"Vão Divã"

"Que mal o amor me tem feito! Duvidas?! Pois, se duvidas, Vem cá, olha estas feridas, Que o amor abriu no meu peito."
(Augusto dos Anjos)
VÃO DI "Que havemos de esperar, Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vêm tarde, já vêm frias."
(Tomaz Antônio Gonzaga)

SE ALGUÉM ENTENDER....

Quando você diz as coisas claramente e não lhe entendem, que se passa? Pior, quando você de forma alguma não se expressa bem, que se passa? Ora, não sei o que se passa, somente sei que eu aqui nesta hora, de mim para comigo mesmo, entendo cada sílaba, cada dúvida, cada indignação minhas! Entendo quando matei Deus no meu coração e o julguei tão vil quanto qualquer desafeto, como também entendo que num momento de dor, sem pensar eu digo:"'Ai, meu Deus!". Ainda espero muitas coisas boas das pessoas, mais que das divindades, mesmo que os mais importantes dos mortais tenham feito o oposto a mim, mas também fui e sou errante. Doar-se a alguém é tão prazeroso quanto receber exímio afeto, ah se vocês soubessem! Ainda que tolo pareça ao tolo que não soube encomiar esta benquerença; sou desguarnecido de orgulhos deste e de outros mundos. Decididamente só eu me entendo. Bom, já somos dois: eu que falo comigo, logo, eu sou dois!
Por: ANDRE MELCHIADES Sábado, Abril 29, 2006 Comentários:


LUA AZUL
"- Quid rides? Mutato nomine, de te Fabula narratur.."

Meu amor é desprovido da sua presença! Não é platônico porque me amo por amar assim. Este amor não erra, não cobra, não pede e não dói. É por si só o mais fiel amor! Ainda que me furtem a contragosto o coração um dia, este amor perdurará além da minha vida. Não chore por não me amar mais, amo por nós e por todos os amantes do mundo.

Por: ANDRE MELCHIADES Segunda-feira, Abril 24, 2006 Comentários:


EU PRA MIM

Houve um tempo em que acordar tarde não era pecado. Podíamos comer chocolate até nos empanturrar. Ainda podíamos ver um jogo de futebol na televisão e ouvir outro no rádio. Havia também a possibilidade de escutar repetidamente quantas vezes quiséssemos aquele CD novinho da Marisa Monte e que desta vez são dois de uma única vez. Lembro que podíamos sair no meio da noite pra ir a lugar qualquer e voltar de onde quiséssemos a hora que desejássemos. E tinha quando queríamos comprar uma coisa qualquer e andávamos sem parar até encontrar e depois não a utilizávamos para absolutamente nada, mas o prazer de fazer algo que desejássemos estava ali. Bons tempos aqueles, não é verdade? Ah, eu ainda faço tudo isto, e você o que faz apenas para si mesmo?

Por: ANDRE MELCHIADES Quarta-feira, Abril 19, 2006 Comentários:


DEUS É O CARA (A SEITA CHECK)

