"Vão Divã"

"Todo amor é eterno, e se acaba, não era amor"
(Nelson Rodrigues)



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Brazil, SP, Interlagos, Portuguese.



ESQUIFE

Já não aspiro sentimentos que acolham meus medos. Também nem querem que eu tenha medos, mas eu tenho sim, um monte deles, contudo não os deixo me dominar, só não os nego e os controlo a todos, a todo instante.
Aspiro sim me encontrar nos medos de outrem. Trazer acalento àquela lágrima perdida de fim de noite, sem causa, mas que causa um imenso efeito. Que um café quente naquela manhã fria seja amor e não se paga amor com algo além de um inocente sorriso.
Se não for demais, aspiro ainda um abraço demorado, daqueles em que as mãos vão se apertando, juntando, acariciando e não querendo mais soltar. Que uma pressa não seja maior que a vontade de dar um beijo, dois até e não ir mais embora, mesmo já estando longe, apenas delirando de saudades.
Eu não busco nada, não espero nada; apenas sonho, como sempre foram meus contos desde a infância, e assim, com alma de pecados perdoáveis, gasto meu ultimo resquício de fé suspirando meus doces delírios em oração.

Por: André R. Melchiades Quarta-feira, Abril 30, 2008 Comentários:



O INFERNO

Conheci também o inferno. E se não havia peitos desnudos é porque no inferno os desejos são mais sutis e nem por isto menos cruéis. Não via trevas, tampouco odor de enxofre, espocavam sim balões cintilantes dum prata mais vivo que a própria vida e o cheiro doce que dava feições ao ar era entorpecente vindo da mais primaz papoula. Acreditem, caros, o inferno é aqui, nos braços de quem lhe afaga, na mão que lhe toca, nos lábios que roçam o seu, no sorriso despretensioso. O inferno está nas coisas que lhe deixam perder o controle, que lhe deixam à mercê de suas fraquezas. Ah, o inferno seduz, conduz, mas espreita nosso choro contido no refugo da noite mal dormida e se regozija disto, mesmo que por vezes nem se dê por conta. Agora eu que o vigio, de longe que não sou nenhum Serafim, de fato por medo, e digo para que nunca fechemos os olhos ao dormir, não convém à alma vaguear, mantenhamos o inferno dentro de nós que já basta.

Por: André R. Melchiades Terça-feira, Abril 29, 2008 Comentários:



EROS E PSIQUÊ

Nada mais era que uma obra de arte para os meus olhos.
Via expressões fortes, marcantes, delineadas por traços arqueados, trazendo uma robustez delicada em volumes perfeitamente moldados. Pus-me sentado aos pés dela que não me via, que há muito não me vira, se é que um dia me vira e assim ali permaneci, pesando séculos em cada minuto de adoração, apenas eu e a vida, uma platônica abstração do mundo. As mãos nervosas ousaram sentir a frieza do mármore celeste esculpido, se não fosse eu de pedra, seria ela, mas rocha escavada não mina água, eu choro.
O coração não vê, sente, e minha escultura por si não ganha vida, nem sente a minha acelerando meus medos.
Fechei os olhos puxando a portinha que fecha o coração, sem toque, sem beijo, sem abraço, sem desejo, sem eu e você.

Por: André R. Melchiades Segunda-feira, Abril 28, 2008 Comentários:



E TINHA O TINHO (Parte II)

Já perambulava jaziam dias e não havia sóis no seu caminho, tampouco no percurso percorrido que ele insistia em espreitar. A gatinha não mais luzia por ele, doía e sabia, mas insistia. A noite vem, traz um certo ar bucólico que o põe sentado sobre as patinhas traseiras numa caixa de madeira no final daquele beco. Clamou aos céus num miado dolorido e cortante, tantas eram as estrelas formando um manto, mas sabia que nenhuma brilhava por ele. E se gritou, tampouco ouviram, pois seu canto foi na esquina do nada com lugar algum. Em total desamparo apoiou-se em crenças que sequer sabia tê-las e pensou: ”Deus é o meu acaso”. Então Tinho, cambaleando, se ergue, dá uns dois ou três saltos sobre as muradas e novamente entoa uma cantiga torpe, porém desta vez ele anda e não olha pra trás. (será?)

