"Vão Divã"
 

  "Que é o poeta...o artista, o visionário, senão aquele que sente mais que os outros?!"

João Ubaldo Ribeiro
(Viva o Povo Brasileiro)

 

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SUAVIUM

Aquela melodia agora toca, permito que exista!
Traz aos meus delírios o sorriso único, olhos cerrados e cabelos afoitos. Lampejos intensos culminam no selar dos lábios, tal como se fosse verdade, verdadeira anamnese. Então na celeridade de que meus tormentos me conduzem, fatigado e realista, me recolho a minha clausura etérea.
A melodia se desvaneceu em meio aos soluços. O dia deitou-se pela enésima vez. Não me sinto mais presente, nem em delírios. Melhor acompanhar o dia, o anjo da guarda sussurrou.

Por: André R. Melchiades Sexta-feira, Dezembro 28, 2007 Comentários:

IRONIA

Silencie o que possa doer, talvez não pudesse desdizer depois.
Emudeça a voz perdida, não ouse se arriscar.
Aquiete o pulsar torpe por uma certeza dividida.
Censure suas palavras doces, mesmo que outras nem tanto.
Esconda os sons das frases escritas para se fazer ausente.
Permita-se ser covarde!

Por: André R. Melchiades Quinta-feira, Dezembro 27, 2007 Comentários:

MENOS CHRISTMAS

Se nao fosse recorrente o vazio da noite pequenina de Belém, falaria eu, mas enquanto devoram em nome do Pai, apenas desanuviando, de olhos moribundos num ponto distante do meu coração, desperto a alma lívida para um suspiro doído e escondido.

Por: André R. Melchiades Sábado, Dezembro 22, 2007 Comentários:

QUERO-QUERINHO

Inesperada, destemperada: aguardo!
Não muito, pois será inesperada.
D’outro tempo, d’outra vida quiçá: desamparada!
O bastante e perdidamente assim tolero: e gosto!
Talvez hoje, talvez nunca: até lá, sei lá!
Aos sonhos: já não sonho.
Vivo e revivo tudo: o que posso somente.
Que “quero-querinho”: sodade inocente!
Latente: tum, tum, tum.
Sorri e dorme.

Por: André R. Melchiades Sexta-feira, Dezembro 21, 2007 Comentários:

CLAREIA

E se fez dia.
No meio da escuridão houve um estrondoso raio recorrente, mais forte que o bater torpe do coração, talvez até sem ritmo ou num ritmo atordoado, mas se viera, viera intenso... e contido.
E, se fez dia.
Com a explosão branca, desgarrara a noite em apuros, parecia que esquecera de concluir seu ciclo e fugira em carreira. Ainda em seu manto negro disparara ao encalço da luz que havia despertado mais cedo, puro complô dos astros. Cedo não, no devido tempo que já devia!
E se fez, dia.
Trouxe o clarear a poucas almas despertas, era demasiado cedo para tantas -nunca tarde para outras -, mas trouxe o que pudera ter de mais límpido, puro mesmo. Acalentou a noite em seu repouso, seu regaço; seria por fim sua herança. Trouxe sorrisos, todos eles! Na paciente espera de despertar o mais belo sorriso de Deus. Pretensioso e ao mesmo tempo não; apenas lídimo, apenas.

Por: André R. Melchiades Terça-feira, Dezembro 18, 2007 Comentários:

CONTIDO

Ecoa um grito contido.
Um desesperar silente, quase inocente.
Viro, reviro, transpiro inerte.
Anseios se juntam num curto suspiro.
Dôo sorrisos, não endosso o amargor,
Já me furto às tantas tristezas.
À minha alma imploro sôfrego,
Os pensamentos me traem, saem difusos,
Palavra alguma se ouve, uns as sentem.
Afora de mim, o colosso se impõe rude,
Mas de olhos fechados a criança ressurge.
O orvalho da manhã me fez lembrar:
“Garoa é quase chuva“
E desabo com a tempestade,
Também estou chovendo.

Por: André R. Melchiades Domingo, Dezembro 16, 2007 Comentários:

 

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