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IMPONDERÁVEL
Já era tarde, bem quase noite, mas era tempo.
Tempo de desesperar, de deixar de esperar. Azulou um começo de nova noite. Era mais tarde no romper da minha vida, mas se vêm tarde, nem sempre vêm frias*, pensei, aprendi, até chorei. Se das poucas certezas que tive na vida, a mais fiel é que confio cegamente em mim; agora refaço, revigoro: que seja assim! Confio e desconfio, sou assim! Confio e assim se vai e vou e vamos! Que meu talento, certamente o único, de amar incondicionalmente quiçá um dia seja bálsamo e não uma baioneta voltada a mim. Outrora me devia estas clarezas, agora tanto faz, tanto fez, me pouco importa ser vidraça, afinal sei que jamais serei pedra. Atiro-me, retiro-me, mas nunca atiro (farpas ao coração) e retiro (almas do coração). Calma não tenho mais, mas tenho paciência para controlar a ansiedade e desatinos. Rostos tantos me viram nestes anos todos e nem sei mais a expressão do último olhar de despedida. A dor troca expressões, doa formas e contextos diferentes, mas nada substitui a indiferença, a indelicadeza. Tantos são gentis no regozijo, contudo quisera gentileza na dificuldade, no romper, no estilhaçar, mas se for engano esperar, oras, erro e volto a errar, afinal me vem sempre a clareza de que espero o que esperariam de mim. Ninguém morre de mágoa, ainda bem.
E tardou mais a noite.
Não sei mais ser subjetivo. Cansei. Tenho medo, muita fé, pouca crença, esperança, mágoa e amor. Sou humano e pecador. Creiam, isto não é um desalento, é o meu ode ao imponderável, à minha incapacidade de enxergar a vida trocar de cores.
Veio o sono.
Meu repouso será tranqüilo enfim. Posso me ver sem máscaras, foram tantas, tantos papéis! Que seja breve o adeus e eterno o amor. Não agradeço porque seria piegas, então de olhar úmido voltado para meu peito, repito:
"-Amor, eu te amo!"
*Frase alterada de "Marília de Dirceu" - T.A.Gonzaga
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Fevereiro 27, 2007
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VERDES OLHOS
Verdes olhos como são
Vaga lua silencia e reluta
Vistes meus sonhos como estão?
Venha, candeia minha, se ajunta.
Vagarosa luz incandesça
Vigie meu sono leve
Vil medo que não desça
Vida boa me venha breve.
Viva de amor, de coração
Voz da razão ainda vem
Verossímil só é viver são
Veja: se ame também!
Vagueie na noite de chuva
Vicejar nunca mais não
Vigiarei assim cada curva
Vislumbrando uma paixão.
Por: ANDRE MELCHIADES Terça-feira, Fevereiro 13, 2007
Comentários:
CONTO PARA MEIA NOITE, NOITE TODA TALVEZ (CONTO)
O som de um blues tomou conta do quarto. Ela afastou-se. Ficou olhando para um ponto distante no horizonte através da janela. Sequer encostou-se ao parapeito. Sentiu uma brisa noturna acariciar-lhe o rosto, enquanto o fino tecido transparente da cortina bailava no ar, quase lhe tocando o rosto já um tanto corado.
De onde ele estava podia apreciar sua esguia silhueta. Aquele corpo delicado de quase menina ficava ali de costas para ele que se contentava em apenas apreciar a lingerie preta que contornava sua timidez. Os cabelos loiros e compridos acariciavam seus ombros salpicados por sutis e discretas marquinhas de sol. A pouca luz que vinha de uma lâmpada azulada mostrava que sob os mínimos fios claros do seu braço havia um corpo precisando de um afago, de calor.
Lentamente uns poucos passos o coloca a centímetros dela. Começa a sentir o cheiro adocicado do perfume que exala de seu corpo. Aproxima-se ainda mais pelas costas da amada. Envolve a fina cintura da moça com ambas as mãos, acariciando e trazendo-a para junto de si. Ela o sente mais firme, mais homem. Os corpos se encaixam. Com um sopro ele afasta os cabelos da nuca da amada e delicadamente toca-lhe com os lábios, úmido toque, lento, vagaroso toque. Ela suspira e com um movimento curto consegue curvar o pescoço para sentir o mesmo toque nos seus lábios. Fecha os olhos e o beija também, sem se virar. Os pensamentos se perdem, o beijo se eterniza, parece durar por toda uma vida. Como por encanto ela sente seu corpo sendo acariciado pelas mãos dele. Uma das mãos passeia com mansidão pelo seu ventre, tocando-lhe com as unhas, arranhando-a sem deixar dor e já percebe os pelos eriçados. Outra mão sobe por entre os seios, acariciando o fino tecido do soutien e um pouco do busto que escapa também; tudo se inflama ali. Não se fazendo de rogada, ela passa a mão por trás da nuca dele, trazendo-o para um beijo de línguas insanas e conduz habilmente a outra mão dele pra dentro do bojo do soutien, deixando-o tocar, adorar, desejar. Os quadris dela passam a mexer ao ritmo do blues, ele a acompanha. O beijo escapa das bocas ávidas e passa, ele, a beijar-lhe os ombros. Ouve-se um gemido quando ele lhe toca finalmente as costas e em vão ela cerra os dentes. Um beijo mais afoito rompe a presilha do soutien, então, ela abaixa os braços e a peça desliza para o chão, deixando nus os seios branquinhos e arrepiados. Não tenta esconde-los. Os lábios dele se apoderam das suas costas. As mãos chegam para ajudar com toques, leves apertos; uma breve massagem talvez. Ela mal consegue se manter de pé, mas ele insiste em mantê-la assim e se agacha beijando suas pernas, sentindo o contorno das suas coxas, a suavidade da sua pele alva. Como que surpreso ele se depara com aqueles montinhos lindos, timidamente cobertos por uma calcinha ínfima. Um suspiro brota do peito do rapaz. As mãos descem pelo quadril, envolvem a cintura da loira, contorna-a. Uns ousados dedos escapam pouco pela frente, quase sentindo os pelos pubianos, se não os sentiu. Mais animado que cruel ele aperta suas coxas dando-lhe um beijo demorado, molhado e os dentes se encarregam de livrar-se do último obstáculo que a cobria. Mordendo com suavidade ele abaixa a peça, vai descendo até ao carpete, deixando-a despida, totalmente. Rapidamente ele se põe a sua frente. Olho nos olhos, amor no coração. Ela se aproxima, senta-se a sua frente e tira-lhe a única peça de roupa branca que vestia. Sentada ainda, vai para trás da cama, mais para trás. Deita-se nua, lindamente nua. Parecia agora que a amada se vestia da timidez de sempre com um brilho no olhar, quase choro, quase debutante, quase pra sempre, quase único. Percebendo a insegurança de quem quer mimo, calmamente ele vai para a cama, coloca-se ao seu lado. Passa a admirar a linda menina que se entregara de coração e que agora estava a se entregar de corpo também. Toca-lhe a boca, admirando os lindos olhos verdes, acariciando o rosto de anjo e sela tudo com beijo calmo, sereno, eterno. As mãos se encontram acima dos travesseiros, se entrelaçam e se apertam mais, mais, mais e muito mais.
Por: ANDRE MELCHIADES Domingo, Fevereiro 04, 2007
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Óia eu!!!
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