"Vão Divã"

"Todo amor é eterno, e se acaba, não era amor"
(Nelson Rodrigues)



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LUZES

Tantas eram as luzes tingindo a cidade com cores resplandecentes que meus olhos rebrilharam todos estes contrastes dentro dos meus mais secretos desejos. Compunha nos meus desatinos o afã de um abraço longo, um beijo úmido, talvez de um arrocho devassado. Com a noite partindo, levou-me também, deixei os deleites para trás, os medos trouxe comigo e a luz que me vinha agora era o alvorecer tímido de toda manhã de delírio.

Por: André R. Melchiades Sexta-feira, Dezembro 26, 2008



SONHAR, SONHAR GRANDE

Foz.
Quiçá de meus desejos e afeto, talvez dum grande amor assaz.
Faz.
Algo simples que me marque a vida, talvez um beijo estalado e fugaz.
Fiz.
Tranquei o dragão de meus pesadelos, talvez já na eternidade voraz.
Voz.
Seu sussurro em desatino, talvez súplicas de carinho ou ainda lascivas demais.
Vás.
Que tu sigas comigo de mãos dadas, talvez nunca a soltes ou ainda a apertes mais.
Vis.
Infames medos que deixemos atrás, talvez todos ou ainda nem os lembraremos jamais.

Por: André R. Melchiades Quarta-feira, Dezembro 24, 2008



OLHOS VERMELHOS

Então caiu um pedaço do céu sobre meus ombros. Os pés descalços sentiam o cascalho transpassando a pele, era uma dor acutíssima, letárgica, fingindo ser timidamente discreta. A poeira, que enfim baixou, tapou a luz que alumiava a manhã dos meus olhos vermelhos, enganei a vida e usei a vermelhidão para deixar escapar as lágrimas que banharam meus lábios e inundaram meu coração.

Por: André R. Melchiades Terça-feira, Dezembro 23, 2008



RASGO DE LUZ

Alvoreceu naquela desesperança densa e negra. Jaziam tempos de emoções escassas, até castos. Brotavam ofuscantes, na escuridão da noite insólita, tantas luzes daquele olhar graúdo que me rompia a alma. E veio, me deu guarida, me cercou em seus cuidados, e assim, timidamente, me pus a dar os passos à porta que se abria. Abriu-me por fim uma fresta, tão insegura quanto eu, mas o universo por trás daquele rasgo de luz versava cantigas de afago, de ternura, rompantes e fui, fomos.

Por: André R. Melchiades Segunda-feira, Dezembro 22, 2008



ALENTO

Sou um anjo sem a quem guardar. Às vezes parece tão tarde nos anos da minha vida, mas vejo de longe o derradeiro dia deste filme. Assim, esperançoso na minha resignação fortuita, guardo o anjo dentro de mim e aguardo de olhos vívidos, ávido por um coração miudinho, apertado mesmo, querendo afago, desejando ter sonhos para se encantar. E quando finalmente cruzarmos os olhares, então lhe darei asas, criarei doces fantasias, remontarei seus medos, menos fortes, menos que medo. Sempre, sempre estarei quando os sonhos escaparem dos seus delírios, os juntarei todos para você e cada pedacinho do seu sorriso que eu resgatar nas suas noites de vão desamparo, alumiará a minha alma pagã, e enfim, serei sim o anjo da sua guarda.

Por: André R. Melchiades Quinta-feira, Dezembro 18, 2008



SEM A ALMA NOS OLHOS

Hoje não quero ver seus olhos. Nem que fossem os olhos do desejo me inspirariam vê-la neste dia, em um dia. Fugiu-me da alma o doce dos seus carinhos, não lhe reconheço nos meus pensamentos rompantes, minha mente não lhe desenha mais, foi-se de mim o perfil que tanto acariciei, perdi sua lembrança, perdeu você.

Por: André R. Melchiades Sexta-feira, Dezembro 05, 2008



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"A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos." [ Platão ]

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