Por: André R. Melchiades Quinta-feira, Abril 24, 2008 Comentários:



TINHA, UMA GATINHA

Havia uma gata chamada Tinha e um gato chamado Tinho. Eram muito amigos, de gostarem das mesmas brincadeiras, de serem cúmplices nas provocações, enfim sempre estavam rindo. Depois de anos naquela proximidade toda, Tinho percebeu que as coisas dentro dele caminhavam para um sentimento ainda mais forte e assim se sucedeu...
-Tinho!! Desce e vamos brincar – gritava a gatinha.
Abrindo uma bocarra enorme de sono, ele salta todo trôpego para agradá-la.
E pularam, deram cambalhotas, puxaram um o rabo do outro até que ela se cansou e disse:
-Ai chega! Num quero mais brincar. Tchau!
Tinho, que já se acostumara com este jeito chocho quando ela não queria agradar, limpou a poeira, ergueu a cabeça e saltou muros e telhados, todo feliz, porque simplesmente havia pegado na patinha dela.
No dia seguinte ela aparece no beiral da janela:
-Tinho, Tinhô!!!!! Acorda molenga. O passarinho que não deve nada pra ninguém já ta cantando desde às cinco da manhã. Levanta, saco!
O gato exausto, pois passara a noite toda brincando com seus donos, fazendo agrados e graça, caminha até a janela:
-Que foi Tinha? Parece triste!
-Ah, hoje não to bem. Me faz rir?
-Humm, ta me chamando de palhaço? Por acaso eu sou o Bozo? Mistura de Gato com Bozo dá um nome feio....
-Cala a boca, indecente! Só me faz rir, senão shhhhh, quietinho! – diz ela rindo, meio sério, meio triste.
-Sabe, fofa, eu pensei que lá onde você mora, pensei que lá Tinha gente legal......
-Que piadinha infame! E fofa é sua mãe!
-Infâmia é o que eu ganho para agradar meus donos...e você, que nem me dá uma lambidinha meiga.
-Ah é? Vai lamber asfalto.
-Vou sim, sem problemas. Pelo menos ele deve mais doce que você.
-Capaz!!! Só sei que nele você pode pisar e em mim nunca, seu ridículo!
-Não piso em você porque não tenho uma bota que seja grande o suficiente pra te cobrir toda!!!! Balofinha!
-E que bota conseguiria levantar com estas varetas que você chama de patas?? Esquelético!
-Com estas aqui olha!! – e imaginem........
O festival de insultos, misturados com tapinhas, gargalhadas, barrigas pro ar e coração mais leve dura uma eternidade.
Tinha enfim, pega e diz:
-É, já rimos bastante. Você é legal. Gosto de você, mas agora ta tarde e preciso ir.
-Espere. Por que você sempre vai? Por que não fica comigo de vez ao invés de ir e vir perigosamente por estes becos?
Pega de surpresa pela conversa fora da hora, ela dissimula:
-Ta ficando escuro e me deu um soninho....
-Vem cá, a gente não brinca sempre?Não dividimos nossa ração? Não partilhamos nossos sonhos? Não vamos sempre viajar até aos becos distantes?
-Sim, sim, sim! Mas nem tudo são flores....
-Eu sei disto, mas não te entendo, aceito, mas não entendo.
-Como assim? – nasceu a curiosidade feminina.
-Não dá para compreender que você prefira procurar tanto e tão aleatoriamente o que você nem sabe o que é direito e prefere me deixar aqui, sozinho. Olhe nos meus olhos, vai.
-Eu olho e vejo o que eu to sentindo, apenas o que eu sinto, só isto.
-É, talvez eu não saiba me expressar tão bem quanto você, mas.... mas invariavelmente a gente passa a vida toda buscando a felicidade em coisas distantes, muitas vezes fora da gente e não nos damos por conta que por toda nossa existência a alegria de viver esteve ali dentro de nós e também do nosso lado e por pouco não a pisoteamos.
-Não é tão simples, Tinho, certas coisas a gente não escolhe.
-Talvez, mas o que é a vida senão escolhas que fazemos todo dia? Podemos escolher certo e errado, mas podemos reconhecer eventuais erros e refazer estas escolhas.
-Podemos escolher certo a coisa errada. A vida também é uma busca, uma corrida atrás do melhor, de um sonho...
-Olha, você sabe aquela coisa que dizem da gente, dos gatos? Que nós temos sete vidas?
-Claro que sei, Tinho.
-Pois bem, meu amor, é mentira, a vida é uma só. Num procura muito não.
Tinho põe o rabo entre as patas, salta, caminha sobre a cerca e desaparece para sempre tendo a lua como sua única companhia.

