Que naquele coração já não cabia mais amor, ainda que lhe faltasse tal sentimento, ali não lhe insurgia mais nada, estava todo tomado de si; doce e rude, agora, apenas rude.
Por: André R. Melchiades Terça-feira, Novembro 25, 2008
SETE MINUTOS DE UM ABRAÇO
Havia uma voz em soluços naquelas linhas tremidas, meio perdidas, talvez um tanto sozinhas de vida. Percebia-se um pouco de choramingo que prendiam alguns fios de cabelos naqueles lábios grossos, pairava o medo latente de que a existência fosse ainda mais penosa e em meio ao seu desassossego lutava para prender a alma sorridente no corpo cansado pelo alto das horas. Assim foi nascendo um abraço dentro do meu corpo que em acelerada insanidade queria protegê-la, detê-la de si mesma, ainda que o espaço o qual nos unia era o do universo. E ela, ah, ela sentiu o aperto forte dos meus braços, se aninhou e adormeceu que nunca mais despertou para a vida, afinal agora estava em sonho.
Por: André R. Melchiades Quinta-feira, Novembro 20, 2008
"BEIJO DE UMA ROSA"
Ainda é cedo para o amor,
inda que seja tarde:
Inda que não seja capaz,
inda assim ame-a mais.
Inda nos dias sem anis,
inda breve não mais vis.
Inda mais que nunca se apaga,
Inda que o fogo de amar se arde, ainda assim, doce propaga.
Por: André R. Melchiades Segunda-feira, Novembro 10, 2008
SÁ
Daí vi a luz da manhã surgir trazendo um “estranho belo dia para se ter alegria”. Recolhi a última lágrima antiga e tirei a felicidade do armário. A cada compasso repunha minha alma desassossegada no prumo. Pus meus pensamentos nos deleites antigos em que à beira do barranco, com os pés sob a terra vermelha e úmida pela água da chuva, minha conquista maior era ter onde pisar no seco, e, ali eu era o centro do universo, o pilar das minhas emoções. Revi sem pressa, sem apego, sem nada mesmo o quão a ausência de mim é mais importante que qualquer outra; se me falto ao meus delírios, me falta tudo.
Por: André R. Melchiades Segunda-feira, Novembro 03, 2008