"Vão Divã"

"Que mal o amor me tem feito! Duvidas?! Pois, se duvidas, Vem cá, olha estas feridas, Que o amor abriu no meu peito."
(Augusto dos Anjos)
VÃO DI "Que havemos de esperar, Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vêm tarde, já vêm frias."
(Tomaz Antônio Gonzaga)

PALAVRAS E LEMBRANÇAS

Estava lendo um livro quando uma palavra me saltou aos olhos. Fez com que me trouxesse saudades, daquelas boas, sabem?. Existem palavras que nos remetem a algum evento, uma situação ou até a uma lembrança. Ainda mais para mim que não esqueço de nada, até perdôo, mas não esqueço, daquelas coisas ruins, sabem?
Coloquei-me a pensar em dez palavras com as lembranças para ver o que dava:
1) PratEleira: Foi quando achei uma palavra bonita saindo dos lábios de alguém, mulher claro! Ah, não se fala "pratIleira" e com E mesmo.
2) Tânia: Foi quando eu era criança e ouvi minha vizinha dizer que a Tânia era uma pervertida (o adjetivo era bem pior, acreditem!). Associei este nome à perversão, hoje não posso conhecer ninguém com este nome e já penso mal da infeliz.
3) Lilting: Foi quando encontrei a ponta de um Iceberg e comecei a aprender a não ser mais curioso, longo período de aprendizagem. Esta palavra explica porque sempre odiei surpresas, afinal jamais tive uma surpresa (daquelas consideráveis) que fossem boas.
4) Regina: Foi quando conheci a Regina, nem sei quanto tempo já faz! Minha perpétua referência de gente do bem, sem ser piegas.
5) Lua: Foi quando descobri que uma mulher às vezes tem dois nomes. Elas dão apelidos a si mesmas se não dermos (romance tem cada coisa!).
6) Renatinha: Foi quando uma colega de trabalho passou mal e gemia dizendo estar com fortes dores próximo à virilha, acreditem, bem na Renatinha!!! Não se pode me apresentar alguém assim hoje:"Olha, esta é a Renatinha, minha grande amiga". É, deve amiga ser mesmo.
7) Croata: Foi quando na escola me ensinaram que todas as moças croatas seriam reconhecidas por serem morenas de pele branca e cabelos pretos. Hoje tenho uma grande amiga loira de olhos azuis, e, croata. Ah, loira também sua filha é, a mãe, a avó, a bisavó...na escola deveriam dizer que não havia só morenas na Croácia, aliás se tiver mesmo!
8) Paixão: Foi quando percebi que se alguém chama sua companheira o tempo todo de apelidos íntimos (ou nem tão íntimos assim) na frente dos outros, causa ojeriza. Adquiri implicância com esta palavra, se bem que nem sei pra que serve esta palavra mesmo.
9) Tribalistas: Foi quando ouvindo este CD algo mexeu comigo, mas não do tipo bom, do tipo aviso: "Cuidado!". Se alguém hoje diz que gosta dos Tribalistas já fico olhando torto para a pessoa e pensando: "Será um aviso?".
1o) Shoshanna: Foi quando uma colega (muito legal por sinal) foi trabalhar comigo. Perdão, mas não é fácil ouvir isto todo dia quando ela pegava o telefone: "Bom dia, aqui quem fala é a Shoshanna. Sho-sha-nna!!!". Acaba sendo natural para quem tem este nome ou para quem convive com a pessoa, mas imagine o infeliz que estava do outro lado da linha:"É pegadinha?". Não me apresentem mais ninguém com este nome, por favor!!!!

Ah, também pensei nas famosas Frases Feitas. Percebi que muitas pessoas quando ficam sem argumentação ou são mentirosas mesmo usam de jargões ou frases feitas para darem uma boa desculpa. Tá, não é uma palavra eu sei, mas pensem que várias palavras constroem uma frase feita! Mesmo assim está fora da listas das dez mais.