Por: André R. Melchiades Terça-feira, Abril 22, 2008 Comentários:



IMAGENS NOVAMENTE

Ouvi um estrondo enorme. Um trovão. Quase nem chovia. E nem sei se era dia.
Eu só ouvia agora o tilintar dos pingos sob o rufo da varanda. Talvez nem fosse dia porque clareou apenas com o raio que me fez ver você espalhada pela cama, docemente quase nua, abraçando o travesseiro com a melhor expressão que a noite pode lhe doar e você suspirava de olhinhos fechados.
Outro raio, ainda mais intenso, expõe o ninar de menina, não era mais a ofegante inspiração da noite anterior, tinha outra, de ausente luxúria e imensa ternura. Exalava um sutil perfume sob os longos cabelos, próximo à nuca.
Um tímido trovão agora lhe faz calmamente se mexer, deixando rolar até ao chão o travesseiro e o trocando pelo meu abraço. Sem malícia alguma você umedecesse seus lábios delicadamente com a pontinha da língua, parecia um quase despertar. Percebendo seus poucos pelos enrijecidos, puxo o lençol sobre seus seios nus, aquecendo seu corpinho alvo de mocinha carente. Ajeita-se melhor em meu peito, passando a perna sobre a minha.
Sob a luz de outro raio, não dizendo uma só palavra e ainda de olhinhos cerrados me beija levemente. Contorno as mãos por suas costas, tateando suas curvas, delineando cada espaço, sentindo seu calor. Meu peito de encontro ao seu sentia os corações batendo compassadamente, calmamente; eu me sentia seu porto seguro.
Um bravo trovão estremece o quarto. Você me aperta ainda mais forte, um quase medo. Arregalo bem os olhos de sono e sinto seu perfume se afastando de mim.
O mais claro dos raios ilumina a cama vazia e ainda aquecida. Por entre as cortinas, que balançam úmidas pelo vento e a chuva, a veneziana se abre e noto que um lenço azul despede-se de mim, caindo no mundo.

Por: André R. Melchiades Terça-feira, Abril 22, 2008 Comentários:



IMAGENS

Eu que já tive dragões e anjos em cada delírio mal sonhado, agora tenho a mim apenas, que se não sou anjo, também nem sou dragão ou talvez seja os dois ao mesmo tempo, dualismos de minha vida e sonhos. E ser apenas isto é um tantão que nem cabe nas palavras confusas que me empenho em delinear. Meu mundo é enorme neste silêncio em forma de prosa, cheio de ilusões e desatinos, e, se crio amores é porque os tenho dentro de mim e não os tenho fora, ainda; mesmo porque ela somente aparecerá naquele lindo dia de chuva fina e frio cortante, eu sei!

Por: André R. Melchiades Terça-feira, Abril 22, 2008 Comentários:



ANTES DO DOMINGO CHEGAR

O bar rústico com seu jazz entorpecente estava estranhamente vazio. De posse dos meus pensamentos mais distantes tomo talvez meu último solitário drinque, quando uma luz me traz à tona. Lentamente a luz se faz mais presente sob a forma de uma moça de olhar meigo, expressões doces e um sorriso de todos os deuses. Os cabelos escorridos sobre o busto discretamente à mostra se movem a cada passo. Caminha lentamente em seu scarpin dentro de um negro vestido colado ao corpo e com um lenço de um translúcido azulado, meio que destoando, meio que exótico, sobre os ombros. Ela suavemente passa ao meu lado, sinto seu perfume, um toque meio silvestre, meio madeira, meio doce, não sei ao certo. Recoloco meus desejos insanos de lado, me refaço, acho que já é hora de ir embora. Quando me viro para sair quase perco o fôlego. Estava ali, ela, a minha frente. Olhos nos olhos. Pensamento perdido. Mãos nervosas. Um sorriso sem jeito. Segundos, minutos talvez se passam e somente uma frase mais inocente que pretensiosa escapa:
-Como eu gostaria de saber a coisa certa a lhe dizer agora...
A resposta soa gentilmente:
-Ah, por favor, então não saiba, pois eu me encabularia em responder....
Mudos trocamos sorrisos cúmplices e saímos dali. Caminhamos por quadras mal trocando meia dezena de palavras. Aos poucos as mãos se entrelaçam. As horas viajam, os lábios, enfim, expressam suas verdades de fala e de paladares. Agora somos extensão um do outro. Sei de suas vontades, manias e birras, ela me diz o que sou, como sou e porque o sou. Sinto finalmente a razão da minha existência, sinto-me ouvido, sei que sou ouvinte também. Poderia dar por concluída a, até então, eterna busca da minha alma gêmea.
O sol já quase que nasce aquecendo a cama do meu quarto e ainda a vejo nua, alva a se encaixar nos meus braços. Meio adormecida, sussurra oito números no meu ouvido e com associação ilógica da minha imaginação guardo-os todos. Um toque suave dos lábios em meu rosto me põe de volta ao repouso, sereno e feliz.
Ouço uma cantiga ecoando distante, como se fossem anjos. Uma brisa, quase vento, me traz seu perfume às narinas. Desperto e ela não estava. Demoro a tomar consciência de tudo, apenas sinto sua ausência.. Procuro por ela, por vestígios, um bilhete, um recado. Sobre os lençóis brancos sequer um fio de seu cabelo, nem uma mancha de seu batom, nem uma marca de suas mordidas na minha pele. Nada. Penso que delirei, que sonhara, que fora o álcool talvez. Quase me convencendo disto vejo perdido atrás da banqueta o lenço. Afoito, afasto tudo e o ergo por entre os dedos quase o deixando escorrer de tão fino que é o tecido. As lembranças me vêm mais fortes através daquela mínima peça que esquecera ali e assim também vou revivendo os tais números em meu ouvido. Um a um vão clareando em minha mente e ao final sabia que ela me deixara seu telefone. Relutei em parecer ansioso, temia parecer pegajoso, intruso, mas não resisti, não sou de esconder o que sinto. Parado ao lado da janela, segurando o lenço, liguei. O aparelho toca várias vezes e finalmente atende. Atendem. Uma voz de certa idade acha estranha minha pergunta. Engasga, engole a seco, gagueja e meio que trêmula me responde:
-Sinto muito, mas ela faleceu tem uma semana.
O lenço, como por encanto, escapa das minhas mãos voando e desaparecendo através da janela.


Por: André R. Melchiades Domingo, Abril 13, 2008 Comentários:



DO ALTO DO PÉ DE GOIABA

Eu que já esperneava por ainda fazer com que acreditassem nos homens, hoje me ponho a duvidar até da existência de Deus.
De fato nunca fui vidraça, tampouco pedra, mas versei bem pelas duas searas e se nunca fui tanto, conheci intimamente cada efeito de ser um deles. Preciso ficar junto aos meus sonhos porque senão me tornarei comum, me contaminarei deixando brotar o que tem de pior em mim. Aqui trancado nos pensamentos e delírios posso ser o bem desejado que quiser. Ao mundo, em sua maior parte, que continue caminhando rumo ao definhamento com seus egoísmos, intolerâncias, ingratidões, grosserias e desamores. No meu cantinho (como se fora o da minha infância, onde subir no pé de goiaba do vizinho era o cúmulo da maldade mundana) temos que ser melhores: todos dividem até sorrisos, todos dizem obrigado mesmo por banalidades, todos contam até dez para tolerarem mais, todos acariciam um rosto amuado e todos amam mesmo sem os conhecer.
Tranquei e joguei a chave fora.

ps: não era goiabeira, era pé de goiaba mesmo!