Vou criar uma religião também, afinal todos criam. Analisando percebi que para criar uma religião precisamos de três requisitos básicos: fé, ídolo(s) e uma teoria razoável com um princípio à seguir:
1)A fé é intrínseca à alma e ignorância humana. Mesmo antigos nativos que sequer haviam tido contato com a "civilização" mantinham cultos e adorações a deuses. Então, nasceu o infeliz já tem a fé latente, logo precisará de um estopim para deflagrá-la. Caímos no segundo requisito.
2)Um ídolo pode ser uma pessoa de passado comum, ou seja, que teve amores comuns, que sofreu, que foi amado, que amou também, que foi atraiçoado, que pecou, que sorriu, que chorou, mas que num dia teve uma visão, uma luz desceu sobre ele e tudo ficou nítido, passou a ter todas as respostas para todas as questões, digamos que fora "abençoado" por Deus. Bom, esta pessoa pode ser eu, tenho os pré-requisitos. Até pensei numa outra pessoa, mas ela já se achava Deus antes de ter sido revelada a anunciação, assim ela perdeu para mim.
3)Para chegar na teoria razoável da minha religião preciso definir o perfil dos seus membros, seguidores e assemelhados, ou seja, aqueles que eu conseguirei atingir, pois a concorrência é fogo neste ramo, tenho que diversificar meu produto ou destiná-lo a um público especifico. Optando pelo mais óbvio buscarei meu público, digo, fiéis seguidores. Então eu quero gente divertida, bem humorada, feliz, mulheres bonitas (não só por fora, dãrrr, tem gente que se acha!) para florir as nossas preces, um punhado de cachorros (é, na minha religião cães têm alma), pessoas contestadoras até a página dois apenas e fiéis (não fiel de fé, fiel de fiéis aos demais fiéis! É raro, mas a religião é minha). Como princípio teremos o seguinte: "O feitiço sempre vira contra o feiticeiro...e se esta porra não virar, olé, olé, olá, eu chego lá" e creia em Deus, afinal: "Deus existe, ele criou a Mel Lisboa e a Angelina Jolie".(mas nunca me deixou tirar uma casquinha, ta louco!). A teoria, o estopim da minha fé, se deu numa noite de setembro de 2004, quando o céu se abriu para mim e obtuso temi. Na minha ignorância não entendi os avisos que se fizeram presentes novamente em fevereiro de 2005 e desta vez eu vi a luz indo embora.....que merda! Então no último instante um Cometa salpicou minha fé, algo nasceu em meus sonhos (e nos "córnios" também), me foi passada esta mensagem muito explicativa da morte do Deus antigo:
"Um planeta é um corpo celeste que gira ao redor de uma estrela. No sistema solar temos nove planetas conhecidos. Sabemos que existem outros sistemas solares e que até em nosso sistema pode haver mais planetas que ainda desconhecemos. O Deus até aqui conhecido gerenciava o planeta Terra, um dos menores planetas do sistema solar. Haveremos de concordar que deve ser trabalho de estagiário o que foi feito de gerenciamento aqui. Nada contra os estagiários, mas quando a gente estagia, a gente está aprendendo e a Terra é um bom laboratório. Aprendemos a fazer guerra, a trair, a poluir, a discriminar e depois tentamos aprender a consertar estas coisas todas. Bom, aí erramos, afinal Deus estagiário ainda não sabe tudo, não o culpe! Agora pense, nunca foi revelado um milagre lá em Plutão, Júpiter. Então quem os gerencia? E a galáxia? E aos outros sistemas solares? E ao buraco negro (sem piadinhas, a conversa é séria).Ora, pessoas de pouca fé, não vêem que temos assim outros Deuses? Um para cada planeta, alguns estagiários também (anéis em Saturno é coisa de estagiário meio estranho), outros mais experientes, vide Cocoon, onde até fazem testes para ver como anda nosso Deus estagiário. Para comandar este exército de gerentes, estagiários, entre outros, nós temos o Cara! Na verdade o bam-bam-bam é o Cara, o verdadeiro Deus é o Cara! Ele sabe de tudo e não faz muito porque ta na Dele, afinal se você abriu, feche. Se você sujou, limpe. Se ta com medo por que veio? E se o Cara inventou coisa melhor que mulher, futebol e cerveja ficou só pra Ele que não é bobo nem nada. Assim Ele me disse: "Vá! Saia da frente da televisão. Diga ao mundo que Eu sou o Cara e que vossas batatas estão assando! Fiquem pianinho senão mando mais uns tsunamis, vulcões, furacões, Rubinho Barrichello, Lula, Bush..."
E assim estava escrito no Cometa: "Maktub", que quer dizer: "Assim estava escrito".
Amigos seguidores, sou apenas um mensageiro do Cara e venho apregoar os princípios de A SEITA CHECK. Vamos nos engajar na causa do Cara, o quanto antes. As filiações serão feitas via e-mail e a celebração será feita quando atingirmos a primeira centena de adoradores do Cara. Será uma cerimônia regada ao néctar do Cara (cerveja), com cânticos de louvor (Pop-rock anos 80 e 90 e Nova MPB quando bater a "zonzeira") e um churrasco porque ninguém é de ferro. As contribuições para a obra do Cara (a celebração mesmo) serão definidas numa visão que o Cara trouxer nos email's. Deus é o Cara! Ah, não precisam me chamar de Ídolo não, bobagem! Podem me chamar de Mestre mesmo.
Por: ANDRE MELCHIADES Sábado, Abril 15, 2006 Comentários:


NO SILÊNCIO DA LUA (PARA LUA)

