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O TÊNIS
E eu não tinha um tênis. Seria festa no final da rua que cortava a minha e eu sabia que a Simone iria. E eu ainda não tinha um tênis. Tá bom, eu tinha aquele furado, Bamba, que eu usava na escola, mas era super manjado e manchado, não podia vê-la com aquele tênis horrível. Já era sábado, manhã, e nada ainda, nenhum milagre acontecera. Apelei. Juntei moedas (isto já faz tempo), pedi uns trocados em casa, era o máximo que podiam fazer e consegui um pouco. Muito pouco. Lembro que na época apenas dava pra comprar o famoso Conga! Eu não queria usar aquilo!! Imagine ela me olhando de Conga, não dava. Fiquei triste sem saber o que fazer e pensei que iria pagar o mesmo mico da outra vez que não teve jeito senão ir para a escola de Kichute (imitação de chuteira, com cravos de borracha na sola), era patético para não dizer...chato. Aí eu cometi meu delito: fui ao supermercado e vi o tênis dos meus sonhos (era um sonho humilde), tratava-se de um tênis Montreal! Vi o tênis ali, era o único daquele azul e vermelho vivos! Havia um tênis ao lado, o Conga. O preço era três vezes mais em conta, não pensei duas vezes, peguei o adesivo com o preço do Conga e coloquei no Montreal. Deixei os dois preços, um no solado e outro na frente para que no caixa não desconfiassem de uma maldade e no máximo um erro. Saí eufórico, com a nota fiscal e tudo para mostrar em casa. Fui à festa super arrumado, cheio de empolgação, otimismo. Na festa eu a encontrei que elogiou meu tênis novo, agradeceu que eu tinha ido (nem precisava agradecer). Assim ficamos, ela de um lado da parede e eu de outro. Passou uma hora, duas e nada de eu me mexer. Acabou a festa, fui para casa, com mais um oi dela e nada de ter coragem para algo mais, coisa dos meus treze anos.
Anos após voltei ao supermercado e comprei um presente para o meu sobrinho, inverti os preços de novo, desta vez para mais, minha consciência agradecera.
"Onde o real e o imaginário se convergem".
Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Setembro 29, 2004
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DEPOIS D'ANTES
E de tentar revi o d'antes. Ironia Dante: antes eu não sabia que de tanto e quanto ausente far-me-ia, e o fez, tão distante de mim que perdi e me procuro em ti. E não me cabe buscar-me em você, caibo em mim, nas minhas verdades e já me basta, mas o verde do Ibirapuera é mais esmeraldino quando sua voz atenua minhas inquietações. Não me dependo, me engrandeço e minha alma se aquieta em seu colo, sonhos perpetuam a inocência de um desejo mundano, devaneio meu, só meu e o terei mais meu que sou do mundo, deste que vivo no escuro das quintas-feiras do meu quarto, ansiando pela manhã que precede seu lábios e assim instigo o devanear por algumas horas e fim, se for assim.
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Setembro 17, 2004
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O MOTOR DO MEU BLOG, SE PERDEU EM PALAVRAS ERRADAS, LOGO, ELE TAMBÉM SE PERDE..QUISERA AINDA ENCONTRÁ-LO. ATÉ A VOLTA, AMIGO
Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Setembro 08, 2004
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A LOIRA DO BANHEIRO
E havia a loira do banheiro. Diziam:
-Ela tem algodão no nariz!.
Imaginava ser linda, mas com os orifícios recheados de algodão e no auge do impressionismo eu entrava no banheiro quando todos diziam ser perigoso. E como eu tremia. Chutei a porta, a outra, mais uma, a última. Claro, teria que ter certeza que não havia ninguém mesmo dentro das "casinhas"! O banheiro era fétido e meio escuro, propício às alucinações. Parei frente ao vaso sanitário, mal conseguia abrir o zíper da calça de tanto que tremia. Via, sobre meus ombros, apenas uma luz intermitente vinda do corredor. Com o pé para trás ancorava a porta, não convinha vacilar naquele local dangerístico. Terminei o feito mal feito e de frente ao espelho, rachado e super mínimo, eu não tinha sequer coragem de olhar, pois se sabe lá o que haveria atrás de mim. Saio com o coração na boca e quando de posse da minha sanidade dou a derradeira tremida, aquele arrepio dos pés à cabeça, encho meu peito de ar e grito:
Corro e o tumulto daquela meia dúzia de meninas me faz rir. Esnobo:
-Como são medrosas. Não existe este negócio de loira cadavérica do banheiro!.
Todas ficam me olhando com admiração e perguntam:
-Você não tem medo? Nossa!.
-Medo do quê? Meninas, quando tiverem medo, me chamem, eu não acredito nestas bobagens!
E assim, fui para casa por uma cueca limpa.
Por: ANDRE MELCHIADES Sexta-feira, Setembro 03, 2004
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Óia eu!!!
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