Por: André R. Melchiades Quarta-feira, Abril 09, 2008 Comentários:



POR LOU SALOMÉ

Talvez houvesse uma minha musa
Que me vestia de inspiração os todos tantos sonhos.
Se não houvesse a inventaria para perder o sossego
Ainda como se fosse imperativo a teria todo dia.
E se agora a reinvento me dói menos, se dói.
Afinal, quanto mais platônicos melhores os delírios.

ps: platônico sim, sem musa não...já volto, vou procurar uma.

Por: André R. Melchiades Terça-feira, Abril 08, 2008 Comentários:



LIVRO ANTIGO

Resolvi remexer meus guardados e retirar do amontoado de lembranças aquele antigo livro. Bateu-me a saudade de ver suas densas páginas e reconstruir em minha mente cada frase que dele absorvera. O livro ainda estava ali, não muito à mão, mas acessível. Uma brochura robusta, de capa linda e duríssima, folhas soltas, com frases fortes e despretensiosas. Quando o li d’outra vez tive a sensação de mergulhar no inexplorável, algo sutil, recheado de encantamentos e orações a serem terminadas. O prazer da leitura se dava maior no silêncio, no escuro, no espiar e ali eu me perdia viajando nas sucessivas abordagens distintas de cada mesma cena, porém sempre via um mesmo propósito, uma mesma expressão. Se me encantei parecia pouco, havia respostas até para o que jamais houvera pensado e eu aprendia, humildemente me curvava àquelas letras dizendo ser inferior para tatear sequer as páginas. Um dia não mais li. Nem havia terminado, mas era dado o tempo que me coube para interpretar todos aqueles pensamentos escritos. Achei coisas demais, de menos; concebi verdades absolutas que não duraram dias e outras tantas esquisitices que julguei serem corretas. Algumas eram.
Agora com o livro à mão novamente, resolvi retomar os pensares que dali partiam e me pus a sugar cada dito. As palavras eram as mesmas, cada frase ainda mais familiar, expressões bem comuns, mas tudo me soava estranho. Talvez fosse a posição em que agora me ponho para a leitura ou ainda porque já não sou mais o dono do livro; é uma publicação que se tornou parte do mundo. Por mais que eu lesse as mesmas frases não me veio a sutileza em ternura que vira antes, se é que havia e somente eu as via. Tornou-se uma leitura fácil, fugaz, quase corriqueira, porém um tanto rude, seca, de frases a doer e de me por aos prantos enquanto caminho com menção de fechar-lhe a capa e colocá-lo do armário. Novamente parei a leitura e novamente doeu. Talvez tenha parado antes do fim a mim destinado, talvez retome num dia como já o fizera e talvez doa de novo, não sei. Parado observei o livro à distância e não soube decifrá-lo nem assim. Melhor retomar meus Monteiro Lobato e Marcos Rey, talvez eu só me veja na complexidade de ser simples e somente (me) entender (n)estas páginas.

Por: André R. Melchiades Domingo, Abril 06, 2008 Comentários:



AO (A) MAR

Se renasço todo dia é porque os tantos devaneios viram poeira e não deleites, tenho que pô-los no prumo ao final dos meus lamentos.
E se me pego em desalento é porque a decepção é morna ainda, mas esfria a cada suspiro.
Quando o dia clareia os olhos vermelhos há mais caminhos vindouros, não é fé, é viver com a vida, é navegar sob o balanço das ondas e deixar-se ir.
Hoje eu vi o mar.

Por: André R. Melchiades Sexta-feira, Abril 04, 2008 Comentários:



DESTINO VADIO

Espia. O destino vagueia. Procura insanas personagens pro seu auto de fé e desesperança, contra-senso; se não o fosse seria vida*? Não, que me amo e só amarei quem me amar. Não, que só amar não basta. Que tragam e lhes dou ternura, gentileza e respeito; amor só não basta. Que vivamos intensamente, eu não tenho medo, pena causa o seu, os seus, a todos os seus. Sorrir apenas não, também fazer sorrir. O destino vadio nem viu, encontrei olhos que sorriam e me fui antes dele passar...

Por: André R. Melchiades Quarta-feira, Abril 02, 2008 Comentários:



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Óia eu!!!