No sigilo cúmplice do luar uma voz destoa do silêncio da noite. Mínimos são, mas dilacerantes também, os murmúrios que ecoam lamentos e desatinos. Ouve, compadece; agora a lua chora! Raios escorrem e rasgam o céu como se lágrimas ferozes fossem se suicidar. A companhia romântica da lua se desfaz, cadê a Lua, aquela que me alumia a escuridão? Esconde-se por trás de nuvens esparsas, coitada. Ela que já banhou romances épicos faz um beicinho em sinal de lamúria, de tristeza mesmo. Chore, encha o céu de soluços, afinal você está aí, mais pertinho de Deus, assim poderá Ele ouvir melhor suas súplicas às minhas.

Por: ANDRE MELCHIADES Quinta-feira, Abril 13, 2006 Comentários:


O CEMITÉRIO

Nuvens escuras, uma garoa fina e o céu estava assustado também. Era noite de frio e entrávamos de violão em punho pelo buraco que havia atrás do cemitério. O carro, um fusca de alcunha trovão azul, ficara quadras para trás a fim de não chamar a atenção. Caminhávamos por entre as covas, túmulos, tomando cuidado para não pisar em nada de estranho, mas o algo estranho estava no ar. Claro que o pouco vinho que os três haviam degustado ajudava a atemorizar, porém algo sinistro pairava e vertia sobre nós. O vento, agora mais forte, trazia cheiros divergentes daqueles que nossos olfatos conheciam, odores podres talvez, fosse o que fosse, era de arder as narinas. Àquela altura, não tínhamos medo nos olhos, era o medo na alma. Mesmo com o pavor latente, acomodamos o pouco de nossa coragem num túmulo frio e o mais claro que havia, assim dava a impressão de um pesado aconchego, irônico. Empunhei o violão, as notas saíram juntas à melancólicas frases dos Smiths e quando as nossas vozes dissonantes alcançaram seu apogeu um vulto nefasto cantarolou lá distante em meio às catacumbas, ecoando nossa cantoria. Um, dois e três viram o mesmo vulto, ouviram o mesmo eco. Entreolharam-se, arrepiaram-se, borraram-se. Um correu, dois voou, três atropelou aos dois de antes. Num único buraco do muro depredado do cemitério coube três almas assustadas que ainda souberam dar vazão a um inocente violão e corremos, ah, corremos muito, sem dar uma olhadinha pra trás. Esbaforidos alcançamos o carro, escancaramos ambas as portas para entrarmos. Um amontoado se forma de frente ao volante, e aos poucos, ainda tremendo, um dos jovens desce para não fazer nas calças. Ele pára atrás do carro enquanto eu dou partida no veículo uma vez, duas vezes, inúmeras vezes e nada. Na enésima vez o carro pega engatado em marcha à ré e sai rápido. O freio não funciona, o carro desliza por mais, mais mesmo, de cem metros quase passando sobre o usuário do recém inaugurado mictório público. Enfim ele pára no poste, amassando um pouco a lataria. Todos se olham, perguntam o que houve, entendem e se emudecem. Nada de freio, nada de embreagem, nada de ligar o carro de novo, várias vezes. Entram no carro, mudos. Automaticamente tento ligar o carro uma última vez e ele pega. Ficamos mais mudos ainda e fomos embora, nenhuma palavra mesmo! O carro nos deixa calmamente em casa, não rateia, nem nada, estava até melhor que antes. No dia seguinte, o carro não funciona de novo, nada, nada mesmo. O carro foi vendido, mas sei que os fantasmas ainda se divertem.

Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Abril 09, 2006 Comentários:


JAMAIS É TEMPO DEMAIS

Aqueles parcos cabelos negros que um dia se separaram dela, agora jaziam perdidos no amontoado lençol branco que revolvia as lembranças, os tantos espasmos e sussurros. Uma noite, um sonho, um delírio; qual desmonte em meio a inverdades que assolaram suas súplicas em prece; tardias eram estas, como todos muitos infames momentos em que seu coração em um mármore tornou-se e redizia em negar-se assim. "Ora, que me nego eu? Aceito o mármore perpétuo em meu peito, se isto nasceu para ser meu legado, sou de pedra agora também, por este muro jamais alguém passará e jamais é tempo demais."
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Abril 02, 2006 Comentários:



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Óia eu!!!