Quanta inutilidade......
Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Janeiro 30, 2006 Comentários:


O DRAGÃO AZUL

Era uma vez uma linda princesa de cabelos da cor da noite e pele da cor do dia.Vivia num pequeno e lindo castelo lá pelas terras do escuro. Sonhava com o príncipe, seu príncipe, dias e noites sem fim, mas o tal jamais viera. A princesa jamais desistiu de esperá-lo, sua esperança, sua fé eram mesmo dignas de uma pessoa da realeza.
Até que um dia pousa na janela dos seus aposentos uma águia-cinzenta. A princesa olha em direção ao parapeito e vê a ave a fitá-la:
-Bom dia, linda princesa.- diz a águia.
-Olá. Bom dia! Como vai? - responde a princesa.
-Estou bem sim e vejo que você não está muito feliz hoje, não é princesa?
-Ah, amiga águia, espero pelo meu príncipe e ele nunca chega.
A águia-cinzenta cisca um pouco, caminha no parapeito e enfim diz:
-Minha princesa, acho que sei porque seu amado nunca veio.
A princesinha solta seus cabelos aos ventos correndo para perto da amiga planadora:
-Nossa, então me conte, pois estou ansiosa para conhecê-lo e ele só me faz esperar.
-O seu amado encontra-se num vale distante, próximo ao Mar de Chamas. Vive aprisionado numa caverna e não tem um dia em que ele respire que seus pensamentos não são todos para você.
-Como preso? Quem faria tal maldade?
-Foi o Dragão Azul.
-Quem?
-O Dragão Azul vive por aquelas bandas também e o pegou quando ele vinha vê-la.
-Mas por que este malvado fez isto?
-O infeliz da garganta de fogo não é de todo mau, apenas mantém seu príncipe aprisionado para poder brincar, é mais uma de suas manias.
-Oh, coitado do meu amado. Será que posso ajudá-lo?
-Só você pode!
-O que tenho que fazer?
-Procure-o e saberá o que fazer, mas preste atenção: jamais acenda uma chama que queira apagar depois.
Com este pensamento ecoando dentro da cabeca, a decidida princesa não pestanejou sequer. Arrumou os longos fios do cabelo que insistiam em acariciar-lhe o rosto e saiu em rápida investida.
Após longa caminhada a princesa chega ao vale do Mar de Chamas. Era um local ermo, até certo ponto tenebroso. Em longos passos a mocinha vasculha o lugar em vão, nada de encontrar uma caverna. Foi então que do alto uma labareda com centelhas avermelhadas quase lhe atinge a cabeça, fazendo com que a princesa agachasse e visse mais a frente um enorme dragão azul pousar:
-Quem é você, intrusa? - pergunta o mal humorado animal.
-Oras, não vê que eu sou a princesa? E você quem é?
-Sou o dono de tudo que aqui você vê, sou o Dragão Azul.
-Dãrrrr, criativo....
-Que faz em minhas terras?
-Eu vim buscar meu príncipe que você aprisionou na caverna.
-Seu? Por que ousa pleitear a posse do que é meu?
-Você não é dono do que rouba.
-Não roubei. Estava sem dono, perdido até.
-E por que não o deixa ir embora?
-Porque adoro ter algo com que brincar. Não foram poucas as vezes que ri dele tentando fugir de mim.
-Hoje isto terá fim. Ele é meu príncipe.
O dragão urra e solta um punhado de fogo deixando no ar um cheiro de enxofre:
-Você jamais o tirará de mim, ouse sair dali com ele e serão meus eternos brinquedos.
Quando o monstro aponta a caverna dizendo aquelas coisas, a princesa enfim a encontra e corre para o buraco nem reparando que ele lhe lançava chamas atrás. O bicho voa sobre a princesa e para de fronte à caverna, intimidando-a:
-Vou torrá-la, princesa! A não ser que seja o inteligente o bastante.
A princesa pensa enquanto torce a barra do vestido nas mãos e finalmente diz sorridente:
-Você é um dragão tão esperto, não haveria nada que eu pudesse fazer para ser mais inteligente que você. Mas veja bem, já estou aqui e você pode fazer torrada de mim mesmo, então vamos apostar tudo numa charada? Só para não dizer que eu desisti do nada.
