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Abril 19, 2004 Comentários:



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