"Que mal o amor me tem feito! Duvidas?!
Pois, se duvidas, Vem cá, olha estas feridas, Que o amor abriu no meu
peito."
(Augusto dos Anjos) |
VÃO DIVÃ |
"Que havemos de esperar, Marília bela?
Que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vêm tarde, já vêm
frias."
(Tomaz Antônio Gonzaga) |
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PARA O MEU AMOR
"Desce as escadas correndo, olha o relógio, quase hora. Pousa ofegante um suspiro novo no ar. O coração como um balaço ferindo o peito, de tanto existir, de tanto insistir em existir. E é quase hora. Sai pela rua, um olhar perdido que encontra o horizonte ao fundo, e que se lhe parece muito mais próximo que os próximos dois ou três passos. Nenhum espanto. Quem disse que o horizonte está mais distante que a ponta do próprio nariz, se na verdade tudo é relativo, e tão relativo quanto isso só a própria realidade e a relatividade de sua existência?
Entra por alguns becos coloridos, como os que ele já a havia ameaçado deixá-la outrora só para medir sua reação. Se certa vez sentira medo, agora se sentia tentada, a um passo de aceitar a mão que lhe estendia o destino, mesmo com a sua misteriosa centelha brilhando na ponta dos seus dedos improváveis.
Feito Alice crescida, que primeiro acreditou em sonhos pra depois sabê-los reais, corre atrás do seu país de maravilhas meio às avessas, e corre agora, que a hora é exatamente a incerta e que um minuto a mais é na verdade, um minuto a menos.
Corre agora sabendo que antes da hora, não é hora;
E depois da hora, também não."
Por Lucimara Hayoama
Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Outubro 20, 2004
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Óia eu!!!
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