-Hum, sou bom mesmo, você bem sabe. Tenho as respostas para todas suas verdades e todas minhas mentiras também. Diga o que pretende.
-Se você acertar você faz de mim o que quiser, se errar eu entro e salvo meu amado. Aceita?
-Pobre menina, claro. Qual a charada?
-Um, dois, três, cinquenta e seis, cem! Pronto ou não lá vou eu!
-É charada ou esconde-esconde? - Soltando um penúltimo urro.
-Eita, bichinho sem senso de humor, calma. Então responda: Qual a chama que uma vez acesa você não quer apagar depois?
O Dragão Azul que de tudo sabia, inclusive de todas as chamas, não houvera jamais ouvido falar da chama do amor! Agora sim ele soltava seu último grito e o infeliz abaixou a cabeça, deu um passo ao lado deixando a princesa passar.
A caverna era enorme. Tinha uma brisa úmida e fresca. À medida que a princesa caminhava via que a caverna aumentava de altura, de largura; era uma vida toda de tão grande. Havia sorrisos nas pedras e árvores oferecendo abraços. Ao lado de um lago de águas límpidas pastava um cavalo dourado, com sua sela todinha acolchoada devidamente colocada no chão. O coração da princesa quase sai pela boca, ela sabia que seu amado estava por perto. O caminhar da princesa agora era tímido, mas firme, não titubearia agora. Ela ouve galhos quebrarem ao longe, as mãos suavam, pois vinha aparecendo no horizonte um rapaz de andar firme e corpo esguio. Tinha um sorriso em cada dente que brilhava, um olhar que penetrava a alma, um jeito carinhoso por demais e veio ter-lhe as mãos de joelhos:
-Como demorou minha princesa! Mas por tamanha beleza esperaria a eternidade se fosse preciso.
Ruborizada, a princesa apenas deixou a mão para seus lábios, porém não entendia por que havia ela demorado e perguntou:
-Amado príncipe meu, por que disse que demorei? Quando a águia me disse onde você estava preso vim o mais rápido que pude. Até lutei com o dragão.
-Soube pela águia que eu estava preso? Então está explicado.
-Como assim? Não estou entendendo.
-Minha doce, eu passei a vida toda procurando por você. Não foram poucas as vezes que lutei com os dragões, mas jamais me deixaram saber onde você estava.
-Dragões? Eu só vi um!
-Princesa, quando afugentava um dragão, logo aparecia outro com falsas promessas de ajudar-me a achá-la e então eu ficava vagando em sua busca. Só você mesma sabia onde estava, só você poderia vir a mim, tempos levei para entender isto.
A princesa então abraçou o eterno amado e pegando em suas mãos disse-lhe:
-Meu príncipe, então vamos embora daqui logo.
Rindo o rapaz senta-se com ela ao lado e explica:
-Minha luz, não vê que você vivia numa caverna?
-Eu? Não é você que vive nesta caver....? e aponta pro céu.
Atravessando as copas das árvores os raios de sol iluminavam o lago agora, pássaros davam rasantes sobre ele e lá no alto de uma pedra ao lado da pequena cascata a águia-cinzenta levantava vôo, sorrindo num farfalhar de asas.
Enfim a princesa entende que agora estava tão livre quanto o seu amado príncipe. Os dois se entreolham, dão um longo beijo e vivem felizes para SEMPRE. (Nada de felizes enquanto dure, é para SEMPRE!)
Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Janeiro 18, 2006 Comentários:


BUD

04:16, domingo. Toca o telefone. Meu único amor incondicional se foi. E eu que nem tinha mais lágrimas, arrumei uma porção delas para ele que me amava por eu amá-lo. Adeus.

Amor dói, não falei?


Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Janeiro 08, 2006 Comentários:



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Óia eu!!!